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5 de março de 2015

António Pereira - "O Presidente começou a querer protagonismo"

António Pereira deixou o comando técnico do Gulpilhares na passada semana, tendo já sido substituído por Ernesto Faria, que se estreou na visita ao terreno do Leça do Balio com uma derrota por 4-3. 
Na altura da saída o técnico remeteu mais para a frente os motivos que o levaram a tomar essa decisão e, por parte do clube, o presidente Rui Silva afirmou tratarem-se motivos do foro interno. 
Agora, António Pereira explica em primeira mão ao 'A Bola é Redonda' os motivos que o levaram a deixar o comando técnico das 'raposas', numa altura em que liderava a Série 1 da 1ª Distrital com mais nove pontos que o segundo classificado. Rui Silva, presidente do clube, é o principal visado nas palavras do técnico gaiense, numa polémica que promete continuar por mais algum tempo.

António Pereira (ao centro) abriu o lívro sobre a sua saída do Gulpilhares
e Rui Silva é a personagem principal

A Bola é Redonda (ABR) - Mister o que motivou a sua saída do Gulpilhares, uma vez que ia em primeiro e com larga vantagem para os adversários mais directos?

António Pereira (AP) - O motivo da saída deve-se essencialmente ás faltas de condições humanas por parte do Presidente do clube. A paixão e o respeito que temos pelo futebol não pactua com atitudes menos correctas, mormente ao nível da educação, respeito, dignidade, verdade e consideração que sentimos, nós e atletas, por parte desse senhor. O copo transbordou na jornada caseira com o Mocidade Sangemil, quando fomos tratados como autênticos bonecos, presenciado por atletas e directores do clube. Assim sendo, não tínhamos mais condições de continuar o excelente trabalho, reconhecido por todos os adversários, sócios e adeptos do clube, que vínhamos a efectuar desde o dia 25 de Agosto de 2014, aquando do inicio da época. Aos  olhos de algumas pessoas poderá parecer estranho este bater de porta por parte da equipa técnica, isto atendendo á excelente campanha que estávamos a fazer, senão vejamos: Reestruturamos o plantel com atletas de enorme qualidade desportiva, aliada a uma grande ambição, carácter como homens, bases fundamentais para atacarmos a subida de divisão, objectivo proposto pelo Presidente do Gulpilhares e tudo isto, reduzindo significativamente o orçamento do clube em relação a anos anteriores.

ABR - Como programaram a época com essa redução orçamental?

AP - Iniciamos um trabalho exaustivo de scouting relativamente ás equipas que iríamos defrontar e traçamos um plano de trabalho que nos iria levar á subida de divisão. Este trabalho efectuado foi coroado com a excelente campanha que vínhamos a fazer, nomeadamente desde a primeira jornada até á nossa saída pela 20ª jornada: Primeiro classificado com diferença pontual média da ordem dos nove pontos para o segundo classificado, melhor ataque, melhor defesa, isto em termos colectivos porque em termos individuais também liderávamos com os nossos atletas. Tudo isto aliado a uma excelente campanha na taça Brali, com apuramento 100% vitorioso, sucumbindo apenas em Baião, nas grandes penalidades, onde saímos de cabeça erguida e parabenizados por todos os atletas, treinadores, directores e adeptos da equipa de Baião.

ABR - Mas então...

AP - Então nem tudo foi pacifico. Isto porque o Presidente começou a querer protagonismo, com base no quero, posso e mando, bem como 'não é como vocês querem, é como tem de ser'. Desde corte de ordenados por faltas justificadas por lesão ao serviço do clube, corte de prémios assumidos, organização e logística na saída para os jogos, má educação no trato com os atletas, etc. Em que a situação mais grave foi na 11ª jornada, em Pedroso, onde perdemos pela primeira vez, e em que este senhor, no final do jogo, entra no balneário maltratando tudo e todos, dando pontapés no que aparecia pela frente, como material do clube, ameaçando - e cumpriu - que não haveria prémio no jogo seguinte.
A equipa técnica, a partir daqui, para além do trabalho desportivo teve um acréscimo de trabalho no capitulo psicológico dos atletas, no sentido de dar continuidade a este trajecto. Era constante o mal-estar patente e presenciado sempre pelos excelentes directores do futebol, o Paulo Barbedo e o Fernando Santos, que nos pediam paciência e que continuássemos da mesma forma. Assim fizemos até á 20ª jornada, em que este senhor nos faltou ao respeito, sem educação e consideração. Posto isto estava colocado o ponto final nesta relação.


ABR - Existia algum tipo de desavença com a Direcção do clube?

AP - Com a direcção não havia qualquer tipo de desavença, aliás, eu e os meus adjuntos, o Nuno Soutelo e o Pedro Vilas Boas, sempre fomos acarinhados e incentivados pelos directores de todas as camadas a prosseguir com este projecto. Agora, com esse senhor, é impossível. Note-se que não é de agora mas sim de há uns anos a esta parte. Eu recordo Alfredo Mendes, Alexandre Coutinho, do qual fui adjunto e em que subimos á Divisão de Honra, José Manuel Ribeiro e agora nós, em que sempre patenteamos qualidade de trabalho, mas esse senhor nunca. Todos saímos pelas condições humanas desse senhor.


ABR - Mas é só no futebol sénior que isto se verifica?

AP - Não, de maneira nenhuma. Ainda recentemente fez bandeira que o futuro passa pela formação mas os actos e as atitudes não o demonstram, senão vejamos: Em 90% das camadas jovens, os treinadores foram embora por não terem condições humanas de trabalho por parte do presidente. Isto agregado a pais dos atletas descontentes, o trato humano com os atletas, directores que se demitem, etc. Formação que estava a dar frutos, pelo excelente trabalho efectuado pelo coordenador do futebol formação, em que é constantemente desautorizado e em que lhe corta o projecto top e perfeito a que deu inicio.


ABR - Saíram então com alguma mágoa?

AP- É um misto de mágoa e alivio. Mágoa porque deixamos um balneário forte, unido e coeso, como uma família do qual tivemos toda a responsabilidade de o formar. Mágoa, porque não conseguimos dar seguimento ao alavancar do Gulpilhares, e da sua freguesia que tudo faz pelo seu clube representativo, para patamares mais elevados. Mágoa, porque deixamos amigos, sócios, adeptos e simpatizantes do clube, que sempre nos acarinharam e incentivaram para engrandecer o Gulpilhares. Mas um elevado alívio quando sabemos que não temos que lidar com faltas de respeito, educação e saber estar, somado a uma grande dose de falsidade, hipocrisia, conflituosidade, etc, por parte desse senhor pseudopresidente.


ABR - Mas sai também, concerteza, agradecido...

AP - Concerteza que sim. A todos os directores do clube, sócios e adeptos, aos excelentes homens e atletas que tive o privilégio de liderar e, mesmo apesar de saber o que sentem, sei que tudo vão fazer para que sejam como já o são, uns verdadeiros Campeões. Por último aos meus adjuntos, verdadeiros amigos e companheiros, que ajudaram e partilharam comigo, bem como os atletas, uma fase menos positiva na minha vida pessoal. Com sentimento de pena de não lhes poder proporcionar, neste primeiro ano como treinadores, a alegria de levar a bom final esta época, mas com a certeza de que o futuro será risonho para nós, pautando sempre pelos nossos princípios dos quais não abdicamos nunca.

14 de junho de 2013

Entrevista Com - Milton Ribeiro (Treinador do Gondim)

Milton Ribeiro é o técnico convidado do Entrevista Com. Depois de subir o Progresso à 1ª Distrital, o técnico acabou por não acompanhar a equipa e assumiu mais um projecto aliciante, no Gondim-Maia. A turma maiata acabou promovida de forma administrativa à 1ª Distrital e depois de uma época brilhante, apesar de nova subida administrativa, o Gondim ascende pela primeira vez à Divisão de Honra da AF Porto. Apesar de ser de forma administrativa, foi preciso conquistar um lugar que possibilitasse essa situação, mas nem por isso, o quarto lugar deixou de ser surpresa para o técnico, que sempre acreditou no grupo, mesmo quando tinha as bancadas vazias. Com o passar do tempo foram-se enchendo até festejarem todos em conjunto, um objectivo que não era o inicial. 
Para ler com atenção mais um exclusivo do A Bola é Redonda.

Gondim-Maia chegou em dois anos à Divisão de Honra da AF Porto


A Bola é Redonda (ABR) - Milton Ribeiro, chegou ao Gondim no início da época pensando que iria disputar a 2ª Distrital. Como recebeu a notícia de que jogariam na 1ª Distrital?

Milton Ribeiro (MR) - Efectivamente quando fui convidado para treinar o Gondim em meados de Junho, aquilo que me foi dito pelo Presidente Mário Freitas, foi que a equipa iria disputar a 2ª Distrital, no entanto ainda haveria a possibilidade de disputarmos a 1ª Distrital, visto que a subida do Pedras Rubras à 3ª Nacional, para ocupar a vaga deixada por uma desistência, levaria o Perosinho a subir à Honra e o Gondim a subir da 2ª para a 1ª. No entanto apenas tivemos a confirmação já perto do inicio de Agosto, altura em que iríamos começar a pré-época. Foi com muito agrado que recebemos esta noticia, sabendo que teríamos de fazer alguns ajustes e que teríamos de trabalhar de forma diferente para que a adaptação fosse rápida e com resultados, visto que a 1ª divisão é muito diferente da 2ª! Senti-me preparado e sem qualquer receio. Acreditando no meu trabalho e ciente que se os jogadores fizessem aquilo que lhes seria pedido que poderíamos ser bem sucedidos.


ABR - Foi de alguma forma difícil preparar a equipa para este escalão?

MR - Os jogadores foram contratados para disputar a 2ª divisão, mas como havia a possibilidade de disputarmos a 1ª, tive o cuidado de escolher jogadores que me dessem garantias que, se fosse para jogar na 2ª iríamos lutar para sermos campeões, mas se caso acontecesse, o que acabou por acontecer, a promoção administrativa à 1ª divisão, podermos fazer um campeonato tranquilo. A equipa que começou foi aquela que tínhamos pensado para a segunda e, apenas na reabertura das inscrições, é que reforçamos a equipa nos pontos que achamos que estaríamos mais debilitados ou com algumas lacunas. Não sendo dissociável a média de idades do plantel, que se centra nos 21 anos, sendo que apenas seis dos 23 jogadores que compõem o grupo têm experiência de 1ª divisão. Quanto à preparação técnico-táctica para este escalão as coisas também eram diferentes, porque a 2ª disputa-se mais na base da força, sem desprimor para quem a disputa. Já nesta divisão os jogos têm mais qualidade, tenta-se praticar melhor futebol. A dificuldade existiu, mas com todos os intervenientes a tentarem dar o seu melhor, as dificuldades foram sendo ultrapassadas.


ABR - Para uma equipa recém-chegada da 2ª Distrital, acabar em quarto lugar deixa-o surpreendido?

MR - Sei que vai parecer um cliché aquilo que vou dizer, mas sinceramente o quarto lugar não me deixa nada surpreendido. A nossa série foi muito competitiva, as equipas andaram sempre muito juntas até ao ultimo terço do campeonato, apenas aí é que começou a existir alguma clivagem entre a primeira metade da tabela e a segunda. O plantel foi todo escolhido por mim, desde os jogadores que se mantiveram em Gondim, assim como todos aqueles que vieram antes e depois do campeonato começar, logo eu sabia aquilo que tinha em mãos, ou melhor, aquilo que tenho em mãos. Assim sendo, sabia também como retirar o máximo de cada jogador. Nem tudo correu como esperávamos, houve jogadores que não renderam aquilo que estávamos à espera, mas a grosso modo todos conseguiram dar o seu contributo para que este quarto lugar fosse possível, sendo que acabamos a época apenas com dois jogadores a não terem sido utilizados como titulares, já que todos os outros tiveram a sua oportunidade de jogar na equipa inicial. A direcção pediu-nos a manutenção folgada, objectivo que conseguimos atingir a 10 jornadas do final da prova. Devido ao facto de termos andado a maior parte do campeonato dentro dos cinco primeiros lugares, entendemos que devíamos querer algo mais e, juntamente com a equipa, decidimos colocar um objectivo a nós próprios e decidimos que apontaríamos a luta pelos primeiros lugares. Sabíamos que teríamos dificuldades, primeiro pela falta de experiência da quase totalidade do plantel na 1ª divisão e, mais ainda, pela falta de experiência de lutarem para subir de divisão neste escalão. É certo que houve jogos onde se notou esse handicap, assim como houve muita desconfiança por parte de adeptos do nosso clube e de outros, e também de alguns elementos de dentro do próprio clube, em relação à capacidade da equipa se manter na frente até ao final. Fomos a segunda melhor defesa, o quarto melhor ataque, a equipa que teve mais jogos consecutivos sem perder e a equipa com mais goleadas dadas. Mas conseguimos e a trabalhar da maneira que trabalhamos, sinceramente não me deixa surpreendido.


ABR - Ao abrigo da reformulação dos quadros competitivos da AF Porto, o Gondim acabou por ser promovido à Divisão de Honra. Como foi que recebeu esta notícia?

MR - De forma tranquila, sendo que foi uma noticia que nos deixou muito contentes. Ainda antes do inicio do campeonato fomos sendo informados, até por elementos de dentro da AF Porto, que a manutenção nos cinco primeiros lugares nos poderia dar a subida de divisão. Assim sendo, e como andamos a maior parte da época dentro dos primeiros cinco classificados, fomos acreditando que era possível conseguir a tal subida de divisão. Depois com as constantes mudanças de informação, centra-mo-nos no terceiro lugar, visto que esse daria subida directa, sem termos de andar a pensar nas alterações que pudessem surgir. Partimos para o último jogo a não depender apenas de nós, fizemos o nosso trabalho, vencemos, mas o Maia, a quem aproveito para endereçar os parabéns pela conquista da série e do campeonato, conseguiu vencer e assim passar de quarto para primeiro relegando-nos para fora do tal lugar que queríamos. Depois veio a informação que teríamos de disputar o jogo com o Foz (4º da Serie 1) e que em caso de vitoria nos daria a subida, mas com as alterações efectuadas na Assembleia Geral de 31/05, soubemos que subiríamos mesmo sem ter de vencer esse jogo. No entanto mentalizei os jogadores que a subida já estava conquistada, mas que teríamos de vencer para dignificar a camisola e podermos festejar a subida. Isso aconteceu, vencemos por 2-1 e assim podemos dar asas aos festejos que duraram até altas horas.


Milton Ribeiro irá continuar a
treinar o clube maiato
ABR - Qual será o seu futuro no Gondim. Vai continuar a treinar a equipa na próxima temporada?

MR - Sim, irei continuar a ser o treinador do Gondim na próxima temporada. A continuidade no comando técnico da equipa foi acertada na passada segunda-feira, numa reunião que durou pouco tempo, visto que as ideias, quer da direcção, quer da equipa técnica por mim liderada, são convergentes naquilo que ao futuro do clube diz respeito. Assim sendo, estamos já a preparar a próxima época sabendo que será um campeonato diferente daquele que disputamos este ano, mas com a noção que temos todas as condições para conseguir desempenhar um bom trabalho. Aproveito para agradecer a confiança reiterada pela direcção na pessoa do Presidente Mário Freitas e como é apanágio da minha parte, tudo farei para continuar a corresponder e conseguir ajudar a que a ARDC Gondim-Maia continue a crescer.


ABR-  Quais são as expectativas do clube para a Divisão de Honra, uma divisão bastante competitiva?

MR - A Divisão de Honra é, como o nome indica, uma Honra. Acredito que a divisão irá ser muito competitiva devido, primeiro, à qualidade dos clubes que a compõem, segundo, pela quantidade de dérbis que acontecerão e, terceiro, pela vontade que todas as equipas têm em se afirmar. As expectativas do clube são as melhores possíveis.


ABR - Poderemos ter uma nova surpresa proporcionada pelo Gondim na próxima temporada?

MR - Aquilo que posso garantir é que a equipa será preparada para proporcionar bons espectáculos de futebol e vencer o maior numero de jogos possível. Todas as épocas são diferentes, o Gondim está nesta divisão pela primeira vez e como é óbvio, o principal objectivo passará por conseguir a manutenção o mais rapidamente possível. Só depois disso pensaremos em algo mais. Não posso prometer a subida de divisão, mas posso garantir que trabalharemos para que isso possa ser possível, entrando em campo apenas com um pensamento, a vitoria, sem com isto estar aqui a dizer que vamos proporcionar uma surpresa ou não. Estamos a montar uma equipa competitiva, mantendo a base da época passada e acrescentando qualidade e competitividade à mesma, desta forma pretendemos ter uma equipa que possa entrar em campo, domingo a domingo e dar-nos aquilo que pretendemos que são os três pontos.


Milton Ribeiro não esquece
a equipa tecnica no momento
dos agradecimentos
ABR - Mister, deixe uma mensagem aos adeptos do Gondim e também aos leitores do blog.

MR - Em primeiro lugar quero agradecer ao A BOLA É REDONDA, por se lembrar dos treinadores de clubes das distritais da AF Porto e por nos dar a palavra para falarmos sobre aquilo que realmente gostamos.
Em segundo lugar quero agradecer aos leitores do blog o facto de o lerem, porque assim fazem com que ele se mantenha no ar e que possamos estar sempre actualizados em relação aos campeonatos onde estão presentes equipas do concelho de Gaia, mas não só. Dizer-lhes ainda que este desporto é fantástico e que todos podemos contribuir para que ele seja ainda melhor.
Em terceiro lugar quero agradecer à minha equipa técnica, ao meu adjunto Tiago Margarido, ao meu treinador de guarda-redes Tiago Brito, ao nosso scout Jorge Margarido e ao meu grande amigo José Leitão, pelo trabalho que têm desempenhado com seriedade, honestidade, empenho e com muito amor à modalidade. O sucesso é em grande parte vosso.
Em quarto lugar quero agradecer a todos os meus jogadores, que fizeram com que aquilo que eu idealizei fosse transportado para dentro do campo e assim conseguirmos criar este cenário. O sucesso é deles porque acreditaram nos métodos de treino, no modelo e estratégia de jogo e tentaram cumprir sempre os pressupostos que pensamos para a equipa.
Em ultimo lugar, mas não menos importante, para os adeptos do Gondim. Começamos a época com poucas pessoas nos jogo em casa, com muito poucas no jogos fora, mas com o decorrer do tempo fizemos com que vocês acreditassem nesta equipa, naquilo que nós podíamos fazer, mesmo sabendo que muitos dos que estavam na bancada preocupam-se mais em criticar do que em apoiar. No entanto crescemos com todos, aprendemos com todos e, também, por esses motivos estamos como estamos. No ultimo jogo da época tínhamos a bancada cheia, os aplausos que ouvimos foram muito bem recebidos e fizeram-nos trabalhar ainda mais. Só temos a agradecer, sem personalizar ninguém, todas as criticas, todas as vaias, todos os aplausos, todas as vezes que gritaram golo. Mais uma vez muito obrigado e espero que tenham orgulho no que esta equipa fez esta época, também vencemos por vós.

11 de junho de 2013

Entrevista Com - Paulo Alexandre (Treinador do Valadares)

Paulo Alexandre, treinador do Valadares, é o convidado do 'Entrevista Com' desta semana.
Com um início de carreira como técnico principal carregado de sucesso, Paulo Alexandre conta já com duas subidas de divisão, um título de Campeão Distrital e já pôde, ainda que numa partida amigável, defrontar o Tri-Campeão Nacional, o FC Porto. E tudo isto em apenas duas épocas. Com um currículo já invejável, o jovem treinador do Valadares ameaça tornar-se num caso sério de sucesso no mundo futebolistico e, quem sabe, poderá vir a conseguir atingir um dos seus objectivos pessoais. Qual é? Tem que ler este exclusivo até ao fim e ficará a saber!. 

Paulo Alexandre (esq.) conta já com um curriculo invejável


A Bola é Redonda (ABR) - Paulo Alexandre, fazendo uma retrospectiva da sua carreira como treinador principal, há duas épocas atrás, quando assumiu o Valadares, alguma vez pensou que passados dois anos estaria na Divisão de Honra da AF Porto?

Paulo Alexandre (PA) - Sinceramente não, apesar que no primeiro ano o objectivo foi a subida, mas sempre pensei que era possível e os meus atletas sabem bem do que falo.


ABR - Logo na sua época de estreia foi Campeão Distrital. Como viveu esse momento?

PA - Foi uma mistura de sentimentos, pelo campeonato que realizamos e pela forma como conseguimos ganhar a final nas grandes penalidades, um momento que jamais esquecerei, mas só possível com o grande grupo de atletas, estrutura directiva e meus adjuntos, Manuel e Mesquita.


ABR - Esta época, o Valadares foi um adversário a ter em conta. A subida à Divisão de Honra era o objectivo?

PA - O objectivo inicial era ficar entre os cinco primeiros. A partir do momento em que conseguimos alcançar o terceiro lugar, que na outra época deu subida, acreditamos e conseguimos independentemente de haver alargamento ou não, já que na época passada o Perosinho e Ermesinde tinham subido em terceiros em ambas séries.


ABR - Em casa, o Valadares é dos adversários mais difíceis de bater. Em 26 partidas apenas perdeu por duas vezes, isto contabilizando também a época 2011/12. Qual é a receita?

PA - A qualidade dos atletas, o trabalho semanal sério e uma estrutura que tudo faz para que nada nos falte. Mas também fomos fortes fora nas duas épocas, perdemos seis jogos em 26. Acima de tudo somos um grupo de princípios.


ABR - A invencibilidade foi quebrada pelo São Félix em Dezembro de 2012. Mais tarde, o Gulpilhares também venceu no Complexo Desportivo de Valadares. Eram equipas de 'outro campeonato'?

PA - Eram equipas que tinham objectivos iniciais diferentes do nosso, apesar de nunca assumirem. Também demonstraram ter mais experiência e foram mais regulares, o que fez com que fossem uns justos vencedores.


ABR - Como todos sabem, o Valadares-Gaia é um clube com apenas dois anos de vida. No entanto, no futebol masculino já subiu em dois anos consecutivos e no futebol feminino, subiu à 1ª Divisão no ano de estreia e chegou à final da Taça de Portugal, onde perdeu com o Boavista. Qual é a receita do clube para tanto sucesso no imediato?

PA - A grande qualidade colectiva de ambos os escalões, ter um presidente organizado e acompanhado de uma estrutura que gosta do que faz e, apesar do amadorismo, são grandes profissionais no que fazem para que nada falta.


ABR - Paulo, na próxima época vai continuar no Valadares?

PA - Vou


ABR - Quais serão os objectivos para a Divisão de Honra, um campeonato ainda mais exigente que o da 1ª Distrital?

PA - Sempre gostei de partir por etapas. Primeiro, quero garantir a manutenção e depois então partir para outra etapa até conseguirmos o nosso objectivo, que muitas vezes muda consoante o desenrolar do campeonato. Agora, o que posso dizer é que, novamente, vamos ter uma equipa competitiva e com muita vontade de vencer.


ABR - O ano passado, na pré-época, o Valadares defrontou o FC Porto, numa partida de campeões e bateu-se bem. Que ensinamentos retirou desse encontro?

PA - Que a parte psicologia por vezes supera a física.


ABR - Como foi defrontar um clube onde jogam, provavelmente, muitos dos ídolos dos jogadores do Valadares e do próprio treinador?

PA - Foi magnifico, não há muitas oportunidades como essa. O importante é que os atletas souberam desfrutar do momento e que ninguém se aleijou.


ABR - Falou com Vítor Pereira? Que lhe disse o treinador o FC Porto?

PA - Falei e fiquei impressionado com a humildade dele, pediu para falar ao nosso grupo e deu os parabéns pela organização colectiva do grupo de trabalho.


ABR - Este ano, para a Divisão de Honra, irá novamente buscar inspiração ao Olival?

PA - Não sei, mas gostava.


ABR - Quais são os seus objectivos para o futuro, tendo em conta que está a ter um início de carreira bastante auspicioso?

PA - Acima de tudo viver o presente, ser feliz a fazer o que gosto e conseguir superar novas etapas que me levem a atingir novos objectivos. Quanto ao futuro, gostava de poder ser profissional como técnico mas tenho os pés bem assentes no chão.


ABR - Poderemos ter nova surpresa proporcionada pelo Valadares na próxima época?

PA - Temos que continuar a trabalhar sério. Os nossos adversários vão olhar para nós com mais respeito e penso que o que possa acontecer no futuro já não será surpresa. Gosto de preparar os meus grupos para serem vencedores mas também estarmos preparados, por vezes, para fases menos boas e não tremer.

ABR - Paulo, para terminar, gostaria que deixasse uma mensagem aos adeptos do Valadares e também aos leitores do blog.

PA - Agradecer a toda a massa associativa e adepta de nosso clube, por sempre nós terem apoiado e me fazerem crescer como técnico com sua exigência.
Um abraço a todos os leitores do blog, em especial ao Johnny pelo trabalho realizado e por nos dar maior visibilidade através do seu blog. Obrigado.

7 de junho de 2013

Entrevista com - Sérgio Espírito Santo (Treinador do São Pedro da Cova)

Sérgio Espírito Santo foi o treinador convidado para a rubrica 'Entrevista Com', um exclusivo do A Bola é Redonda. Ao serviço do São Pedro da Cova, o jovem técnico conseguiu que a equipa se apurasse para a Divisão d'Elite Pro Nacional na próxima temporada. Numa época onde aconteceu de tudo, terminar na quinta posição foi uma tarefa só ao alcance dos melhores e ao longo desta entrevista, que terá algumas respostas mais longas, mas que se justifica com a necessidade de se perceber a realidade do futebol distrital no seu mais puro estado, o técnico irá explicar tudo.
Não deixe de ler mais uma excelente entrevista em mais um exclusivo do A Bola é Redonda.

Plantel do São Pedro da Cova que iniciou a época 2012/13

A Bola é Redonda (ABR) - Mister, gostava que me fizesse um balanço da época do São Pedro da Cova.

Sérgio Espírito Santo (SES) - O balanço da época não podia ser mais positivo. Foi-me pedido pela direcção a manutenção o mais depressa possível, para evitar os sobressaltos dos finais de época, o que veio a acontecer. A subida à divisão d'Elite Pro Nacional foi a cereja no topo do bolo.


ABR - Sei que houve muitas dificuldades durante a época, mas ainda assim a equipa andou nos lugares do cimo da tabela. Como foi possível?

SES - Em poucas palavras não consigo passar as dificuldades todas da época. Sendo assim passo só a descrever algumas delas. A época não foi bem estruturada desde o inicio, nem a nível directivo nem na formação do plantel. Já que com os problemas financeiros que esta direcção herdou, os subsídios disponíveis obrigaram-me a ter que formar o plantel com os jogadores da época transacta e procurar que os novos atletas fossem de perto, para evitar despesas aos mesmos. Fizemos captações de ex-juniores de outros clubes, contratamos atletas sem conhecimento do valor destes, mas sim por referências de colegas. Ficamos mesmo no plantel com atletas que já estavam parados a algum tempo. 
Durante a época tivemos vários problemas desde o balneário que era os atletas da casa e os outros de fora. Atletas que nem sempre treinavam com o grupo por motivos profissionais. Um atleta que se ausentou durante três semanas para jogar futebol de rua pela selecção Portuguesa. Dispensas de atletas por falta de regras ou responsabilidade. Atletas que por falta de cumprimento deixaram o clube em várias alturas da época. Jogadores que, à falta de cumprimento do subsidio no dia estipulado, já não treinavam. Falta de luz durante a semana para treinar. Os últimos três meses treinamos em média com 10 jogadores mais alguns que treinavam para manter a forma, inclusive, jogamos com atletas que não treinavam, ora por motivos profissionais ora por falta de respeito com colegas. Jogadores da formação que, ora treinavam e logo de seguida desapareciam. Mais teria a dizer, mas são muitas as historias que fico-me por aqui.
Esta classificação só foi possível graças ao valor dos atletas, que quer se queira quer não, o treinador não faz milagres se não existir valor nos atletas. O treinador não ensina mas sim melhora as potencialidades do atleta. A um grupo restrito de jogadores, que foram uns heróis, na qualidade quer humana quer futebolística, mas acima de tudo e com tantos problemas na assiduidade. Este grupo de cerca de 12 atletas estiveram sempre presentes, mesmo nas dificuldades. Ao trabalho da equipa técnica que com muita, mas muita paciência, teve que fechar os olhos a tantos obstáculos que fomos encontrando durante a época, para que o objectivo pessoal da subida ao escalão superior fosse possível. Não deixo de dar valor à direcção por tentar com todas estas dificuldades que encontraram, enfrentarem esta época desportiva. Para eles esta subida também é um prémio merecido. Como dizia várias vezes em conversa com o meu  adjunto, colaborador, observador, conselheiro, amigo e solidário Paiva, como é possível nós a tentarmos trabalhar bem e a treinarmos mal, temos estes resultados. Imagine-se se trabalhássemos bem. Deixo esta mensagem no ar...


ABR - Depois de uma época desgastante, o São Pedro da Cova consegue a promoção à Divisão d'Elite Pro Nacional. Que comentário lhe merece essa promoção?

SES - O comentário que posso fazer é que não chega ter grandes orçamentos, muitos e grandes jogadores, ou jogadores experientes. O que me deixa orgulhoso nesta subida, e já vão três em cerca de 6 anos como treinador principal, é que com um plantel tão curto em quantidade e qualidade, com uma média de idades a rondar os 22 anos, com jogadores a fazer a primeira e segunda época de seniores e logo nesta divisão, subir é gratificante. Ao longo das semanas passei sempre a mensagem que se formos organizados, disciplinados, solidários e, acima de tudo, ambiciosos a subida era possível. Lutamos contra grandes equipas, com orçamentos elevadíssimos mas, no fim, a subida foi nossa e num honroso quinto lugar.


ABR - Porem, essa promoção chegou a estar em risco devido às alterações que a AF Porto quis fazer depois do final do campeonato. Como viu essa situação?

SES - Isso só foi possível porque o jogo de interesses da Associação, e determinados clubes, vem sempre ao de cima. O regulamento da competição é estipulado no inicio e não no fim dos campeonatos. Se havia determinadas vagas para preencher com as equipas da divisão de honra é assim que devia ficar. Todas as equipas, e nós não fugimos à regra, foram efectuando os jogos a controlar a pontuação. Posso dizer que eu, com a falta de recursos humanos, jogava para os pontos e consequente classificação. Não tinha armas para atacar ao menos defendia-me. Por isso só me deu motivo de riso ver que no futebol tudo é possível.

Festa da subida pelo Sousense, depois de vencer a Divisão de Honra da AF Porto

ABR - Acha que o alargamento para 22 clubes foi a decisão mais acertada?

SES - Por muito que goste do futebol e de competição, não concordo e acho que não foi a decisão mais acertada. 


ABR - A próxima temporada será ainda mais desgastante do que esta, visto que a Divisão d'Elite ao ter 22 clubes, isso traduz-se em 42 jornadas. Acha que um campeonato distrital pode comportar tantos jogo?

SES - Na minha opinião, a Divisão de Honra deveria só ter 18 equipas. Justifico com o facto de 42 jornadas mais a Taça de Portugal, passarem a ser muitos jogos para um atleta/trabalhador/estudante.Tal como vai obrigar os clubes a aumentar as suas despesas na construção do plantel em quantidade para enfrentar a desgastante época desportiva.


ABR - Mister, sei que não vai continuar no São Pedro da Cova. Que motivos o levam a deixar o clube?

SES - No final de época, com o desgaste da mesma e com todos os problemas que dela surgiram, a probabilidade de continuar era muito reduzida. Os motivos para não continuar no clube eram e são alguns que descrevo e outros que não referenciei. De qualquer forma, como se diz no futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira. Reflecti e ainda existe a possibilidade de continuar no clube. Para isso está marcada uma reunião com o Presidente para abordarmos a próxima época.


ABR - Já tem algum projecto em vista ou o telefone ainda não tocou?

SES - Até agora só me foi apresentada uma possibilidade para um novo projecto mas não veio a concretizar-se. Quando me coloca a questão se o telefone ainda não tocou, eu questiono-me.
Para quem tem poucos anos de treinador, já tem três subidas de divisão, inclusive campeão da Divisão de h
Honra, uma presença na 3ª Divisão Nacional, ficando na fase de subida. Na Divisão de Honra conquistei sempre um lugar nos cinco primeiros classificados. Abaixo desse lugar só a época passada na 1ª Distrital, no Leverense, em que alcançamos o 10º lugar. Eu pergunto a mim mesmo, "não merecia ser contactado?" Mas infelizmente isso não tem acontecido, com pena minha. Se calhar o telefone não toca, porque eu tenho um grande defeito comigo mesmo. Até à data de hoje nunca liguei para os presidentes, directores a oferecer-me, por isso é que o telefone não deve tocar.


Sérgio Espírito Santo já subiu por três vezes
nos últimos seis anos
ABR - O que espera que o clube faça na próxima temporada, num campeonato muito competitivo como será a Divisão d'Elite?

SES - O que espero que o clube faça na próxima época é que tenha mais estabilidade, quer financeira quer a nível de recursos humanos. O campeonato vai ser difícil, o que obrigará o clube a estruturar-se bem para poder fazer um bom campeonato. esse é o meu desejo.


ABR - Por último, gostaria que deixasse algumas palavras aos adeptos do São Pedro da Cova e aos leitores do blog.

SES - Ao leitores do Blog: Quero deixar uma palavra de apreço a todos os leitores sem excepção por acompanharem o mesmo. Sem vocês os nossos comentários e opiniões não faziam sentido. O futebol com menos dimensão jornalística é passado aqui pelo amigo Johnny Lino de uma forma esclarecida. A todos um bem haja. Aos sócios do São Pedro da Cova, que são adeptos fervorosos, quero dizer que nem sempre apoiaram estes jovens atletas como eles mereciam.Com o apoio de todos os sócios e simpatizantes, esquecendo o passado e colaborando no presente e futuro, o São Pedro da Cova pode e deve voltar a ser credível e uma referência de clube da Associação de Futebol do Porto. Ao meu caro amigo Johnny Lino, tenho a agradecer todo o seu trabalho em prol do futebol distrital, onde estou mais inserido. Agradecer a possibilidade de poder descrever o meu trabalho, as minhas opiniões e mostrar que nos escalões inferiores também é possível trabalhar bem. É com enorme prazer que  ouço/leio os seus comentários.

A administração do A Bola é Redonda, na pessoa do seu fundador, agradece a disponibilidade a Sérgio Espírito Santo para responder a este questionário.

28 de maio de 2013

Entrevista com - Fernando Mendes (Treinador do Ataense)

O Ataense começou bem a época na Série 2 da 1ª Distrital e nas primeiras dez jornadas, estava nos lugares cimeiros da classificação, lutando com o Pedrouços pelo primeiro lugar. Contudo, após a desitência do Leões Seroa, a formação gondomarense caiu de rendimento e nunca mais se encontrou. Apontado como um dos principais candidatos à subida, o Ataense terminou o campeonato na 12ª posição, a 19 pontos do primeiro lugar e 18 do segundo.
Fernando Mendes, treinador da formação gondomarense, abordou a época e explica o que correu mal, garantindo a continuidade à frente do comando técnico da equipa, com poderes reforçados.
Mais um exclusivo do 'A Bola é Redonda' a não perder!

O Ataense não conseguiu melhor que o 12º lugar no final do campeonato

A Bola é Redonda (ABR) - Mister, o Ataense falhou a subida de divisão esta época. Era esse o objectivo da equipa ou não pensaram nisso?

Fernando Mendes (FM) - O objectivo para esta época era como sempre tentar fazer o melhor, conscientes que estavamos das dificuldades que iríamos encontrar mas, nunca em momento algum, nos assumimos como candidatos a subir de divisão, mas sim de sermos rigorosos e competitivos.


ABR - Depois de um bom início de época, onde chegou a ocupar os lugares cimeiros, a partir da 10ª jornada o Ataense só conseguiu vencer quatro vezes. O que correu mal?

FM - É verdade que começamos muito bem. Nas primeiras 10 jornadas obtivemos seis vitórias, três empates e uma derrota, mas este facto fez com que começassem a olhar para nós de uma outra forma e travaram a nossa caminhada. Mas isso já pertence ao passado. 


ABR - Quais foram as maiores dificuldades com que se deparou esta temporada?

FM - As maiores dificuldades têm a ver como o facto de não termos um espaço próprio para treinar e jogar, o que nos leva a andar sempre com a casa as costas. No entanto a saída do Gui e a lesão do Cafú provocaram alguma turbulência na grupo.


ABR - A desistência do Leões Seroa veio mexer e muito com a classificação. Como viu essa situação?

FM - Este caso interferiu muito na classificação, até porque alterou, e de que maneira, a tabela classificativa, prejudicando o nosso desempenho pois perdemos os três pontos obtidos no confronto directo, abanando o grupo com isso e, dando alento a outros clubes que nada tinham feito, mas assim conseguiram chegar ao pelotão da frente. Acho até que este é o momento mais negativo de toda a temporada. Casos como este deviam ter uma punição severa.


ABR - Mister, como será o seu futuro. Vai continuar a treinar o Ataense na próxima época?

FM - A direcção do Ataense tem depositado em mim muita confiança. Tenho feito tudo para a merecer e vou iniciar a quarta época ao serviço deste clube, com mais responsabilidades ainda, em virtude de ter aceite o convite para fazer a coordenação de todo o futebol.


ABR - Deixe uma mensagem aos adeptos do Ataense e aos leitores do blog.

FM - A todos sem excepção desejo umas boas férias, continuem a gostar do futebol distrital e façam o favor de serem felizes.

30 de abril de 2013

Entrevista Com - Vítor Fonseca (Lusitânia de Lourosa)

Vítor Fonseca, centrocampista do Lusitânia de Lourosa, equipa que disputa os distritais da AF Aveiro e que está muito perto do regresso à ribalta com a subida ao Campeonato Nacional de Seniores, numa luta a dois com a Sanjoanense, outro histórico aveirense, falou ao A Bola é Redonda sobre a época do conjunto orientado por Martelinho, antiga glória do Boavista. O jogador abordou o momento do Lourosa no Campeonato e na Taça da AF Aveiro bem como as esperanças que ainda tem para o seu futuro. Pelo meio abordou os momentos distintos de Canidelo, Candal e Coimbrões, os três clubes que Vítor Fonseca já representou. 
Uma entrevista a não perder, em mais um exclusivo do A Bola é Redonda.


Vitor Fonseca (em cima, ao lado do guarda-redes) é titular do Lourosa da AF Aveiro


A Bola é Redonda (ABR) - Como surgiu o convite para jogares no Lourosa depois de teres representado o Boavista?

Vítor Fonseca (VF) - O Boavista, como sabes, deixou quatro meses de ordenados por pagar. Os jogadores decidiram sair todos. Ficou só o Fary e o Pedrinho porque tinha contrato de formação. Tive dois convites de clubes da 2ª B mas não eram atraentes. Uma das equipas, no ano anterior, também ficou a dever ordenados e a outra apenas tinha como objectivo a manutenção e não me seduziu. Acabou por descer. O Lourosa surgiu pelo Martelinho. Era mister dos juniores do Boavista quando eu estava lá e ligou falando do projecto que passava pela subida. Financeiramente também era bom e decidi dar um passo atrás mas com consciência que iria ter equipa para subir e colocar o clube onde merece.


ABR - E essa subida está quase alcançada. Como vês o ambiente em redor da equipa? Esperavas todo o apoio que se tem visto?

VF - Não conhecia o clube e fiquei surpreendido com o que vi. Boas condições a nível de estrutura, uma direcção exemplar, sempre preocupada em dar as melhores condições à equipa, uma massa associativa presente e calorosa. Jogamos sempre com o estádio cheio, tanto em casa como fora, e uma equipa de nível muito superior ao distrital. Incluindo equipa técnica! Jogos com mais assistência que os do Boavista e jogadores com muita qualidade. O ambiente no balneário é muito bom. Sabemos que estamos perto da subida mas estamos serenos. Não entramos em euforia e só quando atingirmos os pontos que faltam é que festejaremos!


Vítor Fonseca já vislumbra a subida
ABR - Este ano foi uma corrida a dois na Divisão de Honra da AF Aveiro com a Sanjoanense. Em termos de qualidade a AF Aveiro é inferior à AF Porto?

VF - Penso que os dois clubes estão num patamar muito superior em relação às restantes equipas. Ainda bem que existiu a Sanjoanense, porque assim valorizou os nossos feitos. Comparativamente à AF Porto, penso que é inferior. No entanto penso que está melhor organizada que a AF Porto. Aqui, por exemplo, há uma competição de Taça que torna a época mais emotiva com mais um troféu.


ABR - Esta época já está a chegar ao fim. O teu futuro passa pelo Lourosa ou ainda não pensas nisso?

VF - Nesta fase penso apenas em ser campeão e ganhar também a Taça. Depois logo se vê. Mas sinto-me muito bem no Lourosa. Não o troco por outro da mesma divisão.


ABR - Já jogaste no Canidelo, Candal e Coimbrões.. Tens seguido as carreiras destes clubes?

VF - Tenho sim. Subi de divisão nos três e dizem-me muito. O Candal precisa de estabilidade! Quatro treinadores numa época denota problemas de organização/ambiente. Espero que assegurem a manutenção. O Canidelo, onde me formei, passa por uma fase de mudança. Está a apostar na formação e sabemos que é um risco porque a Divisão de Honra é muito competitiva. Espero que alcance também a manutenção. O Coimbrões, apesar de ser um clube consolidado, penso que este ano esteve uns furos abaixo do normal. Houve muitas mudanças na equipa e penso que faltou o entrosamento dos anos anteriores, apesar do bom começo de época que teve.


Ao serviço do Coimbrões
ABR - Esperas algum dia regressar a algum deles?

VF - Nunca sabemos o dia de amanha e o Canidelo, sendo o clube do meu coração, espero poder pelo menos acabar lá a carreira. Veremos se assim será. Ainda é cedo.


ABR - O que é que ainda esperas conseguir no futebol, sendo que já representaste um clube Campeão Nacional, como o Boavista. Onde esperas chegar?

VF -  Esta época esta a correr-me especialmente bem. Veremos o que acontece no fim. No entanto, se ficar no Lourosa, fico num grande clube e dava-me gozo lutar pela subida à 2ª Liga. Uma coisa eu sei, darei sempre o máximo pelo clube que estiver a representar.


ABR - Queres deixar uma mensagem aos adeptos do Lourosa e aos leitores do blog?

VF - Claro. Aos adeptos do Lourosa, um especial obrigado pela forma como me receberam, pelo carinho e pelo apoio incondicional à equipa. São, sem duvida, o nosso 12° jogador! Espero poder dedicar-lhes o titulo. Aos leitores do blogue, deixo um abraço e um pedido: Continuem a ler, divulgar e tornar este blogue cada vez mais conhecido. Faz um trabalho exemplar na divulgação do futebol não profissional, com muita qualidade e isenção! Deixo aqui um agradecimento ao "A Bola é Redonda" pelo excelente trabalho desenvolvido.

O A Bola é Redonda agradece publicamente as palavras de Vítor Fonseca, bem como a sua disponibilidade para esta entrevista.

31 de outubro de 2012

Entrevista com - Ricardo Alves (Perosinho)

O 'Entrevista Com' está de volta. Desta feita o blog esteve à conversa com Ricardo Alves, avançado do Perosinho e que este fim-de-semana esteve em destaque ao apontar três golos no jogo frente ao Ermesinde. Porém, a partida não correu da melhor forma, uma vez que os gaienses acabaram por perder por 3-4.
Formado nas camadas jovens do FC Porto, Ricardo Alves foi ainda internacional Sub-16 por Portugal. Terminou a sua formação no Leixões e depois os caminhos levaram-no a disputar os campeonatos distritais, tendo já passado pelo Canidelo e pelo Avintes,antes de chegar a Perosinho. Companheiro de equipa de Ivanildo (Olhanense), Vieirinha (Wolfsburgo) ou Paulo Machado (Olimpiacos), a falta de sorte levou Ricardo por caminhos opostos, mas que este está a tentar mudar com todo o seu empenho profissional.
Fique a conhecer um pouco mais sobre o 'Hulk' de Perosinho, alcunha que já lhe foi atribuída, em mais este exclusivo 'A Bola é Redonda'.

Ricardo a festejar um dos três golos apontados ao Ermesinde

A Bola é Redonda (ABR) - Ricardo, estas há três épocas no Perosinho. Fala-nos um pouco sobre a tua carreira no clube.


Ricardo Alves (RA) - O Perosinho é especial, é onde me sinto bem e tenho atingido os objectivos propostos.


ABR -  Nestas três temporadas tens-te feito notar pelos golos que marcas. Qual é a receita?

RA - Muito trabalho e dedicação.


ABR - Olhando para a tua carreira, fizeste a formação no FC Porto, cruzando-te, por exemplo, com jogadores como Vieirinha, Ivanildo, Paulo Machado, entre outros, que hoje jogam nas divisões profissionais e até no estrangeiro. Na tua opinião, o que te faltou para seguires um percurso, no mínimo, semelhante?

RA -  Mais dedicação e empenho, alguma sorte, o apoio e as criticas positivas do meu avô que deixou de acompanhar o meu desenvolvimento nos Juniores.


ABR -  Foste internacional Sub-16 por Portugal. Que memórias guardas dessa altura?

RA -  Foram os melhores momentos que passei no futebol pois trata-se do topo para qualquer jovem, e eu adormeci 'à sombra da bananeira'. As viagens, as brincadeiras, os estágios, os amigos que conheci, os sítios que visitei...


ABR -  Tens feito a tua carreira sénior praticamente nos escalões distritais. Aos 26 anos, ainda esperas chegar aos escalões Nacionais?

RA - Sim, ainda sou novo e acredito que vou chegar lá e para isso trabalho todos os dias, tanto em jogos como nos treinos, para que ainda venha a acontecer.


ABR - Há pouco falamos do Perosinho. Sei que tens uma alcunha que os adeptos te atribuíram. Queres revelar qual é e o porque?

RA - Aqui em Perosinho é por Hulk, devido ao meu poder físico e velocidade.


ABR - No último fim-de-semana estiveste novamente em destaque ao apontar três golos frente ao Ermesinde. Qual foi a sensação de fazer um hattrick?

RA - Muito boa. Há muito que não acontecia pena não ter ajudado a equipa a chegar à vitória, eles mereciam-na.


ABR - Ainda assim, o Ermesinde acabou por ganhar o jogo por 3-4. O que faltou ao Perosinho para segurar a vantagem, até porque esteve a vencer por 3-1?

RA - Faltou discernimento e experiência em momentos cruciais e, como se sabe, no futebol paga-se caro.


ABR - Qual é o jogador com que mais te identificas, na forma de ser e de estar em campo?

RA - Hulk, sem duvida, devido à minha velocidade, força física e técnica.


ABR - Por último, queria que deixasses uma palavra aos leitores do blog e também aos adeptos e jovens jogadores de futebol.

RA - Aos jovens tenho a dizer para não desistirem dos sonhos e acreditarem sempre no seu valor, já aos leitores peço que continuem a acompanhar e a ajudar este blogue, para que este ajude a divulgue o desporto regional amador e os seus intervenientes.

29 de agosto de 2012

Entrevista com - Jorge Marques (Director das Camadas Jovens do Candal)

Jorge Marques é o novo responsável por toda a estrutura do futebol jovem do Candal. O agora dirigente candalense afirma que o principal objectivo passa por devolver os juniores à 1ª Divisão. O 'A Bola é Redonda' falou em exclusivo com o agora dirigente candalense, no jantar de apresentação do plantel sénior, no passado dia 4 de Agosto, no Restaurante Alicantina, na Boavista.


Jorge Marques é o novo homem forte da formação candalense


A Bola é Redonda (ABR) - Vai desempenhar as funções de director das camadas jovens do Candal. Como surgiu a possibilidade?

Jorge Marques (JM) - Houve um convite simples, carinhoso e pelo facto de ter um filho a jogar no Candal, tive sempre um tratamento exemplar. Acabei por ter algum envolvimento na última época devido a um patrocínio através da empresa que represento e foi por ai que tudo começou. O gosto de ser ativo na questão da formação, pela qual tenho algum carinho, também contribuiu.


ABR - Quais são as linhas orientadoras para a formação?

JM - Organizar bastante para poder potenciar todos os objectivos que estão bem patentes nas camadas jovens: Alcançar o melhor, formar, e para isso é preciso ter organização forte, com pessoas responsáveis, objectivos definidos, com as pessoas em sintonia com o que se pretende.


ABR - Está é uma das equipas, senão mesmo o único clube não profissional que durante algum tempo teve as três principais camadas jovens e a equipa principal no Nacional. Que responsabilidade é que isso traz para o seu trabalho?

JM - Acresce a responsabilidade e objectivos máximos. Pensar sempre no que está acima e manter o mesmo padrão, senão potencia-lo. É uma responsabilidade, sem dúvida, importante, mas altamente motivante, pois quando se trabalha com estes requisitos é, sem dúvida nenhuma, o melhor caminho para o sucesso. Obriga-nos a ser rigorosos, exigentes, trabalhar com preocupação para se ter tudo devidamente equacionado e tratado para se conseguir o melhor. É um desafio altamente motivante.


ABR - A equipa de juniores está na 2ª Nacional. É objectivo leva-la novamente à 1ª Divisão?

JM - É o objectivo principal. A equipa técnica já tem conhecimento desse objectivo e só a partir daí é que se delineou um conjunto de estratégias. A equipa técnica assumiu esse objectivo e é para isso que se vai trabalhar.


ABR - Este ano o Candal vai ter a companhia do Canidelo no Campeonato Nacional. Que comentário merece?

JM - É sempre importante ter equipas de Gaia a disputar o Campeonato Nacional. Gera-se um confronto saudável e obriga-nos a ser exigentes connosco próprios, pois sabemos que há outros que caminham no mesmo sentido e é sempre importante ter equipas de Gaia a disputar ou com os objectivos de disputar os Nacionais.


ABR - Olhando para o que a formação do Candal já foi a para as potencialidades que outras equipas têm mostrado, na sua opinião, acha que houve alguma estagnação?

JM - Não queria falar muito do passado. Tenho ideias próprias, sei que uma formação tem que ser muito cuidada, pensada, tem que existir um grupo de pessoas com a mesma filosofia de pensamento nos métodos de trabalho e quanto mais união e trabalho no mesmo sentido houver, mais facilmente se consegue estruturar, fortalecer e potenciar os atletas.


ABR - A aposta da formação nos seniores é para continuar?

JM - Claro que sim, mas antes de tudo, vamos trabalhar todos em conjunto, para alcançar o melhor para o clube. Aí já há abertura entre os técnicos e motivação entre os atletas. Já avisamos os jogadores que os treinadores da camada acima estão atentos ao que se passa na camada abaixo. Vamos trabalhar todos no sentido de conseguir o melhor. Há diálogo e interação e consegue-se trabalhar muito melhor. Todos sabem as responsabilidades e os resultados que se pretendem.

28 de junho de 2012

Entrevista Com: Gonçalo (Vencedor do prémio O Melhor Jogador Gaiense da Divisão de Honra)

O Entrevista Com desta semana, falou com o vencedor da votação feita pelo 'A Bola é Redonda', para O Melhor Jogador Gaiense da Divisão de Honra. O vencedor dessa distinção foi Gonçalo, avançado que representou o Candal, com 22% dos votos, deixando para trás Ricardo Melo e Rui Pedro, ambos do Canidelo, que somaram 18% e 15% respectivamente, da intenção de voto dos leitores do blog.
Formado nas escolas do Vilanovense, fez a sua estreia nos séniores no Vila FC, há duas épocas, pela mão de Edmundo Duarte, acompanhando posteriormente o técnico para o Candal. Gonçalo juntou este prémio ao de melhor marcador da Divisão de Honra, com 19 golos apontados.
Nesta entrevista, o jogador aborda a época candalense e abre o livro sobre o seu futuro, que não passa pelos gaienses. Uma entrevista a não perder, em mais um exclusivo do 'A Bola é Redonda'.


Gonçalo fez a festa do golo por 19 ocasiões na época anterior

A Bola é Redonda (ABR) - Gonçalo, venceste a votação do blog A Bola é Redonda, para o Melhor Jogador Gaiense da Divisão de Honra. Surpreendeu-te esta vitória?

Gonçalo Borges (GB) - Seria hipócrita se dissesse que, após a época que realizei, não estava à espera de entrar na disputa por essa votação. Fico honrado por esta distinção, tendo em conta a grande qualidade dos restantes colegas. As distinções individuais aumentam o ego e dão força para continuar a trabalhar cada vez mais.
Por último mas não menos importante, quero salientar que, embora o prémio tenha sido atribuído a mim, só foi possível conquistá-lo graças ao excelente grupo de trabalho que tive a oportunidade de fazer parte.


ABR -  Sendo uma votação aberta ao público, o que achas que pesou na decisão das pessoas para votarem em ti?

GB - Eu sou, claramente, suspeito para falar de mim, enquanto jogador. Talvez o facto de ter sido o melhor marcador da Divisão de Honra tenha chamado à atenção. No entanto, se fiz esse público gostar um bocadinho mais de futebol, fico mais feliz ainda. Missão cumprida.
Seja qual tenha sido a razão, só tenho de lhes estar grato por ver o meu esforço recompensado.


ABR - O Candal acabou por realizar uma época uns furos abaixo do que era esperado. O que correu mal?

GB - Foi uma época bastante atípica e todos os envolvidos têm noção disso. Posso enunciar algumas razões para esse estado: a perda de seis pontos em jogos que vencemos, justamente, dentro de campo (numa altura em que ainda acreditávamos na subida); a saída de alguns jogadores numa fase crucial da época; o facto de termos tido três treinadores que fez com que, nenhum deles, pudesse incutir todas as ideias que tinham para o plantel. Mas o futebol tem destas coisas e, se queremos continuar neste mundo, temos de saber lidar com elas.
O mais importante deste processo é que o Candal perceba o que correu mal e tente mudar o rumo dos acontecimentos. Dada a grandeza do clube, penso que isso vai ser feito e desejo que, nesta época, atinjam todos os objectivos a que se propuseram.


O avançado irá prosseguir
a carreira no Infesta
saltando para a 2ª Nacional
ABR - Este ano foram três os treinadores que passaram pelo banco candalense. Na tua opinião, isso pesou no desempenho da equipa?

GB - Indiscutivelmente, isso pesou. Os jogadores acostumam-se ao estilo de liderança e às ideias tácticas de um treinador. E os jogadores é que se têm de moldar ao treinador, e não o contrário. Uma agravante foi, sem dúvida, a juventude da nossa equipa. Nestes momentos de transição, os mais experientes ajudam a manter um balneário coeso. Acredito que não tenha sido fácil para ninguém e, com certeza, que houve momentos de algum desânimo. Fica de ensinamento para situações futuras. Deus só dá dificuldades a quem as consegue carregar.


ABR - Segundo algumas fontes, vais jogar no Infesta na próxima época. Confirmas?

GB - Confirmo. É mais um desafio, mais uma etapa da minha vida.


ABR - Se assim for, o que esperas desse novo desafio, visto saltares dos Distritais para a 2ª Nacional?

GB - Acima de tudo, espero adaptar-me o mais rapidamente possível para poder corresponder à confiança depositada pelo clube. É um salto qualitativo grande mas a única coisa que posso prometer, é muito trabalho e dedicação cada vez que entre em campo. Temos de estar constantemente a mostrar resultados porque, para o ano, já ninguém se lembra da época que fiz. Quero dar continuidade a este bom momento e dar o meu contributo ao Infesta.

4 de junho de 2012

Entrevista Com: Carlos Machado (Treinador dos Juniores do Canidelo)

Tal como prometido, o 'Entrevista Com' desta semana é com Carlos Machado, treinador que conseguiu brilhantemente levar os juniores do Canidelo a disputar o Campeonato Nacional da 2ª Divisão da categoria, juntando-se assim ao Candal, que também irá disputar essa competição.
Pode-se dizer acerca de Carlos Machado, que o técnico encarna o Canidelo na perfeição, visto que está no clube desde que iniciou a sua carreira futebolistica, na época 1988/89, percorrendo todos os escalões de formação do clube. Já como sénior, apenas representou o Canidelo, sendo que aos 31 anos deixou os relvados para se dedicar às tácticas, sendo adjunto de José Amarante quando este veio substituir Rui Amorim, na temporada de 2008/2009. Depois disse, fez parte também da equipa técnica de Lé Santos acompanhando o técnico nas épocas 2009/2010 e 2010/2011, sendo treinador principal em duas partidas, na disputa do título de Campeão da 1ª Distrital, frente aos Dragões Sandinenses. Paralelamente, orientou a equipa de juniores na Taça Acácio Lello, cargo que manteve esta época, alcançando agora uma inédita subida aos campeonatos nacionais.
Em mais um exclusivo do 'A Bola é Redonda', aqui fica a entrevista com Carlos Machado:


Carlos Machado (ao centro) e todo o Staff técnico que levou o Canidelo à subida aos Nacionais em Juniores

A Bola é Redonda (ABR) - Mister, o Canidelo conseguiu subir à 2ª Nacional. Era objectivo da equipa subir?

Carlos Machado (CM) - Pela parte da direcção, no principio da época, não nos foi pedido a subida, mas depois de no ano anterior a equipa ter ficado a dois pontos de disputar a fase final, nós sabíamos que a pressão iria ser grande. Sabíamos que mesmo sem nos pedirem directamente a vontade era essa. Mas sem deixar transparecer essa pressão para os atletas, sempre lhes disse que o nosso objectivo era ganhar jogo a jogo sem pensar na subida de divisão. O pedido por parte da direcção só chegou depois de uma fase menos boa em que averbamos duas derrotas seguidas. E a partir daí, continuamos a fazer um campeonato brilhante, onde mantivemos desde a 6ª jornada o segundo lugar que nos garantia o acesso à fase final, o que garantimos a três jornadas do fim.


ABR - Há três épocas a equipa lutou para não descer, mas depois conseguiu reinventar-se e o ano passado quase conseguiu o acesso ao playoff de Apuramento de Campeão. O que mudou para este ano?

CM - Sobre o ano passado não posso falar porque não fiz parte do grupo. Nas camadas jovens os grupos são alterados todos os anos, com as subidas naturais dos atletas devido à idade, e muita coisa pode mudar. Mas penso que, essencialmente, o que mudou foi todo um staff técnico com novas ideias e juntamente com todos os atletas, formamos um grupo muito forte e unido que disputava cada jogo para ganhar e com uma ambição muito grande de triunfar.


ABR - Num campeonato disputado com as denominadas 'Equipas B' de clubes como Rio Ave, Leixões ou Padroense, quais foram as maiores dificuldades que sentiram ao longo da época?

CM - Eu penso que este campeonato é muito competitivo e as dificuldades são criadas por todas as equipas em cada jogo. Basta ver a classificação final para verificar essa competitividade, em que do 3º para o 13º classificado só houve uma diferença de 16 pontos, o que eu considero muito pouco em 30 jornadas. As maiores dificuldades que as "equipas B" poderiam trazer, era incluírem jogadores provenientes do Campeonato Nacional com outra qualidade que dificultariam e tornariam, apesar de ser normal, menos correcto o campeonato.

Plantel do Canidelo que subiu à 2ª Nacional de Juniores

ABR - Houve alguma altura, durante a primeira fase do campeonato, em que duvidassem da conquista de um lugar nos dois primeiros classificados, apesar de terem estado sempre entre os três primeiros lugares da tabela classificativa?

CM - Nós sabíamos que não iria ser fácil atingir o apuramento, mas conforme o campeonato ia avançando, e apesar de alguns jogos menos conseguidos, fomos acreditando que com maior ou menor dificuldade iríamos alcançar pelo menos o apuramento para a fase final.


ABR - A fase de Apuramento de Campeão foi renhida e três equipas acabaram com oito pontos. Estiveram sempre confiantes em conseguir, já nesta fase, o objectivo de chegar aos Nacionais?

CM - Depois de atingirmos a fase final e com a impossibilidade de subida do Leixões, sabíamos que era uma luta a três para dois lugares, o que nos dava ainda mais confiança. Começamos muito bem a fase final e fomos alcançar uma vitória no Tirsense, e depois de um empate que não estava nos planos, em casa, com o Desp. Aves e uma derrota com o Leixões, recebemos em casa o Tirsense que em caso de uma vitoria nossa nos garantia matematicamente a subida ao Nacional. O jogo não nos correu bem e perdemos e a subida, apesar de não estar perdida, ficou mais complicada, mas nunca perdemos a confiança.



Sempre irrequieto no banco

ABR - Entrando já na próxima temporada, uma questão que se impõe. Carlos Machado será o treinador na próxima época?

CM - Sim. Continuarei a ser o treinador na próxima época.


ABR - Sabendo que a equipa perderá jogadores por terem atingido a idade de sénior, o que espera da próxima temporada numa nova realidade?

CM - Espero um ano de aprendizagem numa nova realidade. Teremos e já estamos a trabalhar para formar uma equipa competitiva e ambiciosa. É uma experiência totalmente nova, à qual o clube não está habituado, mas com a ajuda de todos iremos com certeza fazer um bom campeonato.



Carlos Machado treinou os séniores
nos jogos com os
Dragões Sandinenses

ABR - Até há bem pouco tempo, apenas o Candal tinha equipas nos campeonatos nacionais das três principais categorias. Agora o Canidelo também coloca uma equipa neste patamar. O que está a mudar na formação do clube?

CM - O clube vai-se adaptando á evolução do futebol. Tem bons treinadores, jovens e ambiciosos, e penso que com a subida ao Nacional dos juniores, será ainda mais aliciante para os jovens que normalmente preteriam o Canidelo, por outros clubes que estivessem a disputar Campeonatos Nacionais.


ABR - Será possível vermos o Canidelo, a curto-médio prazo, a lutar por um lugar na 1ª Divisão Nacional do escalão?

CM - Penso que ainda é cedo para abordarmos este tema. Vai ser a primeira vez que o clube estará presente num Campeonato Nacional, e tudo será uma experiência nova com que terá que aprender a lidar. Será um ano de aprendizagem.


ABR - Por último, gostava que deixasse uma mensagem aos adeptos do Canidelo, bem como a todos os jovens que sonham jogar futebol e também para os leitores do blog.

CM - Para os adeptos do Canidelo, quero expressar a minha gratidão pelo apoio que que nos deram em todos os jogos, e pedir-lhes que nos continuem a apoiar neste ano tão importante para o clube. Aproveitava para agradecer a todo o meu Staff Técnico, José Manuel Oliveira, Alfredo Matos, André Carvalho, Tiago Botelho, João Oliveira e André Maia, que tanto me ajudaram, à minha Família que por causa do futebol tantas vezes foi prejudicada, a todos os pais que colaboraram connosco durante toda a época e à direcção.
Aos jovens que sonham jogar futebol, eu digo-lhes para nunca desistirem de sonhar, mas que sonhar não chega, é preciso se empenharem e trabalhar sempre no máximo para alcançarem os objectivos. Sejam ambiciosos mas humildes. A todos os leitores do blog desejo as maiores felicidades.

No final, a festa e a união do grupo ficaram bem patentes