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31 de maio de 2012

Entrevista Com: Sérgio Morais (Treinador dos Juniores do Coimbrões)

O 'Entrevista Com' está de volta, desta feita para destacar o trabalho feito por diversos treinadores a nível da formação nos clubes gaienses. Este tema vai começar com o treinador dos juniores do Canidelo, Sérgio Morais, que classificou a equipa na quinta posição da Série 1 da 1ª Divisão Distrital e brevemente, teremos a entrevista com Carlos Machado, treinador dos juniores do Canidelo, que levou a sua equipa até à subida aos Nacionais da categoria.
Sérgio Morais está no Coimbrões desde o início da época, mas já tinha representado o clube enquanto jogador, tendo sido ao serviço dos verde e pretos que terminou a carreira, decorria o ano de 2000. enquanto jogador representou ainda diversos clubes, entre eles o Candal, o Canidelo, o Valadares, Oliveira do Douro, Delães e Arrifanenese. A nível de Camadas jovens, Sérgio Morais fez todos os escalões no Canidelo, passando ainda pelo Boavista no último ano de júnior. Como treinador, o técnico já orientou o plantel sénior do Canidelo, mas foi nos juniores do clube onde esteve mais tempo, orientando a equipa por
épocas seguidas. Este ano chegou ao Coimbrões.
Aqui fica a entrevista gentilmente concedida pelo treinador, num exclusivo 'A Bola é Redonda'.



A Bola é Redonda (ABR) - Esteve ao serviço do Coimbrões esta temporada, mais precisamente nos juniores, depois de no mesmo escalão, ter treinado o Canidelo na época anterior. Como foi a mudança do Canidelo para o Coimbrões?

Sérgio Morais (SM) - Foi uma mudança fácil pois fomos muito bem recebidos, fruto de todo o que tínhamos feito pelo clube durante jogadores, aliás era um namoro de pelo menos quatro anos, que por esta ou aquela razão não aconteceu mais cedo. Eu digo fomos porque eu não trabalho sozinho, tenho uma pessoa que me acompanha desde essa altura, o Dany, antigo jogador também de vários clubes de Gaia.


Em 1991 ao serviço do Candal
ABR - O ano passado, o Canidelo esteve às portas de chegar ao Apuramento de Campeão, algo que atingiu este ano e também a subida aos Nacionais. Como vê esse feito?

SM - Com alegria, porque vejo o culminar de um trabalho iniciado por nós há quatro anos, e finalizado pelo Mister Berto e sua equipa técnica de uma forma exemplar. Já o fiz, mas aproveito esta entrevista para, publicamente, dar os parabéns ao Mister Berto e todo o seu staff, principalmente ao meu amigo de infância, o director José Manuel como ao Sport Clube de Canidelo.


ABR - Depois de um início um pouco abaixo do que era esperado, o Coimbrões conseguiu recuperar e chegou ao terceiro lugar, no entanto, acabou o campeonato na 5ª posição. O que faltou à equipa para lutar por uma posição melhor?

SM - Mais humildade e mais atitude em jogos considerados mais acessíveis. Quem quer lutar pelos primeiros lugares não pode perder 10 pontos com equipas que se safaram de descer por um ponto.


ABR - Quais foram as maiores dificuldades que sentiram esta temporada?

SM - Várias. Era uma equipa sem ambição, sem disciplina, treinavam por treinar, e no jogo, aparecia o reflexo disso mesmo. Tivemos que fazer um trabalho de base em várias vertentes do futebol, chegando mesmo a fazer um trabalho individualizado, quer táctico e técnico, mas principalmente mental, fazendo-os acreditar que no futebol não há limites.


Em 2000 no último ano de carreira, ao serviço do Coimbrões

ABR - Na próxima época, continuará à frente dos juniores do Coimbrões?

SM - Sim. Posso confirmar com a devida autorização do Clube.


ABR - Para o próxima temporada, teremos o Coimbrões a lutar deliberadamente por um lugar que de acesso à subida de divisão?

SM - Essa é uma pergunta muito subjectiva, pois todos os que vão participar tem legitimas pretensões de subida. No Coimbrões trabalhamos com o que a casa tem, pois não temos dinheiros para contratar quem nós queremos. Agora, o que podemos prometer, é que vamos ser uma equipa competitiva e que vai saber o que quer e se isso fizer a diferença...


Foi no Canidelo que Sérgio Morais
se estreou nos séniores
ABR - Há duas épocas, esta equipa quase descia de divisão. O que mudou entretanto?

SM - Essa pergunta devia ser feita aos jogadores mas vai muito ao encontro da minha resposta atrás. Disciplina, rigor, muito trabalho técnico e táctico e o acreditar no impossível. Fazer de um grupo de atletas uma família, uns guerreiros.


ABR - Como vê o estado da formação no Coimbrões?

SM - Do melhor. Repare, tem a melhor escola de futebol jovem de Gaia, a Futjovem, que rivaliza com as melhores da cidade do Porto. Os escalões de benjamins e infantis todos os anos fornece os grandes do Pais. O ano passado foram dois para o SL Benfica e FC Porto, este ano mais dois para o FC Porto. Pena que esse trabalho, muito por força dessas saídas, não seja tão visível nos escalões de iniciados, juvenis e juniores, mas penso que num curto espaço de tempo seja ultrapassada.


Último ano de formação
no Boavista
ABR - Ate há bem pouco tempo, apenas o Candal tinha equipas nos escalões nacionais nas três principais camadas jovens. Agora o Canidelo juntou-se também. Acha que os clubes estão a mudar a maneira de ver a formação?

SM - Claro que sim. Eu vou falar no Coimbrões. Nós trabalhamos de forma a colocar nos seniores o maior número de jogadores oriundos da formação, porque só assim é que o clube não perde a sua identidade. Outra situação, é ter treinadores com uma filosofia virada para a entre-ajuda entre todos, porque ai começa a nascer a tal família que falava atrás, e no Coimbrões, com a antiga direcção e com a actual, esse é e será o nosso meio de recurso num curto espaço de tempo, pois queremos continuar a crescer de uma forma sustentada.


ABR - Por último, gostava que deixasse uma mensagem a todos os jovens que sonham ser jogadores de futebol, bem como aos adeptos do Coimbrões e leitores do blog.

SM - Para se ser jogador tem de se ser humilde, ser trabalhador, ser bom ouvinte, ter vontade de aprender e acreditar no seu futebol.
Para os leitores, uma palavra de apreço porque sem eles este tipo de trabalho não era possível.
Quanto aos adeptos, continuarem a dar o apoio a todos os escalões como dão, pois ai é que começa a tal família que eu falo, para eles o nosso muito obrigado.

3 de fevereiro de 2012

Entrevista com: Tiago Gil (Marítimo)

A rúbrica 'Entrevista com' está de volta e desta vez o convidado é Tiago Gil, atleta que na época anterior esteve ao serviço do Candal, mas que agora está no Marítimo, apesar de fazer parte dos quadros da equipa B. Nesta entrevista, o jogador aborda a sua ida para a Madeira, revelando que houve outras possibilidades. Fala também da época passada, onde o Candal acabou por descer à Divisão de Honra da AF Porto e aborda também o seu futuro, admitindo deixar o clube madeirense, caso não começe a jogar com mais regularidade. Mais uma entrevista a não perder, num exclusivo 'A Bola é Redonda'.





A Bola é Redonda (ABR) - Olá Tiago Gil. No final da época passada deixaste o Candal para ingressar no Marítimo, embora na equipa B. Como surgiu essa possibilidade?

Tiago Gil (TG) - Tudo surgiu já no período de férias, quando fui contactado pelo meu empresário dizendo que havia interesse da parte do Marítimo em que integrasse a equipa B. Já tinha acontecido na época anterior, mas tinha ficado sem efeito pois não houve acordo entre o Candal e o Marítimo logo na fase inicial das conversas. Inicialmente também não foi fácil para os dois clubes chegarem a acordo, aliás, isto tudo durou aproximadamente um mês até que com alguma compreensão da parte do Candal, devido à oportunidade que seria para mim, lá conseguiram com que tanto eu como o clube saíssemos beneficiados desta decisão.


ABR - Foi apenas o Marítimo que apareceu ou tiveste mais convites de outros clubes?

TG - Tive. Antes da minha vinda para a Madeira, tive ainda uma possibilidade, que ficaria entretanto sem efeito, do Gondomar. E andava a analisar ao mesmo tempo uma ou outra possibilidade para o caso de as negociações não prosseguissem.


ABR - Ainda não fizeste um jogo pela equipa esta época? É difícil estar nessa situação?

TG - É verdade. É sempre difícil estar numa situação destas. Ninguém deseja estar sem jogar, mas eu sabia que iria para outro patamar e não iria ser fácil conquistar rapidamente o meu lugar. Penso também que o elevado número de opções para a minha posição, diminui um bocado a possibilidade de haver uma oportunidade.


ABR - Como foi a tua adaptação a uma realidade diferente, uma divisão superior e a um clube que, apesar de estares na equipa B, é profissional?

TG - Pensei que iria ser mais complicado. Adaptei-me bem, também devido a ser uma equipa jovem, todos a jogar longe de casa, onde acabamos por nos ajudar uns aos outros. Comparativamente ao Candal, como é óbvio são inumeras as diferenças entres os dois clubes, partindo desde logo da organização do clube e da estrutura que tem por detrás de tudo.


ABR - Voltando ao passado, nomeadamente à época anterior, o que falhou para que o Candal descesse de divisão?

TG - Na minha opinião, eu acho essa é uma questão que ainda hoje muita gente não consegue responder. Terminamos a primeira volta em primeiro lugar a fazer um excelente campeonato, e a partir de Janeiro algo mudou e a perda de pontos começou a ser maior inexplicavelmente. Mas a arranjar uma justificação, talvez diria alguma falta de maturidade nalguns momentos, e a perda de pontos em casa que não costumavam ser normais.


ABR - Tens acompanhado o percurso da equipa este ano? Como vês o desempenho do Candal na Divisão de Honra da AF Porto?

TG - Sim, tenho acompanhado, e até ao momento vejo um desempenho positivo. Houve duas equipas que apostaram bastante este ano e é normal que para o Candal não seja tão fácil acompanhar, mas no entanto, penso que está a fazer um campeonato dentro do esperado.


ABR - Sendo jogador, que comentário te merece o facto de o Candal ter tido, desde a época passada, seis treinadores até ao momento?

TG - Isso são coisas do futebol. No ano passado, quando não atingimos o objectivo de ficar na zona de subida, ocorreu a primeira troca. Depois houve uma mudança de direcção que consequentemente fez com que ocorresse nova troca de treinador. E em relação a esta época, não estou muito a par do motivo das trocas, por isso, não me posso adiantar mais em relação a esse assunto.


Tiago Gil ao serviço da Selecção Nacional de Sub-18

ABR - Já representaste Portugal por duas ocasiões no escalão de Sub-18. Agora que tens 20 anos, ainda esperas conseguir voltar a representar a Selecção Nacional?

TG - Todos os jogadores de futebol ambicionam representar o seu país ao mais alto nível. Não sou nenhuma excepção e, como tal, é normal fazer tudo para que um dia possa lá voltar. No entanto, não escondo que a ida no escalão de sub-18 à Selecção Nacional, foi sem dúvida um dos momentos que me irão marcar para sempre.


ABR - Voltando ao Marítimo, esta época não está a correr bem à equipa, que está num lugar incómodo na tabela. Que tem falhado?

TG - Não é fácil de explicar. Mas analisando os jogo efectuados, em vários momentos faltou-nos uma pontinha de sorte, e talvez um problema que acaba por ser normal, é a falta de experiência da equipa, devido a ser muito jovem.


ABR - Os métodos de trabalho são, com certeza, muito diferentes do Candal. Quais as principais diferenças entre os dois clubes?

TG - Sim, nota-se uma diferença considerável nos métodos de trabalho. Uma carga de trabalho maior, mais exigência, melhores condições de treino, entre outros pormenores, que faz evidentemente com que os métodos sejam diferentes.


ABR - Na próxima época, em 2012/2013, as equipas B serão integradas na Liga Orangina, que como todos sabem é um campeonato profissional. Que pensas desta situação?

TG - Penso que foi uma excelente ideia para todos os clubes. Tanto beneficia os clubes que já estão na Liga Orangina, porque mesmo sendo equipas B, nunca deixam de ser o Marítimo, Porto, Benfica, Sporting, e que ajudarão ainda e muito nas transmissões televisivas, como também é bom para esses clubes, pois terão a possibilidade de ter jogadores oriundos da formação e jogadores jovens, como é o caso já da equipa B do Marítimo, a ganhar ritmo num escalão bem diferente da 2ª divisão. Num escalão mais competitivo e profissional.


ABR - As equipas terão que ter um número mínimo de 10 atletas por ficha de jogo que tenham sido formados localmente, ou seja, inscritos na FPF nas três épocas anteriores e com idades compreendidas entre os 15 e os 21 anos. Achas que a formação sairá beneficiada com estas medidas?

TG - Penso que sim. Assim implica um maior aproveitamento destes clubes na sua formação, não fazendo como se vê por aí, aproveitando cerca de dois ou três jogadores por ano, se tanto, mas sim vendo-se obrigados a apostar cada vez mais nos jovens portugueses.


ABR - Apesar de estares integrado na equipa B, como é o teu dia-a-dia em termos futebolísticos?

TG - O meu dia-a-dia acaba por ser praticamente idêntico ao da equipa principal. Com menos dois treinos talvez, mas com as rotinas diárias muito parecidas. Treinos de manhã, às vezes com um bi-diário semanal e uma folga.


ABR - Por vezes jogadores das equipas B, acabam por se treinar com o plantel principal. Isso ainda não aconteceu contigo?

TG - Sim, uma vez. Num treino-conjunto entre equipa A e B, onde o Mister Pedro Martins precisou de um central para completar a equipa.


ABR - Já te cruzaste com Pedro Martins com certeza. Como é o técnico principal do Marítimo?

TG - Sim, já, inclusive nesse treino que foi quando falei mais propriamente dito com ele. É uma pessoa simpática, que me pôs a vontade, assim como a restante equipa técnica. De resto, cruzamo-nos com qualquer elemento da equipa principal, desde jogadores a equipa técnica quase todos os dias, pois coincidem os horários de treino e os locais frequentados fora do futebol.


ABR - O teu futuro passa pelo Marítimo ou admites sair no final da época caso a tua situação não se altere?

TG - Ainda é cedo para falar nisso, pois acabou agora a primeira volta, mas caso a minha situação não mude, irei procurar um clube onde jogue com regularidade, pois ninguém deseja estar um ano parado, muito menos dois.


ABR - Que objectivos tens para a tua carreira, agora que estas num clube mais exigente a nível futebolístico?

TG - O meu principal objectivo é conseguir chegar ao mais alto nível nacional, 1ª Liga digamos. No entanto, para isso, primeiro terei várias fases para ultrapassar pela frente. E só depois pensaria em jogar ao mais alto nível fora de Portugal.


Ainda na formação do Candal, onde admite poder regressar um dia

ABR - Admitindo que regressarias a Gaia, que clube gostarias de representar?

TG - Devido ao anos que estive no Candal e tudo aquilo que o clube me deu, fazendo com que evoluísse fora e dentro de campo, para ser sincero, não me imaginaria a jogar noutro clube qualquer de Gaia, mas no entanto no futebol nunca sabemos o dia de amanhã.


ABR - Como tens visto o desempenho das equipas gaienses na 2ª e 3ª divisão, nomeadamente o Coimbrões e o Grijó?

TG - O Grijó não tenho acompanhado lá muito bem, mas penso que está a fazer um campeonato bastante positivo. Quanto ao Coimbrões poderia estar melhor classificado, mas o grau de exigência também é maior, e mesmo assim está perfeitamente dentro de atingir aqueles que são os seus objectivos.


ABR - Por último, gostaria que deixasses uma mensagem aos adeptos e leitores do blog.

TG - Queria desde já dar-lhe os parabéns, pois tem realizado um excelente trabalho com uma diária actualização deste blog que é benéfica tanto para nós jogadores, como para todos os amantes do futebol. E desejar, já agora, um ano recheado de vitórias desportivas e pessoais para todos os leitores deste blog, e que continuem a acompanhar e a apoiar os seus clubes pois também é disto que faz parte o futebol. Um abraço e felicidades para todos.

30 de novembro de 2011

Entrevista com: Ana Santos (Infantil do Leverense)

O 'Entrevista Com' desta semana traz à conversa uma situação pouco comum no futebol. Ana Santos, médio ofensivo do Leverense, representa a equipa de infantis do clube. No entanto, o Leverense não tem secção de futebol feminino, por isso Ana Santos está incluída com a equipa masculina, que disputa o campeonato da 2ª Divisão Distrital de Infantis. Com apenas 11 anos, Ana mostra um bom futebol e é inclusive capitã de equipa, mostrando uma boa capacidade de liderança. Foi dela o livre que deu o golo do Leverense na última partida da sua equipa, que ainda assim acabou derrotada por 2-1 em Perosinho. Tímida, foi desvendando que gostaria de seguir o percurso de Edite Fernandes no mundo do futebol feminino, isto porque um dos seus objectivos passa por ser igual a... Leonel Messi. Como objectivo de carreira, Ana pretende representar a Selecção Nacional de futebol, contudo, esta menina pode ficar sem jogar na próxima época, tudo porque a idade poderá não lhe permitir representar os Infantis do clube.
Veja tudo de seguida, em mais um exclusivo A Bola é Redonda.


Ana Santos, infantil do Leverense, quer ser como Messi e seguir o percurso de Edite Fernandes

A Bola é Redonda (ABR) - Como surgiu a paixão pelo futebol?

Ana Santos (AS) - Foi por causa do meu primo, pois ele joga e desde pequena que jogo com ele.

ABR - Como é jogar numa equipa só com homens?

AS - É a mesma coisa que jogar com raparigas. Tens que jogar o teu futebol, jogar em equipa.

ABR - Achas que os rapazes têm mais receio de ir à bola com medo de te magoar ou jogam da mesma forma.

AS - Depende, alguns são iguais, outros têm medo, mas no geral todos jogam de igual para igual.

ABR - És capitã de equipa, como é que os teus colegas reagem a isso?

AS - Respeitam-me, fazem o futebol deles, se tiver alguma coisa mal eu digo e eles tentam corrigir. Ser capitã é uma coisa como as outras.

ABR - Este pode ser o teu último ano a jogar no Leverense, porque para o próximo já és iniciada e a lei não permite que jogues. que achas disto?

AS - Acho mal. Apesar que ainda não saber bem se terei de deixar ou não, porque talvês ainda possa fazer mais uma época de infantil. Mas se acontecer, acho mal, porque o único que muda é o sexo, o resto é igual.

ABR - Ainda não houve nenhuma equipa de futebol feminino que te quisesse no plantel?

AS - Já, o Sousense e a Associação de Jovens de Zebreiros. Já representei num amigável a Associação de Jovens de Zebreiros e o Sousense queria que ficasse lá. Não fiquei lá porque ainda tinha mais uma época de infantil e quis fazê-la.

ABR - Qual é o maior sonho?

AS - Atingir resultados muito altos. Jogar na selecção feminina e ser parecida com o Messi.

ABR - No mundo do futebol feminino, porque no masculino já descobrimos, quem é o teu ídolo?

AS - Edite Fernandes. Capitã da selecção feminina. Gostava de seguir o percurso dela.

2 de novembro de 2011

Entrevista Com: Tiago Pereira (Portosantense)

Tiago Pereira é guarda-redes, tem apenas 19 anos e representa o Portosantense, equipa que disputa a Série Madeira da 3ª Divisão Nacional e que já se habituou a recrutar em Gaia. Depois de toda a formação feita do Arcozelo, o jovem guardião abraçou esta oportunidade com unhas e dentes e apesar de ainda não ter conseguido impor-se no clube, a sua vontade não esmoreceu. Veja de seguida mais uma entrevista exclusiva do blog 'A Bola é Redonda', a não perder.


A Bola é Redonda (ABR) - Como surgiu a possibilidade de jogares no Portosantense, clube que disputa a 3ª Divisão Nacional?

Tiago Pereira (TP) - Esta possibilidade surgiu por intermédio de um empresário da zona de Gaia que me me apresentou a proposta de poder vir representar o C.D.Portosantense, a qual eu não pude rejeitar por ser uma oportunidade de realizar um sonho que tinha já de pequeno.


ABR - Como tem sido a adaptação ao clube e ao estilo de vida na Madeira?

TP - A adaptação tem sido bastante boa todos os meus colegas de equipa ajudaram-me bastante nos primeiros tempos.


ABR - O ano passado a época correu mal ao Arcozelo, que acabou por descer de divisão. O que falhou para que o clube tivesse uma prestação abaixo daquilo a que tinha habituado os adeptos?

TP - É verdade. O ano passado a época não correu como esperado, devido a sermos uma equipa que era constituída por 70% de ex-juniores. Faltou-nos a experiência que é necessária naquele divisão.


ABR - Este ano o campeonato também não arrancou da melhor forma. Achas que a equipa ainda vai conseguir dar a volta por cima?

TP - A equipa não arrancou da melhor forma no campeonato mas estamos a dar a volta por cima como nós esperávamos.


ABR - Voltando a esta época. Quais são os objectivos do Portossantense, tendo em conta que a equipa não subiu o ano passado, devido à diferença de golos ter favorecido o Ribeira Brava?

TP - Os nossos objectivos são chegar o mais longe possível na Taça de Portugal, acabar a 1ª fase nos 6 primeiros lugares da tabela e se tudo correr como esperado poder atacar o titulo.


ABR - A nível pessoal, ainda não te estreaste na baliza. Apesar de a época estar a começar, ainda esperas fazer jogos este ano?

TP - Apesar de eu ainda não me ter estreado na baliza este ano, só me da força e vontade de trabalhar mais e melhor a cada dia que passa para poder ter a minha oportunidade de jogar.


ABR - Quais são os teus objectivos em termos de carreira futebolistica?

TP - Os meus objectivos são aprender bastante neste clube, para poder melhorar a cada treino e poder dar o salto para um patamar superior. Depois tenho os mais aliciantes, que são conseguir chegar a um grande clube da Europa e poder representar o meu país...


ABR - Para terminar, queria que deixasses uma mensagem a todos os jovens que sonham jogar futebol e também aos adeptos do Arcozelo.

TP - A todos os jovens que sonham um dia jogar futebol, só vos posso dizer para nunca desistirem e darem sempre o máximo em todos os treinos e jogos, porque um dia vocês irão ser recompensados da mesma forma que eu fui. Para os adeptos do Arcozelo, só posso agradecer todo o apoio que deram a mim e a minha equipa durante os 11 anos que representei o clube, e que continuem a apoiar como sempre fizeram.

5 de agosto de 2011

Entrevista Com: Israel Dionísio (ex-Treinador do Candal)

O convidado desta semana do 'Entrevista Com' é Israel Dionísio, que até bem pouco tempo era treinador do Candal. Um convite para trabalhar na formação do FC Porto, o seu clube do coração, fez com que se mudasse de armas e bagagens para o Dragão, com o fundamento de expandir os seus horizontes enquanto treinador. Ao longo desta entrevista, o jovem técnico aborda o tempo que passou à frente do Candal e os seus desejos para o futuro da sua carreira. A não perder, em mais um exclusivo do 'A Bola é Redonda'.


 
A Bola é Redonda (ABR) - Antes de abordar o teu novo projecto, gostava que me falasses um pouco sobre a experiência que tiveste no final da época anterior, com a equipa sénior do Candal. Como surgiu a possibilidade de treinares a equipa?

Israel Dionísio (ID) - Já era quase uma promessa de alguns elementos que queriam ficar à frente do clube. O namoro começou quando eles decidiram candidatar-se e o convite foi feito de início para a equipa júnior. Depois, com o decorrer da situação, acabou por ser feito para os seniores, porque a equipa não estava a atravessar 1 bom momento.


ABR - Foram quatro jogos intensos, onde conseguiste somar duas vitórias e um empate, mas não chegou para garantir manutenção. O que faltou à equipa para isso acontecer?

ID - Aceitei o convite porque, uma equipa que na primeira fase tinha andado muitas jornadas em primeiro classificado, tinha de ter alguma qualidade. Mas quando entrei no balneário, deparei-me com uma equipa morta, sem motivação, jogadores cabisbaixos. Senti desde esse minuto que iria ser difícil, mas ao mesmo tempo estava motivado por essa mesma dificuldade, mas não conseguimos. Nos momentos mais importantes em dois jogos, não conseguimos ganhar porque falhamos duas grandes penalidades, erros imperdoáveis no futebol. Depois, os jogadores nunca acreditaram na nova direcção, talvez por estarem muito tempo abandonados, sem rumo. No fundo, o clube não atravessava um bom momento directivo. Era um feito quase impossível, ganhar quatro jogos e ainda assim depender de terceiros, mas isso, para mim, foi uma grande motivação.


ABR - Para ti foi decepcionante não conseguir manter a equipa na 3ª Divisão ou achas que fizeste tudo o que estava ao teu alcance para o conseguir?

ID - Não penso assim. Tinha uma missão impossível nas minhas mãos e só com vários factores a correrem na perfeição, é que iria conseguir - lembro que na segunda fase a equipa ainda não tinha uma única vitória - dependendo sempre do factor sorte de que tanto falam os treinadores.
Eu e a minha equipa técnica demos o máximo, mas não foi possível. Considero que foi uma prestação muito positiva, já que a equipa tinha conseguido dois pontos em seis jogos e eu fiz sete em quatro, com os adversários teoricamente mais fortes. A única decepção é não ter chegado mais cedo á equipa. Se calhar neste momento o Candal estava na 3ª Divisão.


ABR - Entrando agora na nova temporada, foi anunciada a tua continuidade na equipa, mas isso vai acabar por não acontecer. Queres explicar os motivos que te levam a deixar a equipa gaiense?

ID - Há coisas na vida que acontecem quando menos esperamos e este convite acabou por coincidir com o inicio da época. Não posso sequer por na balança, sem desprestigiar o Candal que é um grande clube, representar o melhor clube do mundo que é o FC Porto. É o sonho de qualquer treinador, logo, eu não fujo à regra e sendo eu apaixonado pelo FC Porto desde que nasci e adepto ultra que sou, junta-se o útil ao agradável. O convite de trabalhar na formação do FC Porto é irrecusável!


ABR - Tendo em conta que falta pouco mais de um mês para o arranque do campeonato, como foi recebida essa decisão pela direcção candalense?

ID - Acredito que possam ter ficado chateados, mas não magoados, porque sempre houve muita cumplicidade e lealdade de ambas as partes, em todas as decisões a tomar no futebol sénior.


ABR - Como surgiu a possibilidade de integrares a estrutura da formação do FC Porto?

ID - As coisas foram acontecendo naturalmente. Com o meu conhecimento, alguma experiência em Campeonatos Nacionais A e a minha formação como treinador - tenho o 3º nível - o convite apareceu.


ABR - Que expectativas tens para esta nova experiencia na tua carreira como treinador de futebol?

ID - Primeiro, só quero é começar o mais rápido possível e aprender com os melhores, com muita dedicação e humildade. Espero receber mais conhecimentos para poder, um dia, pô-los em prática. Neste clube só há lugar para os melhores, logo eu não fujo à regra. Quero ser melhor treinador.


ABR - Sendo que trabalhaste maioritariamente com camadas jovens, como vês o estado da formação em Portugal?

ID - Penso que a formação em Portugal não está mal, mas mudava algumas coisas, Como a implantação do futebol de 7 nos escalões mais novos, o limite de estrangeiros e a implantação de uma liga sub-21, para os jogadores jovens, aquando da idade sénior, estarem mais preparados para a mudança.


ABR - Na tua opinião, porque é que o FC Porto não aproveita mais jogadores da formação, ao contrário do Sporting?

ID - Isso é um tema interessante. O FC Porto forma, mas de maneira diferente. Vai ao encontro do que eu falei há pouco. Os jovens do FC Porto passam por equipas de dimensões diferentes na Liga Portuguesa, logo o clube forma. Depois disso, só podem ou não integrar o plantel sénior. O Sporting não faz isso, logo reflecte-se nos resultados: O FC Porto ganha títulos Nacionais e Europeus e o Sporting não.


ABR - Que tipo de ambições tens para a tua carreira como treinador?

ID - Chegar o mais longe possivel. Sei que há um longo caminho mas vou tentar. Vamos ver até onde posso ir, sempre com os pés bem assentes no chão. Não vamos queimar etapas, apenas as deixar as coisas acontecer naturalmente.


ABR - Para terminar, queria que deixasses uma mensagem para os adeptos do Candal, bem como para os leitores do blog.

ID - Para os adeptos do Candal, desejo que festejem muitos títulos e que se unam em prol do clube. À direcção, agradecer ao Vasco Oliveira e ao Rui Pinto publicamente a aposta que fizeram em mim. Agradecer também ao Ismael Martins, que foi a pessoa que me ajudou a começar esta pequena carreira de treinador e desejar-lhes as maiores felicidades. Que cumpram os objectivos e ponham o clube nos nacionais em todos os escalões, que era muito bom para a cidade e para o clube, que para mim será sempre a bandeira desta cidade.
Para os leitores nunca percam a esperança de realizar os vossos sonhos, corram sempre atrás deles por mais difícil que seja o caminho. Para o blog quero agradecer e felicitar o trabalho que tem em divulgar tanta dedicação de atletas, treinadores directores e todos aqueles ligados ao futebol amador. Abraço e obrigado.

8 de julho de 2011

Entrevista Com - Óscar Nogueira (Treinador do Grijó)

O 'Entrevista Com' está de volta e desta feita a escolha recaiu sobre Óscar Nogueira, treinador do Grijó. Ao longo desta entrevista exclusiva ao 'A Bola é Redonda', o técnico expressa toda a sua felicidade pela subida à 3ª Divisão Nacional, abordando também algumas contrariedades que sofreu ao longo de uma temporada difícil nomeadamente a saída do Penantes, peça fundamental no ataque grijoense, mas também o que espera para o futuro. Uma entrevista a não perder.
Óscar Nogueira estará na 3ª Divisão Nacional na próxima época 

A Bola é Redonda (ABR) - Boa tarde Óscar Nogueira. Para começar queria um balanço da época, onde acabou por atingir o objectivo principal, que era a subida de divisão.

Óscar Nogueira (ON) - Foi efectivamente uma época difícil, pois havia quatro ou cinco sérios candidatos à subida. Íamos para uma novidade, que era ao fim destes anos todos jogar pela primeira vez em casa. O prémio que dei aos jogadores em termos de motivação e o desafio que lhes lancei, foi entrar no meio dessas quatro ou cinco equipas fortes que sabíamos que iam ser candidatas, para sermos também um dos fortes candidatos à subida. Nesse aspecto foram fantásticos e de uma entrega total ao longo da época, fomos alargando os horizontes e vendo com mais proximidade esse objectivo. Tivemos um adversário forte e regular, que foi o Infesta e a partir daí, acho que fomos os mais regulares e os mais fortes. Foram as duas melhores equipas que se conseguiram impor aos outros adversários que tinham mais poder e se calhar mais qualidade a nível de estrutura que nós, mas aproveitamos as partes mais fracas e deles e conseguimos ultrapassa-los.


ABR - Como disse há pouco foi uma época em que jogaram em casa. Foi um factor de motivação extra?

ON - A minha preocupação no campo próprio era o factor ansiedade. Sabemos que temos uma massa associativa exigente, sabíamos que tínhamos alguma margem de erro em anos anteriores, devido a não treinarmos e não jogarmos em casa e sabíamos que nos iam cobrar isso, como aconteceu. Os nossos adeptos cobraram sempre desde o primeiro até ao último dia, o facto de jogarmos em casa e então daí faziam de nós já por si um candidato. Mas também a imagem que deixamos noutras épocas, de que se tivéssemos campo, efectivamente íamos ser candidatos sérios. Tivemos que assumir isso e superar eventualmente algumas falhas que tínhamos relativamente a outras equipas, com trabalho e dedicação e essencialmente, com concentração nos momentos certos. Mas acima de tudo, penso que foi a regularidade. Só para termos alguns números, nós tivemos 11 vitórias em casa e 9 fora. Tivemos 1 derrota em casa e quatro fora e duas numa fase final do campeonato, já numa altura em que existia alguma descompressão devido à margem de erro que tínhamos relativamente aos adversários. Isto demonstra o equilíbrio que houve. Mas o facto de poder treinar e jogar em casa foi uma injecção de moral para o grupo, sem dúvida.


ABR - O Grijó foi a melhor defesa do campeonato. De alguma forma deixou-o satisfeito esse facto?

ON - Sim. Não trabalhamos para ser a melhor defesa ou o melhor ataque. Trabalhamos para objectivos colectivos. Mas se fizermos uma análise às épocas anteriores e mesmo voltando ao assunto de não treinar em casa, há dois anos também fomos a melhor defesa, apesar de ficarmos em sexto lugar, o ano passado não fomos, fomos a terceira, mas isso quer dizer que a nível táctico e de estrutura, a equipa é montada de forma consistente no sector defensivo e faz com que sofra poucos golos. É evidente que é positivo, pois sou apologista que a equipa deve ser feita de trás para a frente e por sectores e o Grijó, de há uns anos a esta parte, a nível defensivo, mostra sempre alguma resposta positiva e alguma força defensiva. Fico satisfeito por ter atingido isso. Tenho pena por não termos sido o melhor ataque, mas fomos a segunda melhor equipa a jogar em casa, fomos a segunda melhor equipa em termos de série de jogos a vencer e conseguimos algumas coisas positivas ao longo do campeonato, como ser a melhor equipa, a par do Infesta, com menos derrotas no campeonato.


Dani foi o melhor marcador do Grijó
com 15 golos apesar de ser
médio de raiz
ABR - Disse que gostava de ter sido o melhor ataque e nesse particular, o melhor marcador da equipa foi o Dani, que é médio e que tem caracteristicas de trinco. Como explica que seja esse jogador o melhor marcador e não um avançado?

ON - Temos que puxar um pouco a fita atrás. Esta época teve duas pré-épocas. Começamos a trabalhar duma forma sistemática, com três jogadores com essas caracteristicas, dando mais ênfase ao Bruno Faria e ao Penantes. Mas à quinta jornada ver-me privado do Penantes, que fez com que automaticamente trabalhássemos uma forma de estar no campo diferente. O Bruno Faria ficou órfão de um jogador com caracteristicas idênticas às dele e começamos a trabalhar de forma diferente, alterando o sistema e a estrutura da equipa, o que fez com que os médios estivessem mais próximos das segundas bolas e que fizessem mais desequilíbrios ofensivos. Quanto ao Dani, ele é um jogador bastante inteligente dentro de campo e não tenho problema de lhe dar o título de melhor jogador da Divisão de Honra. Sei das capacidades dele, ele tem uma facilidade de remate grande, é evidente que desses 15 golos contribuíram seis de grande penalidade, mas mesmo retirando-os, igualava o Bruno Faria que tinha novo golos e era o segundo melhor marcador. O Dani é um jogador que lê bem o jogo, sabe-se posicionar, sabe adivinhar os lances e onde as bolas podem cair e a maior parte dos golos que fez, foram da segunda linha, onde ele também é forte. É caricato, mas tem a ver com a qualidade que o Dani tem na leitura do jogo e da liberdade que tem.


ABR - Relativamente ao Penantes, em Dezembro ele acabou por sair. Foi uma baixa importante para o Grijó?

ON - Sim. O Penantes sabe o que penso dele. Além de nos ter penalizado colectivamente, também penalizou na qualidade de finalização. O Penantes é um jogador forte, com caracteristicas que poucos têm e a prova disso é o salto que ele vai dar em termos de divisão. É um jogador com facilidade de remate, forte fisicamente, rápido, tecnicamente evoluído, por isso era uma mais-valia que íamos aproveitar este campeonato. Saindo o Penantes, não modificamos os objectivos, apesar de termos mais dificuldades pois não tivemos substituto. Mas ai funcionou o trabalho da equipa técnica, tentando galvanizar outros jogadores para poder colmatar a saida desse jogador. Felizmente as coisas correram bem.


Penantes foi uma baixa importante
no onze grijoense
ABR - Ainda nesse assunto, o Penantes foi sempre primeira escolha do Óscar e acabou por sair. O que é que aconteceu em concreto para ele deixar o Grijó?

ON - Há alturas da vida em que cometemos erros graves. Penso que ele, um mês depois de ter saído, já o tinha assumido. Assumiu isso comigo, por isso, acho que não terá problemas em assumi-lo publicamente. Ele precipitou-se, houve um momento de quebra emocional onde achou que ia perder espaço no Grijó. Tentei conversar com ele, mas ele achou por bem que deveria mudar de ares e nós não podíamos contraria-lo. Deixamo-lo sair e desejamos-lhe boa sorte. Hoje ele sabe o que pensamos dele e eu também sei que ele pensa de mim e do clube. Acho que foi um erro que fez com que ele crescesse, mas felizmente que não o penalizou em termos de carreira pois ele deu o salto que eu sabia que ia dar e de certeza que vai ser feliz no futebol, porque ele procura isso. Estamos todos bem e eu estou feliz por ele ter dado o passo que deu.


ABR - Ainda no capítulo dos jogadores, foi anunciada a entrada do João Peixe na mesma altura, mas acabou por ir para Perafita. O que aconteceu?

ON - Isso foi uma precipitação em termos de interpretação, tanto da nossa parte como da Comunicação Social. O que aconteceu foi que o Peixe quando saiu do Custóias ainda não podia ser inscrito, pois faltavam 15 dias para abrirem as inscrições. Na altura, ele treinava no Candal para manter a forma e para tentar colmatar a saida do Penantes, convidei-o a manter a forma em Grijó e quem sabe, poderia ser ele a pessoa a colmatar essa carência. Ao fim de meia dúzia de treinos, chegamos à conclusão que, nem nós íamos satisfazer a parte financeira dele, e se calhar ele também não ia satisfazer na totalidade a nossa parte desportiva. Mais uma vez foi um assunto com uma lisura fantástica, hoje temos um relacionamento excepcional e ganhamos uma amizade mas não ganhamos um jogador.


ABR - Ainda nesta época, há um jogo que se pode dizer que é marcante. A recepção ao Infesta, que é onde acontece a primeira derrota dos matosinhenses e onde o Grijó conquista a segunda posição. Foi esse o jogo decisivo que marcou o arranque para a subida?

ON - Eu diria que este campeonato foi marcado em três jogos. Um, que para mim foi decisivo e onde assumimos que tínhamos espírito para lutar pela subida, que foi à sexta jornada em São Pedro da Cova. Depois de em cinco jornadas onde conseguimos apenas duas vitórias, um empate e duas derrotas, o que é muito para uma equipa que tem objectivos, decidimos juntar-nos e propusemos desafiar esses resultados e arrancar para uma recuperação, que se veio a verificar pois em 27 jogos perdemos um e isso veio mostrar o espírito que o grupo assumiu. Nesse jogo vencemos por 3-0. Depois, uma prova real do nosso valor, que foi esse jogo do Infesta. Não tínhamos como meta ser a primeira equipa a derrotar o Infesta, mas tínhamos como meta mostrar que tínhamos equipa para derrotar o Infesta, o que é diferente. E foi isso que pedi ao grupo. Sabíamos que o Infesta era uma equipa onde teríamos que ser fortíssimos para os ultrapassar, mas também acreditava que se estivéssemos ao nosso nível poderíamos ultrapassa-los e assim aconteceu. Acabamos por ter a sorte do jogo, mas acho que foi a resposta ao nível de resultado, ao jogo da primeira volta onde estivemos melhor na maior parte dos momentos do jogo e perdemos. Na segunda volta, segundo o seu treinador, o Infesta fez dos melhores jogos do campeonato e perdeu. É evidente que foi um comprovativo do nosso real valor. E por último, onde penso que foi o comprovativo final da nossa segurança no segundo lugar, foi quando visitamos o Lixa. Tínhamos apenas dois pontos de vantagem, sabíamos que se perdêssemos, o Lixa ultrapassava-nos e eu desafiei o grupo, dizendo que tínhamos que vencer e mostrar se éramos ou não donos do segundo lugar. Acabamos por fazer um jogo fantástico. É o jogo que posso classificar de melhor do campeonato, onde estivemos quase perfeitos tacticamente, tecnicamente muito bem e onde soubemos interpretar os momentos do jogo como foi pedido. Fomos defensivamente quase inultrapassáveis e fomos crescendo gradualmente com o decorrer do jogo. Anulamos o Lixa tacticamente e depois superamos tecnicamente. E foi aí, aumentando a vantagem para o terceiro para cinco pontos, que praticamente demos a nós próprios a ideia de que seria difícil perder o segundo lugar. Por isso classifico estes três jogos como marcantes ao longo do campeonato.


ABR - Este ano houve três equipas na Divisão de Honra, o Grijó, o Arcozelo e o Avintes. As últimas duas desceram de divisão. Surpreendeu-o a época menos conseguida destes dois clubes?

ON - De alguma forma sim. Essencialmente a forma de gestão. Não posso fazer juízos de valor sobre a organização dos clubes, como é óbvio, quem sou eu, mas penso que o trajecto nos últimos anos merecia outro tipo de atenção em termos de gestão. Em termos desportivos, avaliando os planteis e alguns discursos de assumir esse mesmo desfecho, acho que não surpreendeu. Agora, é com alguma mágoa que vejo esses clubes, com alguma imagem no futebol gaiense e que nos últimos anos têm dado resultados positivos, cair na 1ª distrital. Agora, o trabalho interno e a gestão e organização dos clubes, já não posso avaliar. Fico triste e surpreendido.

João Peixe esteve perto de representar o Grijó em Dezembro último

ABR - O Grijó acabou por ficar em segundo lugar. Acha que o Grijó tinha valor para mais?

ON - Acho que o Grijó tinha valor para mais e continuo a dizer que a diferença pontual final equivale às cinco primeiras jornadas. Nos acabamos o campeonato com 10 pontos de atraso, mas à quinta jornada tínhamos oito. A partir daí, fomos a melhor equipa na segunda volta, fizemos mais cinco ou seis pontos que o Infesta nesta fase, por isso, nós é que demos tiros nos pés. Avaliando o campeonato de uma perspectiva de regularidade, acho que o título foi bem entregue ao Infesta, pois foram os mais regulares. Se avaliarmos de uma forma de grupo e de trabalho, acho que se o Grijó tivesse outra prestação nas primeiras cinco jornadas, teria havido luta até ao final para entregar o título. Mas não tenho dúvidas que seriam as mesmas equipas a subir de divisão, porque foram as melhores em todos os sentidos.


ABR - Entrando agora numa nova realidade, o Grijó regressa à 3ª Divisão 20 anos depois da última participação. Quais são as expectativas para a próxima época?

ON - Essencialmente, tentar fazer um crescimento sustentado. Aquilo que eu quero neste clube e o desafio mantém-se, e que a ambição não vai parar por termos atingido a 3ª Divisão. Quero transmitir isso aos meus jogadores, não chegamos ao limite de nada, conquistamos mais um objectivo e agora vamo-nos propor para outros objectivos. Não estamos a assumir nada, estamos a assumir um compromisso de tentar que o clube fique nos nacionais o maior período de tempo possivel e o passo seguinte será então pensar numa 2ª Divisão. Mas temos que dar um passo de cada vez. Ainda não chegamos à terceira, vamos entrar numa terceira divisão, sabemos que as dificuldades vão ser diferentes, a capacidade financeira de outros clubes será superior à nossa, mas isso não nos retira ambição. O objectivo passa por ficar nos primeiros seis lugares, por ganhar estatuto e respeito das outras equipas, e apenas somos candidatos assumidos a ganhar o primeiro jogo. Não temos ambição de disputar já uma nova subida de divisão, somos ambiciosos, mas queremos que o clube seja respeitado à chegada à 3ª divisão. O resto vem por acréscimo.


ABR - Normalmente diz-se que é indiferente a série onde se joga, mas as equipas de Gaia têm oscilado entre a Série B e a Série C. Temos exemplos de equipas que jogaram na Série C e subiram ou estiveram para subir e a jogar na Série B acabaram por descer de divisão. Sabendo que não é uma decisão sua, onde prefere jogar? Na Série B ou na Série C?

ON - Tenho quase a certeza que vamos jogar na Série B. Tenho um ponto de vista diferente dessas perspectivas. Sabemos, e não vamos esconde-lo, futebolisticamente a Série B é mais forte. Tem equipas com outro tipo de poderes para contratar jogadores, são muito mais recheadas em termos de qualidade técnica e táctica, mas isso também ajuda ao crescimento do clube. Poderemos ter mais dificuldades em chegar aos seis primeiros lugares, mas em termos de concentração em cada jogo, vai fazer com que o clube se entregue mais. Sabemos que na Série C, a nível de futebol, este deixa de ser mais bonito e mais facilitado a nível de conquista, mas também se calhar a nível de visibilidade, o clube não teria um crescimento tão grande. Temos que ver os desafios pela positiva e não pela negativa. Jogando na Série B, o que temos que saber é que temos que estar concentrados e empenhados em todos os jogos, para ultrapassar nos pormenores as equipas que sejam eventualmente mais fortes que nós. Em termos de objectivos, são os mesmos independentemente da série onde jogarmos.


ABR - O Grijó não fez, até ao momento, algo que muitos clubes fazem, que é reformular o plantel por inteiro. O facto de conseguir manter o grosso da equipa dá-lhe garantias para a próxima temporada?

ON - Essencialmente dá-me uma grande satisfação, pois acredito em pleno nos meus jogadores. Os que ficaram, ficaram pelo trabalho que têm desenvolvido no Grijó, pela confiança que me têm transmitido nos valores humanos e desportivos e essencialmente pelo carácter que tiveram nestas últimas épocas. Tenho a certeza absoluta que os 15 jogadores que ficaram, são mais-valias e tenho a certeza que o mesmo trajecto que me ajudaram a fazer como treinador no Grijó, também o conseguem por estar na 3ª Divisão. Não fiquei com todos porque como é óbvio, nestas coisas há que fazer sempre equilíbrios e acertos. Mas os 15 jogadores que ficaram, foi porque acho que têm qualidade e acredito neles para fazer um campeonato ao nível do que pretendemos.


ABR - Este ano os dois representantes gaienses que estavam na 3ª divisão desceram. Isso virá de alguma forma, prejudicar o Grijó em termos de receitas?

ON - Essa parte não me cabe a mim responder. Mas toda a gente sabe que os derbies gaienses são sempre apetecíveis. Tanto a nível desportivo como financeiro e de atractivo, pelo que representa para a cidade de Gaia. Não vamos ter esses, vamos ter outros jogos interessantes. Vamos ter equipas com nome e com pergaminhos no futebol português e de certeza absoluta que para o Grijó, sendo uma novidade, todos os jogos têm que ser vistos dessa forma, como um dérbi, não interno, mas como uma chamada a Grijó de equipas que andaram já em patamares superiores do futebol português. Lamentamos que de facto, não haja os derbies gaienses e era com muito gosto que os recebíamos, mas penso que financeiramente, o clube terá que arranjar outros atractivos para compensar essas falhas eventuais dos clubes de Gaia.


ABR - O Óscar já está no Grijó há seis temporadas. Normalmente, depois de tanto tempo, há sempre uma necessidade de mudar de ares. Ainda não sentiu essa necessidade?

ON - Necessidade não. Por vezes a curiosidade acontece. Agora, há uma coisa que me habituei no futebol e que faz parte dos meus princípios vida, que é trabalhar com gente séria, com pessoas que têm objectivos vincados e que são ambiciosas. Com todo o respeito que tenho por todos os clubes, cada vez existem menos com estas caracteristicas. Abordagens superficiais existem sempre, mas quando entramos em campos mais objectivos, as pessoas fogem sempre mais um pouco ao que se pretende. Em Grijó isso não acontece, pois eu sei o que a direcção pensa em relação ao clube e em relação ao que posso dar ao clube e assim as coisas ficam facilitadas em termos de renovações e de manutenção de planteis. A curiosidade é sempre uma coisa que faz parte do nosso ser. Quando me perguntam se gostava de sair para outro projecto, tenho essa curiosidade, pois sei o que posso dar ao futebol e o que posso fazer noutro clube. Agora, tinha que ser um clube que me apresentasse um projecto na linha do que o Grijó sempre me apresentou, com pessoas sérias, objectivos bem definidos, estrutura razoavelmente montada para atingir esses objectivos e capazes de conseguir ultrapassar as dificuldades que os adversários nos pusessem pela frente. Curiosidade sim, mas ainda não me falta motivação para ter que deixar o Grijó.


ABR - Fazendo um balanço de carreira, está satisfeito o que já atingiu ou acha que poderia ter chegado mais longe?

ON - Por vezes com o excesso de humildade tornamo-nos parvos. Só posso dizer que ao fim de dez anos como treinador tenho cinco subidas de divisão. Só posso estar satisfeito com o que já realizei. Nestas cinco épocas em Grijó, e relembrando que na primeira descemos de divisão e começamos do zero, agora estamos na 3ª Divisão. Tenho que estar feliz por o que tenho realizado, essencialmente no Grijó. Acho que a imagem do clube neste momento, passa um bocadinho por mim e isso faz-me sentir feliz. Em termos pessoais, para além de me sentir realizado com o que conquistei até agora, é evidente que pretendo alcançar mais coisas. Tenho uma meta pessoal, que passa por estar a treinar aos 45 anos uma equipa da 2ª Nacional, essa é a próxima meta e não ponho fora de hipótese que seja atingida com o Grijó, mas também não deixo de fora a possibilidade de ser com outro clube. Neste momento a minha cabeça e os meus objectivos passam pelo Grijó, mas é evidente que quero mais do futebol e quero crescer mais, mas não tenho pressa de chegar a lado nenhum. Quero sentir que o que conquisto, são coisas conquistadas por mim e que ninguém me deu nada. Tudo o que conquistamos até agora, eu e os meus adjuntos, foi por nós e sem a ajuda de ninguém. Tudo o que sou no futebol devo-o exclusivamente ao meu trabalho.


ABR - Para terminar, uma palavra para os sócios e adeptos do Grijó e para os leitores do blog.

ON - Para os adeptos do Grijó, essencialmente, pedia-lhes para apoiarem, se possivel mais, a equipa. Garanto que têm homens para defender o clube com todas as suas forças e estão sempre disponíveis para dar uma imagem positiva, tanto da terra como do clube. Quanto ao blog, dar os parabéns pelo crescimento que se tem notado dia após dia, principalmente a nível de pesquisa que as pessoas fazem, pois isso mostra a capacidade de resposta que o blog tem. Eventualmente, solicitar alguns apoios que possam haver, pois sabemos que tudo está difícil e que para o crescimento das coisas tem que haver sustentabilidade e penso que o blog não foge à regra. Penso que é este tipo de coisas que faz com que o desporto gaiense cresça e tenha uma aparição mais frequente, que tenhamos mais facilidade de aceder a estes espaços para ter mais informação, principalmente ao desporto não primário, isto é, não falando da Primeira e Segunda Liga. Felicito o blog e incentivo as pessoas a darem mais apoios a este tipo de situações.



21 de junho de 2011

Entrevista Com - Manuel Rocha (Treinador do Pedroso)

O 'Entrevista Com' desta semana escolheu Manuel Rocha, treinador do Pedroso, para entrevistado. A entrevista foi realizada na passada semana, por isso alguns dos temas abordados, principalmente referentes aos caso Cerco do Porto-Vila FC, estão já fora de data, uma vez que a partida já se realizou.
Ao longo desta entrevista, o técnico aborda a época do Pedroso, a fase má pela qual a sua equipa passou e onde o treinador chegou mesmo a colocar o seu lugar à disposição, não esquecendo os seus projectos futuros e a sua indignação por ninguém apostar nele a outro nível, sem no entanto, se preocupar muito com isso.
Uma entrevista exclusiva do 'A Bola é Redonda' a não perder...
 

Manuel Rocha acedeu de bom grado a uma entrevista realizada no GaiaShopping

A Bola é Redonda (ABR) - Boa tarde Manuel Rocha. Queria que me fizesse um balanço da época do Pedroso, uma época difícil, de altos e baixos, mas onde o Pedroso está na luta pela subida.

Manuel Rocha (MR) - Boa tarde. Foi uma época espectacular, com jogadores fantásticos, com atitude espectacular, assíduos aos treinos e com muita vontade de vencer. Estes jogadores tinham que subir de divisão como prémio, pois tudo fizeram para isso. Começamos excelentes e depois tivemos uma fase negra em todos os aspectos, onde fomos massacrados e chamados ao dever por quem manda no futebol. É óbvio que estivemos mal internamente, com lesões e com os jogadores se calhar a sentir as dez vitórias seguidas. Fomos prejudicados em alguns jogos, mas ultrapassamos essa fase. Eu próprio achei que também não tinha condições de continuar, mas a direcção deu-me um voto de confiança até porque havia já muita pressão por parte dos sócios e eu pensei e acedi ao pedido do presidente e continuei. Depois falamos dentro do balneário e perguntamos o que queríamos desta época e foi tudo unânime em querer subir de divisão. Depois disso, só perdemos com o Cerco e num jogo caricato, onde tínhamos mesmo que perder, que foi no Vila e por coincidência com o mesmo trio de arbitragem do Cerco. Não fomos nos que o escolhemos. É certo que também pecamos na finalização, mas também penso ‘será que seria suficiente?’, talvez não, talvez sim, não sei. Fomos muito superiores nesses dois jogos, perdemos e viemos meditar mais uma vez e não voltamos a perder. Época fantástica, com directores que fizeram tudo o que podiam para que conseguíssemos os nossos intentos.


ABR - O Pedroso fez uma época fantástica, mas teve um período negro como já falamos, no entanto voltou à luta, mas pelo quarto ano arrisca-se a não subir. O que falta ao Pedroso para se afirmar?

MR - É o nome. A freguesia de Pedroso deveria ser mais respeitada, mas muita gente não gosta de Pedroso. Temos que pedir por favor para treinar, é óbvio que este ano deram-nos outras condições, pois deixaram-nos treinar duas vezes quando jogávamos em casa e ai o meu agradecimento ao vereador e ao responsável pelo pelouro do desporto. Mas Pedroso é uma instituição, não tem que andar a pedir favores a ninguém. As pessoas têm que lutar para por o nome do Pedroso no alto. Não, é ao contrário. São três ou quatro pessoas dentro do clube que têm que andar a pedir para que aquilo cresça. E é isso que falta. É o crescimento interno e externo e é um dizer ‘nos estamos aqui’ e por isso não existir, é muito mais fácil para alguns manipular estas equipas. Homens sempre tivemos para jogar e dirigir o clube, mas não sei que falta mais. Somos sempre os melhores. Há três anos foi o Salgueiros que nos impediu a subida, o ano passado foi o Maia…


ABR - O Pedroso acabou por ficar em quarto e subiram três…

MR - Acredito que se o Pedroso tivesse ficado em terceiro e o Maia em quarto, subiam quatro. Não tenho dúvidas. Portanto não sei o que nos falta. É trabalhar sempre mais e interiorizar que temos que ser sempre superiores aos outros para sermos melhores.


ABR - Mas isso às vezes não chega. Das vezes que falei consigo esta temporada, o Pedroso foi muitas vezes melhor, mas houve sempre algo a puxar para trás. Que apreciação faz das arbitragens do Pedroso esta temporada?

MR - Nós entravamos em campo e éramos amedrontados. Tínhamos uma filosofia de jogo e é preciso ter muita força interior para conseguir aguentar o que os jogadores do Pedroso aguentaram. Falávamos todos os dias e todos os jogos e dizíamos que a disciplina tinha que ser a nossa bandeira e que tínhamos que ser muito superiores para conseguir ganhar. E fomos. Entravamos em campo e começavam com aquelas coisinhas do futebol que até passam despercebidas, não tiravam golos da baliza, não nos marcaram alguns penaltis duvidosos como aqueles que vemos na televisão. Mas o futebol só tem uma lógica. Sé é falta é para marcar. Sé é dentro da área, aos dois minutos, tem que ser marcada. Mas os árbitros têm medo, porque não têm o apoio necessário. Lutam por pontuações que são dadas por pessoas que nem árbitros foram e penalizam alguns e beneficiam outros em prol de favoritismos. Isso não tenho medo de dizer, pois eu cumprimentava o árbitro cada vez que entravamos em campo e ai já sabia quando ia ser prejudicado ou não. Quando ele não conseguia olhar para mim nos olhos, algo se ia passar. É óbvio que apanhamos bons trios de arbitragem, beneficiado não me considero, pois o Pedroso não quer ser beneficiado, as equipas têm que lutar de igual para igual. Foi um pouco isso. Tivemos bons homens a conduzir os nossos jogos, assim como maus homens a conduzir os nossos jogos.
O técnico, depois da derrota em casa do Vila FC

ABR - O Pedroso teve então uma fase má, reergueu-se, mas depois voltou a sofrer a perda de três pontos. Como é que se motiva um plantel para trabalhar quando o fazem apenas por gosto e ainda são penalizados em circunstâncias estranhas?

MR - Não foi fácil. Os jogadores queriam desistir, pois lutaram muito naquela fase menos boa onde perdemos muitos pontos, pois caso isso não tivesse acontecido, teríamos sido campeões mais cedo e não precisávamos de esperar por esta decisão. Então não foi fácil, pois quando voltamos ao topo, dizer que vamos perder três pontos. Não sabe o que se passou dentro do balneário, com os jogadores desanimados, exaltados, convencidos de que alguém os queria prejudicar, pois são eles que esfolam a pele à semana e ao fim-de-semana e ainda têm que ouvir coisas menos agradáveis dos sócios e dos adeptos que não são nada fáceis e ainda vão ter que ganhar mais três pontos para suplantar aqueles que perderam. Não conseguimos dizer nada na altura, mas depois voltamos a perguntar se queríamos subir de divisão ou não. O grupo deu as mãos e conseguimos voltar ao trilho das vitórias. Tivemos um jogo difícil no Gondim, mais difícil que frente ao Vila. No Vila, o jogo foi facílimo, apenas não conseguimos marcar. Eu considero aqueles jogadores campeões.


ABR - O mister falou que teve uma conversa com o Presidente na altura em que a equipa passou por um mau período. O mister esteve então para deixar o Pedroso?

MR - Eu abordei, juntamente com os meus colegas, pois é uma atitude honesta da nossa parte se acharmos que o clube não está a ser bem servido, tem que arranjar alguém mais capaz para dar a volta à situação. O Pedroso tem uma excelente equipa e eu também não conseguia perceber porque é que aquilo estava a acontecer. Tivemos uma fase onde não conseguimos ganhar em sete jogos seguidos e eu falei com o Presidente. Mas no fundo, eu sabia que se saísse haveriam jogadores que também iam sair, pois estavam ali pela camaradagem e quando um grupo se começa a desmoronar... O presidente disse-me para não ir e conseguiu convencer-me a ficar e depois a equipa voltou então a entrar nos eixos.


ABR - O fim da época já chegou, mas o Pedroso continua dependente de uma decisão de um jogo que já se deveria ter realizado há dois meses. A Associação decidiu que o jogo tinha que se jogar, mas o Vila e o Pedroso apresentaram recursos por razões diferentes e ainda há dúvidas. Que comentário lhe merece esta situação.

MR - Isto não merece comentários. Acho que estão a brincar com pessoas que trabalham. Depois, também está nos regulamentos, que antes do fim do campeonato tudo tem que estar definido e decidido para que a época acabe correctamente. É óbvio que numa dessas semanas era o jogo do Gondim e ai nada ficou decidido e logo a seguir a esse jogo, sai o resultado do inquérito que existiu aos acontecimentos. É uma casualidade, quero pensar assim, pois estamos a falar de pessoas que percebem muito de futebol, pois quem ocupa estes cargos são sempre as pessoas que mais percebem de futebol. Quem sou eu, um leigo que ainda estou a aprender o futebol, para questionar isso. Não foi premeditado de certeza, foi casualidade…


ABR - Noto alguma ironia nas suas palavras…

MR - Infelizmente não podemos ser irónicos, porque contra factos não há argumentos. E quando eles dizem que sim, temos que acreditar que sim, quando dizem que não, temos que acreditar também ou então não acreditamos, mas eles é que mandam e decidem…


ABR - Contudo, o Pedroso recorreu dessa decisão de mandar repetir o jogo. Qual foi a base desse recurso?

MR - Basicamente o timing da decisão e segundo alguém diz, no relatório do árbitro e também por testemunhas, o Vila FC foi impedido de entrar nas instalações por gestos indevidos que fizeram a pessoas do Cerco. Segundo dizem, foram agredidos alguns jogadores que foram receber tratamento hospitalar. Segundo dizem, vieram dois directores ter com o árbitro para entregar a ficha e que não tinham condições para jogar. Segundo dizem, o árbitro disse que havia condições, assim como a polícia também disse que havia condições para jogar. O Vila FC disse que só tinha 15 jogadores, mas o árbitro também disse que só precisavam de 11 jogadores para entrar em campo. Por isso, segundo dizem, o Vila FC fez falta de comparência. Se calhar, segundo dizem, algo se passou no meio disto tudo que nós não sabemos.


'Os Campeões' de Manuel Rocha

ABR - Entrando num lado mais pessoal, o mister está no Pedroso há quatro anos e sempre a lutar para subir de divisão. Já teve algum convite de outro clube?

MR - Não. Estou a ser o mais honesto possível. Não tive nenhum convite, nem do próprio Pedroso, pois ainda não acabou a época. Estou aberto ao grupo com que trabalho. Nada mais se passa para além do Pedroso.


ABR - Mas chega a uma altura em que as pessoas têm outros objectivos, até porque falar do Pedroso é falar do Manuel Rocha. Quais são as suas perspectivas para o futuro?

MR - Eu trabalho numa empresa que me absorve muitas horas. O futebol é um escape, pois é onde liberto muitas das energias negativas do dia-a-dia. O futebol é saudável e faz-me bem e também acho que tenho feito bem ao futebol, porque tenho dado tudo o que acho que tem que ser dado ao futebol, independentemente de ter errado. O melhor que tiramos de uma história, é ver o que fizemos mal e a seguir fazê-lo bem. Eu faço muito dessas análises, falo com os meus colegas, ouço os adeptos e os comentários dos jogadores, dou-lhes oportunidade para eles dizerem o que está mal sem qualquer tipo de penalização. São livres para dizerem o que sentem, mesmo do treinador. O treinador é o que manda, é o primeiro responsável, mas se calhar às vezes é o que menos razão tem. E acho que nesse aspecto a abertura é muito grande, é um espírito de amigo, pois ajudo-os a melhorar o que eles precisam. Estou no futebol porque gosto e quero continuar a fazê-lo porque gosto de o fazer. Tenho sido bastante ajudado pela Comunicação social, principalmente pelo Johnny, que tem sido um amigo, mas se calhar é pela minha sinceridade que gostam de falar comigo, pois sou honesto naquilo que digo. Eu não ando atrás de clubes, não procuro pessoas, não procuro dirigentes. As pessoas conhecem o meu trabalho e se acham que sou capaz de gerir o clube onde estão inseridos, têm que me convidar e cá estamos para conversar. Não ando à procura, pois não tenho o à vontade para isso. Sou treinador de futebol, porque joguei muitos anos e acho que tenho algo de positivo para dar ao futebol e é nesse intuito que continuo. Quando achar que estou a mais, saio.


ABR - Há duas épocas o mister ameaçou e na época passada venceu mesmo o prémio de ‘O Melhor Treinador’ dado pelo jornal ‘O Gaiense’. Como foi receber o prémio, disputando a 2ª distrital?

MR - Os jogadores sentiam-se satisfeitos quando eu ganhava o prémio do mês, prémio que é deles, e ficávamos satisfeitíssimos, quando isso acontecia principalmente porque é um prémio a nível do Concelho. E quando ganhamos o segundo, é óbvio que queremos o primeiro, pois queremos sempre mais. Consegui o primeiro lugar a lutar com treinadores de outras divisões, onde se calhar o futebol é mais ambicioso. E digo se calhar porque não sei como é assim como eles também não sabem como é o da 2ª distrital, onde se joga em campos muito difíceis. Não é fácil e consegui. Este ano volto a estar em boa posição, faltando só a decisão do jogo do Vila, senão já era o ‘Melhor Treinador’. É um orgulho e dou os meus parabéns ao ‘O Gaiense’, pois fazem uma coisa muito bonita, boa e que é preciso no futebol distrital. Tomara que muitos seguissem este caminho pois é isto que faz as pessoas mover-se, pois ninguém ganha dinheiro no futebol distrital. Estes prémios são mais que um ordenado ao fim do mês, pois é um orgulho enorme estar presente no meio de tantas individualidades e ser chamado o nosso nome.


ABR - Apesar de me dizer há pouco que não procura ninguém e que quer ser reconhecido pelo seu trabalho, não o surpreende que ninguém o procure depois de todo o seu percurso nos últimos anos e depois de todas as distinções individuais que já teve?

MR - De alguma forma surpreende-me. Mas o beneficiado acaba por ser o Pedroso, pois eu gosto daquilo que faço, empenho-me naquilo que faço mas como já disse, não procuro. Sinto se calhar alguma estranheza, mas quem sou eu? O futebol é isto…


ABR - Para terminar, queria que deixasse umas palavras a todos os adeptos do Pedroso e aos leitores do blog

MR - O desporto é um divertimento. Todos os intervenientes têm que estar empenhados para ajudar os seus clubes a levar de vencida aquilo que move as pessoas a ir aos campos. Divirtam-se e procurem o divertimento dentro do desporto. Não procurem o mau que está no futebol, mas sim o bom, ou seja, o divertimento, a amizade, a confraternização e acima de tudo o confronto amigo que existe entre as duas equipas. Para o blog, acho que está de parabéns, tem feito um excelente trabalho. Não se esqueça que o difícil é chegar lá, fácil é manter. Alguns dizem o contrário mas eu acho que não, acho que o nome já está consolidado a nível nacional, pois conseguiu dar uma perspectiva muito boa do futebol distrital, visto que 80% do que escreve é sobre o futebol distrital e muita gente a nível nacional lê o que se passa no futebol distrital da AF Porto. Parabéns e continue e tudo o que for possível para ajudar da minha parte será feito. Para as pessoas que mandam no futebol, meditem, pois vão ter que passar algumas noites numa mesquita a pensar o que querem do futebol nacional. Que pensem no que existiu no futebol nacional na década de 80 e o que existe agora. São as mesmas pessoas que estiveram em 1980 e que estão agora. Em 20 anos passamos por uma fase de transformação positiva, conseguimos chegar ao topo e hoje não conseguimos ganhar nada em termos de camadas jovens. Alguma coisa está mal, deixem-se de compadrios e pensem no que está mal no futebol.