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29 de abril de 2007

SL Benfica 1-0 Sorting CP (Época 04/05)

Hoje é o dia do Grande Derby, o Derby eterno, o jogo que desde 1907 tem chamado a sí o protagonismo de épocas e épocas. O Benfica-Sporting ou Sporting-Benfica é mais que um jogo de futebol. É a identificação de duas facções da cidade lisboeta. Desde os primordios, que os clubes têm raizes diferentes. O Sporting mais ligado as altas patentes da cidade, ao dinheiro, basta ver que a sua fundação foi baseada no dinheiro do avô de José Alvalade, o Visconde de Alvalade. O Benfica, esse, teve sempre raizes mais trabalhadoras e de sacrifício. basta ver os problemas iníciais, com grande dificuldade em ter um campo próprio, na fuga de jogadores por falta de condições, na quase falência, com ainda pouco tempo de existência.

Luisão, após o golo ao Sporting


Durante esta semana, apresentei os jogos entre os dois clubes, que mais importância e relevância para o futebol português tiveram. Não foram escolhidos por acaso, mas foram escolhidos, porque practicamente todos decidiram alguma coisa em termos de títulos. E mais ficaram por ser mencionados. Como não podería deixar de ser, o último jogo que vai ser apresentado, é mais um jogo decisívo na carreira de ambos os clubes. A época é a de 04/05, a jornada a 33ª mais uma vêz. Este jogo atingiu proporções vitais para ambos os clubes, pois tanto Benfica como Sporting tinha hipoteses de ainda chegar ao título. Ao Benfica só a vitória interessava, pois em caso de igualdade pontual, a vantagem era favorável ao Sporting no confronto directo. Ao Sporting só a derrota o afastava do título, e a equipa estava super moralizada, pois dias depois disputaría a final da Taça UEFA no seu estádio.
Á entrada para a 33ª jornada, as equipas partíam empatadas em pontos, fruto da derrota do Benfica em Penafiel e da vitória do Sporting em casa, frente ao Vit. Guimarães. Um dos possíveis beneficiados do resultado deste jogo era o FC Porto, que esperava um empate entre ambos, para na última jornada ainda acalentar esperanças de ser campeão. Um empate, como já disse, tirava quase todas as aspirações ao Benfica, pois necessitava que o Sporting perde-se no último jogo, na recepção ao Nacional.
O jogo começou com cautelas de ambos os lados, mas mais do lado do Benfica. Trapattoni, ao seu estilo, escalou a equipa em 4x2x3x1. José Peseiro usou o seu clássico 4x4x2 em losango, que tão bem tinha funcionado em grande parte da época. O Benfica dispôs de excelentes oportunidades de golo, com Simão a falhar amais flagrante, logo no início do segundo tempo, ao surgir isolado frente a Ricardo, mas a atirar ao lado. O Benfica mostrou sempre mais vontade de vencer a partida, até porque era mesmo necessário, pois só assim seríam atingidos os objectivos da época. Mas o nulo teimou em manter-se até perto do final da partida. Ao minuto 84, Petit bate uma falta. Quando toda a gente esperava que o lívre fôsse batido directo, embora a bola estivesse um pouco descaída para a esquerda do ataque encarnado, o médio marcou a falta para o meio da área, com a cabeça de Luisão a chegar onde as mãos de Ricardo não conseguiram, empurrando assim a bola para o fundo das redes do Sporting. Grande explosão de alegria nas bancadas, no terreno de jogo, nas ruas, por todo o lado. O jogo terminou pouco depois, com os jogadores do Sporting inconformados desde o lance do golo, onde pedíam falta sobre o guardião. Ricardo inclusivé, diz ao árbitro que Luisão marcou o golo com a mão, tal era o desespero dos jogadores, pois sabíam o que sgnificava a derrota. Mas nada feito. O golo valeu e o Benfica venceu e logo alí, começou a festa da conquista do título, que se confirmaría uma semana depois com o empate no Bessa, diante do Boavista, resultado mais que suficiente para alcançar a tão almejado título que fugia desde 93/94. Ainda assim foi necessário esperar até ao minuto 90, altura em que a Académica marcou o golo da igualdade no Dragão, para se ter a certeza de que o título não mudava de estádio. Mais uma vez tudo se decidiu no Benfica-Sporting da jornada anterior. Assim como o jogo de hoje toma as proporções de decisão para o segundo posto, lugar de acesso directo á Champions League. Uma derrota afasta practicamente o Benfica desse objectivo. Um empate deixa tudo na mesma, mas com ligeira vantegem leonina. Uma vitória do Benfica nada decide, mas dá um grande passo rumo a essa decisão. Enfim, mais um clássico de grandes emoções, ao nível dos aqui apresentados durante a semana. Espero sinceramente que tenha sido do vosso agrado e que tenha contribuido para mais um pouco de sabedoria dos meandros que envolvem o Grande Derby, o Derby Eterno.

Para a história, ficam aqui as equipas que alinharam nesse jogo:

SL Benfica: Quim, Miguel, Ricardo Rocha, Luisão e Dos Santos, Petit, Manuel e Fernandes, Geovanni, Simão e Nuno Assis, Nuno Gomes.
Treinador: Giovanni Trapattoni. Jogaram ainda: Mantorras, João Pereira e Alcides.

Sporting CP: Ricardo, Miguel García, Polga, Beto e Rui Jorge, Rochemback, Custódio, João Moutinho e Pedro Barbosa, Sá Pinto e Douala.
Treinador: José Peseiro. Jogaram ainda: Pinilla, Hugo Viana e Tello.

Fica aqui também um vídeo, com o golo do jogo:





28 de abril de 2007

SL Benfica 3-3 Sporting CP (Oitavos de Final da Taça de Portugal 04/05)

Depois dos 3-6 de Alvalade, o Benfica entrou em declínio. Esse declínio já era por demais evidente, mas após esse campeonato, as coisas agudizaram-se. Entraram treinadores atrás de treinadores, entraram e saíram jogadores atrás de jogadores, no fundo uma balburdia completa. Antes do completo jejum de títulos, convém recordar a Taça de Portugal ganha frente ao Sporting, na época de 95/96. Final de má memória para os adeptos do futebol. Aos 9 minutos Mauro Airez inaugura o marcador para o Benfica, e de imediato dois foguetes saem da bancada onde está situada a claque encarnada. Um cai na pista de atletismo do estádio Nacional, perto de onde os jogadores do Benfica festejam o golo. O outro, atravessa 200 metros em comprimento, ou seja, vai de um topo ao outro do estádio, para se alojar no peito de Rui Mendes, adepto do Sporting, que teve morte imediata. O jogo continuou, e o Benfica acabou por vencer o jogo por 3-1, com mais dopis golos de João Pinto. Devido ao sucedido, a Taça não foi entregue no final da partida, tendo sido depois, no Estádio da Luz.
Mais tarde, na época 97/98, numa altura em que parece que o Benfica quer sair do buraco em que caíu, a equipa encarnada, presidida pelo polémico presidente João Vale e Azevedo e treinada por Greame Souness, desloca-se a Alvalade, também num período não muito bom no campeonato, mas acaba por golear mais uma vez, desta feita por 1-4, com golos de Poborsky, Sousa, Brian Deane e mais uma vez João Pinto. O golo leonino foi apontado por Leandro.
Na temporada seguinte, o Derby ficou mnarcado para a última jornada, e na disputa pelo terceiro lugar, o benfica tinha mais dois pontos queo rival. O jogo foi no Estádio de Alvalade e mais uma vez o Benfica ficou por cima do Sporting, embora tendo-se registado um empate a três golos, que permitiu ao Benfica manter o 3º lugar.
Na época 99/00, por pouco o Benfica não vinga a temporada 85/86, época em que a vitória leonina em pleno Estádio da Luz deu o título ao.. FC Porto. Nesse jogo, na penúltima jornada, o Sporting podería sagrar-se Campeão Nacional ao cabo de 17 épocas, caso vencesse o rival, acabando assim com a série de cinco campeonatos cosecutivos ganhos pelo FC Porto, único a consegui-lo até ao momento. A noite era de gala, o Estádio estava pronto para festejar, e nada melhor do que o adversário ser o rival de sempre. Mas o Benfica não quis colaborar. O jogo não foi muito emocionante, e o resultado foi ficando num teimoso empate a zero, que ainda assim não servia aos interesses leoninos, que em caso de igualdade pontual perdiam no confronto directo para o FC Porto. Mas a dois minutos do fim, o grande balde de água fria. Lívre apontado por Sabry e golo para o Benfica, calando assim os adeptos leoninos. O FC Porto venceu o jogo desse fim de semana e a decisão do título ficou adiada para a última ronda, com Sporting e FC Porto separados apenas por um ponto. O Sporting acabaría no entanto por se sagrar campeão, vencendo o Salgueiros no sobrelotado Vidal Pinheiro, enquanto o FC Porto ia a Barcelos ser derrotado pelo Gil Vicente.
Há ainda um jogo que merece registo, que é o Benfica-Sporting da época 00/01, sendo o único Derby ganho por José Mourinho como treinador do Benfica, que coincide curiosamente com a pior época dos encarnandos, que terminaram o campeonato na 6ª posição, pior classificação de sempre do Benfica. O jogo foi no Estádio da Luz, no dia 3 de Dezembro de 2000. O Benfica estava num período algo conturbado, tinha começado mal a época, Greame Sounnes tinha sido despedido, e substituido por Mourinho, que não foi bem aceite por grande parte da direcção do Benfica e ainda para mais, a direcção encarnada já não era liderada por Vale e Azevedo, presidente que o contratou, mais sim por Manuel Vilarinho, que sempre disse ser Toni o seu treinador. O jogo correu de feição para o lado do Benfica que venceu por 3-0, com golos de Van Hooijdonk e João Tomas (2). No entanto a seguir a este jogo, Mourinho saíu do comando tecnico dos encarnados, ao que parece por ter pressionado os responsáveis benfiquistas a renovarem-lhe o contrato, pois tinha uma proposta em carteira, ao que tudo indicava ser do Sporting.
Em 03/04, mais um jogo de boa memória para as hostes encarnadas. Mais um derby na penúltima jornada, que apenas decídia a entrada na pré-eliminatória da Champions League. O Sporting, que até tinha practicado um bom futebol nessa temporada, fêz uma recta final de má memória: nas quatro últimas jornadas, conseguiu apenas 3 pontos em... doze possíveis, fruto de três derrotas e uma vitória, precisamente na última jornada. A entrada para penúltima ronda, precisamente a do encontro entre os dois rivais, as duas equipas estavam empatas em pontos, ambos com 70. O Sporting vinha de duas derrotas fora, no Bessa e em Leiría, e o Benfica vinha em alta, tendo vencido em Braga e em casa ao Estrela da Amadora. Mais uma vêz Alvalade foi o palco. O jogo foi mais ou menos disputado, mas o zero era a imagem de marca de um jogo em que estava muito a ganhar e qualquer erro podería ser fatal. Com a vantagem em caso de igualdade pontual a ser favorável aos leões, fruto da vitória da primeira volta, no Estádio da Luz, o empate até acabava por servir os interesses sportinguistas. Mas novamente a dois minutos do fim da partida, Geovanni pegou na bola e do meio da rua, sem oposição atirou um petardo que só parou no fundo das redes de Ricardo. Era a explosão de alegría dos adeptos encarnados e a frustração dos leões levou a que houvesse uma tentatíva de invasão de campo, por parte de elementos das claques afectas ao Sporting. Na última ronda, o Benfica não foi além de um empate na Luz, frente á União de Leiría, enquanto que o triunfo do Sporting em Guimarães tornou-se insuficiente.

Mas o jogo que realmente interessa relembrar, por todos os motivos, empolgante, parada e resposta, incerteza no resultado, e no fim ganho através das sempre injustas grandes penalidades, é o jogo que opôs o Benfica ao sporting nos Oitavos de final da Taça de Portugal da época 04/05, época do regresso ao título do Benfica.



O jogo foi no dia 25 de Janeiro de 2005, no Estádio da Luz. O árbitro foi o setúbalense António Costa.
O jogo começou practicamente com o golo encarnado a ser apontado por Geovanni, á passagem do 4 minuto de jogo, rápido, a aproveitar uma sobra após um lívre de Simão. O Sporting respondeu, e aproveitou alguma ansiedade encarnada, prícipalmente no sector defensivo, e antes dos vinte minutos já vencia por 1-2, com golos de Hugo Viana, também no seguimento de um lívre por ele apontado, e de Liedson. Mas Geovanni, decididamente o carrasco do Sporting nos últimos tempos, voltou a empatar a partida ao minuto 23, novamente na recarga de um lívre, desta feita apontado por Petit. O resto do jogo foi empolgante, com jogadas de perígo de ambos os lados, mas sem que o marcador se altera-se. No prolongamento, mais dois golos e mais emoção á mistura. Aos 110 minutos, já o Sporting jogava com dez, devido a expulsão de Hugo Viana e já na segunda metade do prolongamento, Paíto correu de costa a costa e passando a bola por entre as pernas do gigante Luisão bateu Quim, fazendo o 2-3 e pôndo os sportinguistas em polvorosa, pois ao que tudo indicava, o resultado parecía estar feito. Mas eis que surge Simão, que com um pontapé espontanêo, a fazer lembrar o golo de Rui Costa a Inglaterra no Euro 04, na mesma baliza, bateu Tiago e adiou tudo para as grandes penalidades. Nunca um Derby entre os dois clubes fora decidido através desta forma. E parecía que não quería mesmo. Foram necessárias 14 grandes penalidades para determinar o vencedor, que neste caso foi o Benfica, depois de Miguel García ter atirado á barra de Quim, sendo assim o único jogador a falhar uma grande penalidade nessa noite. O Sporting, considerado pela crítica, a melhor equipa, ficou pelo caminho, enquanto que o Benfica seguiu em frente, só parando na final, onde foi curiosamente derrotado pelo Vit. Setúbal.

Ficam para a história, as equipas que alinharam nesse jogo:

SL Benfica: Quim, João Pereira, Luisão Ricardo Rocha e Dos Santos, Petit, Manuel Fernandes e Geovanni, Bruno Aguiar, Simão e Nuno Gomes.
Treinador: Giovanni Trapattoni. Jogaram ainda: Alcides, Fissas e Carlitos.

Sporting CP: Tiago, Rogério, Enakarhire, Polga e Paíto, Custódio, Pedro Barbosa, Sá Pinto, Rochemback e Hugo Viana, Liedson.

Treinador: José Peseiro. Jogaram ainda: João Moutinho, Miguel García e Tello.

Fica aqui também um vídeo do jogo:

27 de abril de 2007

Sporting CP 3-6 SL Benfica (Época 93/94)

Equipa campeã, na recepção ao Vit. Guimarães

Depois dos 7-1 de Alvalde, muitos outros jogos entre Benfica e Sporting foram disputados, mas nenhum com a importância e o resultado tão desiqulibrado como o de 14 de Maio de 1994. Este foi o jogo dos celébres 3-6, que, da mesma forma que Manuel Fernandes foi o alicerce dos 7-1, João Vieira Pinto ajudou a construir. Mas recuando um pouco, até ao início da época, para as hostes encarnadas este jogo e este resultado, têm ainda mais significado. O Sporting tinha uma excelente equipa nesse ano, assim como em anos anteríores, mas faltava-lhe o título, algo que já não alcançava desde a época de 81/82. Na equipa leonina, desde essa época, tinham surgido alguns bons valores, como Paulo Futre, Oceano, Carlos Xavier, Balakov, Ivkovic, aos quais se lhes juntaram, já na década de 90 e depois dos mundiais de sub-20 de Riade e Lisboa, jogadores como Figo, Paulo Torres, Capucho, Nelson, Cadete, entre outros. Mas o presidente da altura, Sousa Cintra achou que eram poucos, e quis juntar mais alguns. O Benfica começava, já desde os inícios dos anos 90, a demonstrar alguma difículdade financeira. Falava-se em salários em atraso, dívidas ao fisco e passívo a aumentar. Sousa Cintra, numa operação cirurgica, acabou por levar dois jogadores do Benfica para o Sporting, aproveitando estas dificuldades financeiras, com os jogadores, Pacheco e Paulo Sousa, a alegarem salários em atraso e a rescindirem os seus vículos com justa causa. Mas, o presidente encarnado da altura, Jorge de Brito, foi fundamental num aspecto. É que caso não tivesse intervido de uma forma célere, poderíam ter sido três os jogadores a abandonarem o clube. É que Jorge de Brito, foi resgatar aquele que durante vários anos foi a bandeira do futebol encarnado, João Vieira Pinto. Á semelhança do que aconteceu na já longinqua data de 1907, em que o Sporting oferecia banhos quentes e camisolas trocadas ao intervalo e conseguiu roubar oito jogadores, Sousa Cintra ofereceu melhores salários e conseguiu roubar dois. Mas, por ventura, não conseguiu atrair o jogador que mais lhe apetecia atrair. É que, se Paulo Sousa foi um jogador de bom nível no meio campo leonino, tendo depois sido bem vendido á Juventus, o mesmo não se pode dizer de Pacheco, que nunca consegiu assumir a importância que tinha no plantel encarnado. Jorge de Brito, então, teve que se deslocar a Marbella, onde Sousa Cintra tinha escondido o "Menino de Ouro" e voltou com ele, tendo o jogador sido fundamental nessa época, na conquista do último título, antes do longo jejum.
Mas a noite de 14 de Maio, até se prevía adversa para os encarnados. O Benfica tinha feito uma época mais ou menos razoavel, mas vinha a perder fulgor. Depois de vitórias concludentes sobre alguns clubes mais fracos, como o Famalicão que saíu vergado da Luz ao peso de uma derrota de 8-0, até ao facto de não ter perdido nenhum clássico até essa data, com um empate nas Antas logo na 1ª jornada do campeonato a 3 golos, tendo depois vencido na Luz, por 2-0 e tendo também já vencido o Sporting na Luz, também por 2-0, o certo é que chegava a esta fase da época, quando faltavam 5 jogos para o fim, apenas com um ponto de vantagem sobre o Sporting, devido ao empate cedido na jornada anterior frente ao Estrela da Amadora, enquanto que os leões tinham goleado o Beira-Mar, em Aveiro, por 0-4.
Durante essa semana, os jornais noticíavam uma derrota do Benfica, pois segundo eles, a equipa encarnada estava velha, o que contrastava com a juventude e irreverência do conjunto verde e branco, e também pelo desgaste que o jogo podería ter, pois no dia do encontro choveu com bastante intensidade, o que tornou o terreno pesado. Toda esta envolvência criou um excesso de confiança em tudo o que era Sporting, que até o speaker do estádio, antes do início do jogo, anunciou um prémio para o jogador do Sporting que marcasse... o 4º golo da noite. E por pouco não aconteceu. O que ninguém contava, era com o vendaval João Pinto.
Mas o jogo até começou bem para o Sporting, com Cadete a abrir o activo logo aos 8 minutos de jogo. Mas o festival João Pinto começou á passagem da meia hora, quando com um movimento de corpo a retira do caminho dois sportinguistas e a rematar sem hipoteses para Lemajic. Figo ainda voltou a dar vantagem aos leões, pouco depois, com um golo na pequena área, já quase dentro da baliza, na sequência da marcação de um lívre, mas depois ninguém mais conseguiu parar o grande artista. Dois minutos depois, João Pinto leva meia equipa leonina atrás e depois de tirar Vujacic da frente, bateu cruzado sem hipoteses mais uma vez para o guardião leonino. Ainda antes do intervalo, mais um golo de João Pinto, de cabeça, pôs o Benfica pela primeira vez em vantagem. Estava consumada a reviravolta, e tudo isto em 14 minutos. A saga de João Pinto continuou no segundo tempo, assistindo Isaias para os 4º e 5º golos do jogo. Só no sexto não teve participação directa. Balakov ainda atenuou a desvantagem a 10 minutos do fim, mas nada iría roubar a vitória ao Benfica, que arrancou decididamente para o título, agora com três pontos de vantagem sobre o segundo classificado. O Sporting acabou a época na 3ª posição sendo ainda ultrapassado pelo FC Porto, tendo o Benfica sido campeão com dois pontos de avanço sobre os azuis e brancos. João Pinto foi considerado pela crítica, como o melhor em campo, tendo inclusivé levado nota 10 do jornal A Bola, algo que ainda não tinha acontecido, nem voltou a acontecer. De referir que João Vieira Pinto entra na história dos classicos, por ser o único jogador encarnado a apontar um hattrick pelo Benfica em casa do Sporting desde 1908, ficando á frente de jogadores como Eusébio, José Águas, Arsénio, Rogério ou Nené. Depois deste jogo, o Benfica recebeu a União da Madeira e venceu por 1-0, indo festejar o título ao Norte, no jogo com o Gil Vicente, que o Benfica acabou por vencer por 0-3. Já campeões ainda receberam o Vit. Guimarães (empate a zero) e deslocaram-se ao Bessa (derrota por 1-0) para fechar o campeonato.

Fica aqui um vídeo do jogo. Infelizmente não consegui encontrar nenhum que contivesse também os golos do Sporting, por isso só verão os golos do Benfica.

26 de abril de 2007

Sporting 7-1 SL Benfica (Época 86/87)

Entre a espectacular final de 1952 e este jogo em 1986, passaram-se 34 anos e muitos casos emocionantes, envolvendo as duas equipas. Desde as vitórias do Benfica na Taça dos Campeões Europeus, passando pela vitória leonina na Taça das Taças de 64, o momento que mais salta a vista entre os clubes e que ajudou a criar mais um foco de rivalidade, foi a chegada de Eusebio para o Benfica. Depois de alguma disputa, que teve momentos carícatos, como o facto de Eusebio ter desembarcado em Portugal, vindo de Moçambique com o nome de código Ruth para que ninguém soubesse quem era, até estar escondido no Algarve até poder jogar pelo Benfica.


Eusébio

Mas a nível de jogos, há muita coisa que merece ser destacada. Em 1965, o Sporting deslocou-se ao Estádio da Luz, que já tinha sido inaugurado, assim como o de Alvalade. Mas nesse jogo, a particularidade, é que o Sporting já não vencia em terreno encarnado... a 11 anos. A última vitória leonina em casa do Benfica, foi em Janeiro de 54. O resultado desse jogo foi de 1-4, com o héroi a ser Lourenço, o autor dos 4 golos da partida. Há também a rábula do brinco de Vitor Baptista. Esta situação decorreu durante um jogo entre os dois clubes, que cúlminou com vitória encarnada por 1-0. O golo foi apontado pelo Vitor Baptista, que nos festejos acabou por perder o brinco. O carícato é que pôs toda a gente á procura da peça durante algum tempo. No final da partida, embora contente pelo resultado, Vitor estava frustrado, pois segundo ele tinha perdido dinheiro a trabalhar. É que o Brinco custara-lhe 12 contos, enquanto que o premio de jogo foi de apenas 8....
Em 78/79, mais um derby que fica na história, como o Derby dos 5-0 ao intervalo, tando a vitória sorrído aos encarnados, que apontaram todos os golos no primeiro tempo e em 35 minutos.
Em 85/86, o jogo entre leões e águias fica na história, pelo facto de a vitória leonina ter dado o título... ao FC Porto. O Benfica recebeu o Sporting, que já não vencia na Luz desde 1965, no jogo do poker de Lourenço acíma mencionado. O Benfica era primeiro na altura, com mais dois pontos que o FC Porto. A vitória leonina deixou o Benfica em pé de igualdade pontual para os rívais do Norte, mas perdia em confronto directo. Esta derrota afectou os encarnados, que acabaram o campeonato com menos dois pontos que os azuis e brancos, pois ainda seríam derrotados pelo Boavista na última ronda.

Mas o jogo que marca a história dos Derbies até ao momento, é o Sporting-Benfica de 14 de Dezembro de 1986, que terminou com o resultado de 7-1 favorável aos leões, e que se tornou assim na vitória mais volumosa em jogos entre os dois clubes. Este foi um jogo em que correu tudo bem ao Sporting, e tudo mal ao Benfica. Mas sobretudo, correu tudo bem a Manuel Fernandes.
A tarde era de chuva e o primeiro tempo, não deixava antever a catastrofe encarnada no segundo. Ao intervalo, o Sporting vencia com um normal 1-0, golo apontado por Mario Jorge, á passagem do quarto de hora.
No reinício da 2ª parte, Manuel Fernandes abriu o lívro. Logo aos 50 minutos elevou a contagem para 2-0. Wando ainda reduziu aos 59 minutos para o Benfica, fazendo os adeptos encarnados acreditarem na reviravolta. Mas Manuel Fernandes esteve imparável, e o Sporting apoiado no seu futebol chegou ao 3-1 e ao 4-1, por intermédio de Meade e novamente Mario Jorge. Nos últimos 20 minutos, Manuel Fernandes fêz o resto, apontando mais três golos e consumando a humilhação encarnada. O intrépido avançado leonino, ainda guarda religiosamente a bola do jogo, pois no dia em que se realizou o encontro, a filha do ex-jogador fazia anos, de modo que serviu de prenda. O jogo teve ainda outra particularidade. Foi árbitrado por Vítor Correia, precisamente o mesmo árbitro do jogo da segunda volta, que terminou com vitória benfiquista por 2-1. Estes 7-1, no entanto de nada serviram, pois o Benfica acabou por se sagrar campeão nessa época, com mais 14 pontos que o Sporting, que não conseguiu melhor que o 4º lugar, atrás de FC Porto e Vit. Guimarães.

Ficam para a história, as equipas que alinharam nesse jogo:

Sporting CP: Damas, Gabriel, Vírgilio, Venâncio e Fernando Mendes, Oceano, Litos, Mário Jorge e Zinho, Meade e Manuel Fernandes.
Treinador: Manuel José. Jogaram ainda: Duílio e Silvinho.

SL Benfica: Sílvino, Veloso, Dito, Oliveira e Álvaro Magalhães, Shéu, Diamantino, Chiquinho Carlos, Carlos Manuel e Wando, Rui Águas.
Treinador: John Mortimore. Jogaram ainda: Nunes e César Brito.


Fica aqui um vídeo do jogo:


SL Benfica 5-4 Sporting CP (Final da Taça de Portugal, época 51/52)

No seguimento do post anterior, e devido a problemas alheios, não consegui por on-line os posts referentes a dois jogos entre Benfica e Sporting, como tinha prometido. Por isso ficarão aqui e agora a referência a mais dois excelentes jogos de futebol entre estas duas equipas.

O jogo de hoje, faz referência á primeira final da Taça de Portugal, disputada entre os dois clubes. Mas antes disso, um pouco de história..

Equipa que venceu o Sporting pela 1ª vez, em 1908


Depois do primeiro jogo entre o Sport Lisboa e o Sporting CP, em 1907, as equipas voltaríam a encontrar-se para disputar a segunda volta do Regional de Lisboa, e o Sporting voltou a vencer. O Benfica chegou á primeira vitória em Derbies, apenas ao terceiro jogo, em 25 de Outubro de 1908. Nesse jogo, o Sporting estreou as camisolas a duas cores, metade verde, metade branca, conhecidas hoje como as camisolas Stomp, em homenagem a um dos fundadores e mais emblematico atleta do clube. O resultado desse jogo foi de 2-0, favorável aos encarnados.
Mas entre o início do século e meados do mesmo, muita coisa sucedeu. Desde logo salta á vista o jogo entre ambos os clubes na época de 47/48, em que o sporting venceu o campeonato ás custas do Benfica, naquele que ficou conhecido como o "campeonato do pirolito". Os encarnados receberam os leões a poucas jornadas do fim, e com vantagem pontual e no confronto directo fruto de vitória por 3-1 em casa do Sporting na primeira volta, tinham tudo para se poderem sagrar campeões. Além do mais, o Sporting apenas tinha vencido o Benfica por 3 vezes em 25 jogos, no terreno destes. Mas o impensável aconteceu, e o Sporting acabou por vencer por 1-4, com 4 golos do fantástico Peyroteo, pérola leonina da altura. Os golos foram marcados em apenas 35 minutos, e após percurso identico até final do campeonato, o Sporting sagrou-se campeão, com os mesmos pontos do Benfica, mas com vantagem de 5-4 no confronto directo entre ambos...
há também que relembrar, a época de 45/46, época em que o Belenenses se sagrou campeão. Os derbies entre os dois clubes, atingiram níveis de emoção bastante altos. No campo do Lúmiar, terreno do Sporting, o Benfica vencia por 0-3. Mas o resultado final acabou por ser.. 4-3 a favor dos leões, que efectuaram reviravolta fantástica, reduzindo ainda antes do intervalo, a diferença para 2-3, dando a machadada final já no segundo tempo. Mas o Benfica vingou-se no jogo da segunda volta. No Campo grande, os encarnados receberam os leões. O resultado, esse, fixou-se nos 7-2 favorável aos encarnados. Este foi o maior registo do Benfica em jogos frente ao Sporting, que chegou a estar a perder por 7-1, tendo Peyroteo reduzido a diferença a 5 minutos do fim da partida... O pecúliar deste jogo, é que os 9 golos foram todos apontados.. no segundo tempo e em 40 minutos...

Mas o melhor jogo entre ambos os clubes, estava guardado para a final da Taça de Portugal, da época de 51/52, a primeira entre ambos os clubes. Tanto Benfica como sporting já tinham vencido a competição, alías, o Benfica detinha já o record de vitória mais volumosa numa final, ao vencer o Estoril por 8-0.
O jogo foi no dia 15 de Junho de 1952, no Estádio Nacional. O jogo começou practicamente com o golo de Albano para os leões, logo aos 9 minutos de jogo, e de grande penalidade. O Benfica empatou ainda antes do intervalo, por Rogério "Pipi", também de grande penalidade.
Num jogo em que houve espectaculo, quatro revira-voltas no marcador, um hattrick e três grandes penalidades, uma delas falhada, o melhor ficou para a segunda parte. O Benfica entrou melhor e logo a abrir, Corona deu vantagem aos encarnados. Mas seis minutos depois, o Benfica já perdia por 2-3, com golos-relâmpago de Rola e Martins aos 51 e 55 minutos, respectivamente.
Mas como o jogo era impróprio para cardiacos, Rogério "Pipi", que na altura já tinha falhado uma grande penalidade, restabeleceu a igualdade ao minuto 69. Mas Rola voltaría a dar vantagem ao Sporting apenas dois minutos depois, com Raul Águas a restabelecer a igualdade aos 74 minutos de jogo. Ou seja, 3 golos novamente em 5 minutos apenas. Mas o melhor estava guardado para o minuto 90, quando Rogério "Pipi", deu a vitória ao Benfica já no minuto 90, depois de bem assistido por Águas. O esguio avançado encarnado, que detém o recorde de golos em finais de Taça (15), disse sobre o momento: "foi um momento inolvidavel. Quando o Águas me passou a bola, tive um pressentimento de que algo de bom ia acontecer. Via a Taça á minha frente, corri quanto pude, rematei e pareceu que a bola demorou um século a entrar na baliza. Depois a festa. Foram tão fortes e tantos os abraços dos colegas, que quando dei por mim, estava estendido no solo". De facto o delírio era tanto, que minutos depois o árbitro da partida teve alguma difículdade em dar por terminado o jogo, tendo que se fazer entender por gestos, tal era o ruído vindo das bancadas que nem deixou ouvir o apíto final. Quando se percebeu que o jogo terminara, a festa foi total, e no relvado os adversários abraçaram-se em sinal de que tinha sido um grande jogo, e que tinha vencido o melhor. Este jogo assinalou a despedida do Capitão encarnado na altura, Francisco Ferreira, autor da alcunha do "Pipi". Esta final, continua a ser considerada a melhor e mais emotiva final da Taça de sempre, até porque detém o recorde de golos apontados que é de 9.

Ficam para a história, as equipas que alinharam nesse jogo:

SL Benfica: Bastos, Artur e Fernandes, Moreira, Félix e Francisco Ferreira, Arsénio e Rogério, Corona, Águas e Rosário.
Treinador: Cândido Tavares.

Sporting CP: Carlos Gomes, Juvenal e Pacheco, Veríssimo, Passos e juca, Travaços e Albano, Pacheco Nobre, Martins e Rola.
Treinador: Randolhp Galloway.

23 de abril de 2007

Benfica-Sporting - O Derby eterno....

Primeira equipa do Benfica


Para o próximo fim de semana, estão reservados os últimos derbys deste campeonato. A jornada opõe o Benfica ao Sporting e o FC Porto ao Boavista, sendo que são dois jogos que podem clarificar muito, a decisão sobre o título. Mas destes dois jogos, salta a vista o mais antigo e mais apaixonante jogo de futebol, que Portugal alguma vêz viu. Refiro-me claro, ao Benfica-Sporting.
Os jogos entre estas duas equipas são quase seculares (fará 100 anos em 1 de Dezembro deste ano), e as histórias são mais que muitas. Desde goleadas entre rivais, até roubos de jogadores, passando por vitórias que deixaram um ou outro mais loge do título, o Benfica-Sporting tem mil e uma histórias para contar.
Como não podía deixar de ser, o A Bola é Redonda, fará, até ao dia do jogo, uma viagem pelos Benfica-Sporting, ou Sporting-Benfica mais importantes e mais intensos da história. Será apresentado um jogo por dia, e como é claro, fazendo referencia a outros. Acompanhem-nos nesta viagem.

Olhando para o lado estatistico do jogo, Benfica e Sporting já se defrontaram por 272 vezes em jogos oficíais, sendo que 145 são para o campeonato nacional.
Neses 272 jogos, a supremacía benfiquista é bem patente, registando-se 118 vitórias (67 para o campeonato), 53 empates (34 para o campeonato) e 101 vitórias do Sporting (44 para o campeonato). Em golos a vantegem do Benfica também é evidente: 465, contra 433 dos leões.

Mas a existencia de Benfica e Sporting não foi pacífica desde o primeiro dia. O Sport Lisboa, clube que está na génese do Benfica, nasceu em 1904, nas traseiras da Farmácia Franco, em Belém. O Sporting surgiría dois anos depois, em 1906, aquando da cisão no seio do Campo Grande FC, de onde saíu José Alvalade, fundador do Sporting Clube de Portugal, em conjunto com os irmãos Stomp e Gavazzo.

O primeiro jogo entre estes dois clubes, que deu o pontapé de saída nos Derbys, deu-se a 1 de Dezembro de 1907, e logo rodeado de polémica. O Sport Lisboa teve sempre grandes dificuldades para sobreviver, enquanto que o Sporting vivia na sombra do dinheiro do avô de José Alvalade, o Visconde de Alvalade. Desde logo, essa abundância financeira, proporcionou a primeira debandada histórica de jogadores entre os dois clubes. O Sporting oferecia banhos quentes aos jogadores e trocas de camisola ao intervalo, enquanto que o Sport Lisboa nem sequer campo de jogos podía oferecer. Nesta situação, o primeiro derby entre os clubes, contou na equipa que alinhou de início pelo Sporting, com 8 jogadores que abandonaram o Sport Lisboa. Foram eles: José da Cruz Viegas, Emilío de Carvalho, Albano dos Santos, António Couto, António Rosa Rodrigues, Candido Rosa Rodrigues, Daniel Queirós dos Santos e Henrique Costa.
O jogo realizou-se na Quinta Nova, campo utilizado pelo Sport Lisboa, e o árbitro foi o inglês Burtenshaw. O resultado, esse, foi de 1-2 favorável aos leões, tornando-se assim no primeiro a vencer um derby. O jogo foi realizado debaixo de uma chuva brutal, mas nem isso afastou os espectadores que acorrera em grande número para verem um jogo de futebol. O Sporting marcou primeiro, por intermedio de Cândido Costa Rodrigues, um dos oito "traidores", ainda no primeiro tempo. O Sport Lisboa chegou ao golo pouco depois do recomeço do segundo tempo, com o golo a ser apontado por Corga. O segundo golo surgiu já depois de algum tempo de paragem do jogo, devido a intensidade da chuva, e apontado na própria baliza, por um dos fudadores e mais emblematico elemento do Sport Lisboa, Cosme Damião. Já depois deste primeiro encontro, aconteceu a fusão de dois clubes que deu origem ao Sport Lisboa e Benfica que hoje conhecemos, quando o Sport Lisboa agregou o Clube Sport Benfica três meses depois, assumindo a data de fundação do Sport Lisboa, como data de nascimento do Sport Lisboa e Benfica. Assim sendo, o jogo de 1 de Dezembro de 1907 foi o pontapé de saida dos jogos entre Benfica e Sporting.




Ficam aqui recordadas as equipas que alinharam nesse primeiro encontro.


Sport Lisboa: João Persónio, Luís Vieira e Leopoldo Mocho, Alves, Cosme Damião e Marcolino Bragança, Félix Bermudes, António Costa e Eduardo Corga, António Meireles e Carlos Fraça.


Sporting CP: Emílio de Carvalho, Queirós dos Santos e José Belo, Albano dos Santos, António Couto e Nóbrega de Lima, António Rosa Rodrigues, Cândido Rosa Rodrigues e Jacob Eagleson, Cruz Viegas e Henrique Costa.