
Mário Paulo, presidente do Oliveira do Douro, referiu em entrevista ao Jornal Audiência do passado dia 8 de Setembro, que João Pinto, mítica figura do clube oliveirense, ajudou muito o clube mas também o prejudicou: "O João Pinto é uma pessoa com quem tenho uma grande amizade e a quem agradeço tudo o que fez pelo clube. No entanto, como também já lhe disse a ele, apesar de ter ajudado muito o clube também o prejudicou". Isto no sentido, segundo o actual presidente, de 'luvas' concedidas a alguns jogadores para estes virem jogar para o clube: "Havia juito jogador que ganhava umas 'luvas' para assinar pelo Oliveira do Douro e no final da época ganhava outras 'luvas'. Outros tinham uma parte do ordenado pago pelo clube e outra paga pelo João Pinto", referindo que essa foi uma das contrariedades que teve para conseguir segurar o plantel: "Tive muitas dificuldades em manter o plantel porque pensava que eles ganhavam X e afinal ganhavam Y. Havia jogadores a ganhar o que não ganham em clubes da 2ª Nacional, o que acabou por prejudicar o clube".
Entre outros assuntos abordados na entrevista, Mário Paulo diz que quando chegou ao clube, o encontrou "da maneira que esperava. A nível financeiro está estável, sem dívidas" e fazendo um balanço destes cerca de dois meses de mandato, o presidente afirma que "tem sido cansativo, porque é complicado pegar numa direcção como eu peguei. Nos séniores, de 25 jogadores ficaram apenas sete, tivemos que negociar os contratos desses sete e ainda arranjar mais jogadores. Tivemos que renegociar também todos os patrocinadores que estavam ligados à direcção anterior e isso foi muito trabalhoso".
Questionado sobre o porquê de quase todo o plantel ter saído, Mário Paulo explica:
"Houve casos, a maioria, em que não chegamos a acordo por pequenas divergências de valores quase insignificantes. Outros houve, como foi o caso do Correia, que era muito importante para o clube, mas que não foi possível segurá-lo", explicando de seguida o porquê:
"Quando negociamos dei-lhe conta da situação financeira do clube, mas ele não quis saber, só se interessava em ganhar o que queria. Não gostei daquela posição e, sinceramente, até fiquei contente por ele não ficar", concluiu o presidente.
Sobre o corte orçamental a que o clube foi sujeito, Mário Paulo explicou que "até deveríamos ter feito mais" e sobre José Cardoso, ex-treinador do clube ao cabo de dois jogos oficiais, disse que o foi buscar porque "o considero uma pessoa e um treinador excelente. Apostei nele sem reservas, foi a minha primeira opção". Relativamente às implicações de um corte orçamental tão brusco, Mário Paulo afirmou-se ciente das dificuldades que isso poderia acarretar: "A nível de futebol sénior tivemos que levar a cabo um corte orçamental muito grande que, obviamente, se vai reflectir no plantel. Já sei que o clube vai ter muitas dificuldades, até porque financeiramente a Série B é melhor que a C mas, em termos desportivos é mais difícil. Mas tenho muita fé e já apostei com algumas pessoas que vamos conseguir manter o clube na 3ª Nacional".
Por último, mário Paulo deixou um pedido aos sócios e às empresas de Oliveira do Douro: "Peço aos sócios que tenham calma e paciência e que pensem que se A, B ou C não ficaram cá, é porque não temos dinehiro para lhes pagar", afirmando também que única aposta pessoal, em termos de jogadores, foi Rabaça: "O único jogador que foi uma aposta pessoal e que contratei logo que entrei foi o Rabaça". Às empresas, Mário Paulo pede que "apostem no Oliveira do Douro, que é uma referência do Concelho e façam publicidade nas camisolas dos séniores".