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Pedro Chaves deixou o Pedroso
em solidariedade com Manuel Rocha |
Pedro Chaves foi um dos jogadores que deixou o plantel do Pedroso em solidariedade com o técnico, Manuel Rocha. Com ele, mais quatro atletas também saíram, no caso, Luciano, Nuno, Bruno Teixeira e André Cancela, mas segundo o ex-capitão pedrosense, eram mais os jogadores que tiveram a mesma tomada de posição, mas acabaram por voltar atrás. O próprio explica de seguida, o que motivou o treinador a sair do clube e porque é que os atletas quiseram também seguir-lhe as pisadas.
Pedro Chaves começa por explicar que tudo começou ainda na pré-época: "No início desta época tive oportunidades de jogar noutros sítios, mas a boa relação que tenho com o mister Neca (Manuel Rocha) e a insistência de alguns amigos que também poderiam ir para outros clubes, fizeram com que nos unisse-mos com o objectivo interno de subir de divisão. Este objectivo foi partilhado pela direcção aos jogadores mas não traduzido em acções. O presidente apesar de boa pessoa, é novo no mundo do futebol e sofreu forte influência da parte de quem já lá estava no clube", disse o jogador, que diz ainda que, apesar do esforço, se sentiram esquecidos: "Os jogadores andam no Pedroso por gosto ao futebol e à camaradagem, mas daí até não haver o mínimo de preocupação para com os seniores, para uma equipa que quer subir de divisão... Começamos a pré-época com muitos casos, desde irmos treinar a Ermesinde e chegamos lá e ter que voltar, porque afinal o Ermesinde já tinha avisado um director para desmarcar o jogo. Fomos fazer uma série de jogos, alguns que nos ocuparam a tarde toda, e nem lanche nem nada para o jogadores", abordando mais alguns casos caricatos: "Os treinadores e alguns jogadores é que tiveram a preocupação de comprar bolas para jogar na relva, pois o clube tinha poucas e danificadas. Na apresentação aos sócios foi uma confusão por causa de equipamentos trocados e tudo feito em cima do joelho, até que os jogadores tomaram a decisão de pagar os seus próprios equipamentos de jogo, por forma a ter um uniforme", afirmando também que a direcção não se tem mostrado muito presente no apoio à equipa: "Tudo isto aliado à pouca presença da direcção junto da equipa era prenúncio de que o plantel teria que lutar sozinho", afirmou.
Pedro Chaves aborda a saída do treinador do clube, relacionada com questões entre o técnico e a direcção, que não foram satisfeitas: "A gota de água foi a não resolução de uma situação em que o mister deu tempo para que fosse resolvida, e que eles, pareceu-me propositadamente, não resolveram a tempo e horas o que fez com que batesse com a porta. Antes, avisou primeiro o plantel e nesse momento os jogadores nem treinaram em solidariedade com o ele", desencadeando a partir deste momento, uma reacção em cadeia que se estendeu ao plantel, mas que esteve a quase para ser resolvida: "No dia seguinte eu como capitão e o Tiago também um dos capitães, marcamos uma reunião com os jogadores que abandonaram o clube, quase todos, e acabei por telefonar ao treinador para ir ter connosco. Ele juntou-se a nós e dissemos-lhe que ele era a pessoa ideal para nos comandar. Ele, algo emocionado, acabou por dizer que por nós voltaria ao clube". Pedro Chaves e mais alguns jogadores reuniram com a direcção, mas a abordagem com o técnico fez com que este voltasse atrás com a decisão de ficar no clube: "Pedimos então ao presidente para ligar ao mister, e este foi ao clube. No entanto, achou ridícula a abordagem que tiveram para com ele e definitivamente bateu com a porta. Ligou-me imediatamente a seguir à reunião e eu tratei de dizer aos jogadores o que se estava passar e para também não contarem comigo".
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Manuel Rocha ainda pondeu
voltar ao clube pelos jogadores
mas acabou por manter a sua decisão |
Depois disso, foram os próprios atletas a tentar solucionar o caso, mas sem o conseguirem:
"Nessa reunião, nada de novo. Atitude arrogante e prepotente por parte da direcção. Reunião quente da qual saí com a ideia que mais ninguém que estava lá regressaria ao clube, apesar de eu e os meus companheiros que não ficaram, sempre incentivarmos a ficar quem quisesse e se sentisse bem", afirmou o jogador. Contudo, a maioria dos atletas voltaram com a palavra atrás:
"No dia seguinte havia jantar de convívio entre os jogadores e a equipa técnica demissionária e para meu espanto, os jogadores chegaram mais tarde porque tinham ido treinar, ou seja, regressaram ao clube. Contente pela decisão deles mas ao mesmo tempo surpreso, pois como é que de um dia para o outro e eu sendo o capitão e também o vice-capitão não fomos avisados por ninguém de que tinham regressado ao clube", atestou o jogador com alguma mágoa.
Pedro Chaves, André Cancela, Bruno Teixeira e Luciano estiveram no jogo do passado domingo entre o Pedroso e o Progresso, que terminou empatado a uma bola. O médio mostrou-se desagrado com alguns insultos que ouviu por parte dos adeptos presentes no estádio: "No domingo fui ver o jogo, juntamente com o Luciano, André Cancela e o Bruno Teixeira para apoiar os amigos, porque nós gostamos muito dos amigos e porque apoiamos o FC Pedroso, mas fomos insultados por alguns adeptos e acarinhados por outros", deixando uma mensagem a quem o criticou: "A essas pessoas gostava de dizer que não estou no Pedroso por dinheiro, porque sei que é um clube pobre. É um clube que gosto e que sempre honrei enquanto joguei e se agora não estou lá, é porque não sinto condições para servir o clube da melhor forma, pois acho que merece mais do que andar sempre a lutar para subir sem o apoio da direcção", afirmou, mas também deixou uma mensagem de apoio a quem sempre esteve do lado dos jogadores: "Estou grato a muitas pessoas no clube, amigos e massa associativa, que me apoiaram muitas vezes e a alguns elementos da direcção que sabem que também gosto deles. Desejo o melhor sucesso ao clube e contarão sempre com o meu apoio, mas agora do lado de fora", concluiu o jogador