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26 de junho de 2010

Portugal 0-0 Brasil

Estádio: Durban, na cidade de Durban
Hora: 15h
Árbitro: Benito Archundia (México)

Portugal: Eduardo, Ricardo Costa, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Fábio Coentrão, Pepe, Raul Meireles e Tiago, Duda, Danny e Cristiano Ronaldo
Jogaram ainda: Simão, Pedro Mendes e Miguel Veloso
Treinador: Carlos Queiroz

Brasil: Júlio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos, Gilberto Silva, Filipe Melo, Daniel Alves e Júlio Baptista, Nilmar e Luís Fabiano.
Jogaram ainda: Josué, Ramires e Grafite.
Treinador: Dunga

Disciplina: Cartão amarelo para Duda, Tiago, Pepe e Fábio Coentrão para Portugal e Luís Fabiano, Juan e Filipe Melo para o Brasil.


Portugal conseguiu o apuramento para os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo, ao conseguir arrancar um empate a zero perante o Brasil, garantindo assim o segundo lugar no Grupo G.
O jogo teve alguns motivos de interesse, apesar de ser algo quezilento durante a primeira parte, onde foram vistos sete cartões amarelos, fruto de alguma impetuosidade nalgumas jogadas e também, devido a algum exagero por parte da equipa de arbitragem. Apesar de dizer que não iria jogar para o empate, Carlos Queiroz surpreendeu, ao realizar quatro alterações e sem jogar com uma referencia no ataque, dando essa missão a Cristiano Ronaldo, que sozinho foi chegando para as encomendas. Promoveu à titularidade Ricardo Costa, no lugar de Miguel e Pepe no lugar de Pedro Mendes, Danny e Duda formaram as alas.
O Brasil, na primeira aprte foi mais perigoso e poderia ter chegado ao golo num lance a meio do primeiro tempo, com Ricardo Carvalho e Ricardo Costa a falharem e a deixarem Nilmar aparecer nas costas em posição de rematar, valendo a intervenção de Eduardo, que conseguiu desviar a bola para o poste. A dinâmica ofensiva portuguesa fêz-se sobretudo pelo lado esquerdo, onde fábio Coentrão esteve mais uma vez endiabrado e não se amedrontando nem com Maicon nem com Dani Alves, mas também com alguma visão de jogo de Tiago, hoje menos preponderante do que contra a Coreia do Norte, mas mesmo assim com alguma influência na forma como Portugal saiu a jogar. Ainda assim, o Brasil poderia ter voltado a marcar, pouco antes do intervalo, novamente com falhas de Ricardo Costa e Ricardo Carvalho, que deixaram Luis Fabiano aparecer entre os dois, no entanto, a cabecear ao lado.
Já na segunda parte, seria de esperar que o treinador português arrisca-se um pouco mais no ataque, até porque o Brasil não estava a jogar tudo o que sabe, uma vez que também Dunga se viu forçado a fazer algumas alterações, casos de Káká (castigado), Elano (lesionado), tendo deixado de fora Robinho por opção. Mas o risco foi nulo e Portugal continuou a jogar apenas com Cristiano Ronaldo sozinho na frente. Simão entrou para o lugar de Duda e logo pôs à prova Júlio César, mas a grande ocasião de golo deste segundo tempo esteve nos pés de Raul Meireles, após uma boa jogada de Cristiano Ronaldo, após uma recuperação de bola do médio do FC Porto. O extremo português deixou quatro brasileiros para trás e já dentro da área acaba por ser Lúcio, que ao cortar a bola apôs nos pés de Meireles, que atirou à baliza, mas Júlio César teve um toque providencial na bola, desviando-a para canto. Queiroz continuou a querer defender o empate e fez entrar Pedro Mendes para o lugar de Duda e posteriormente Miguel Veloso para o lugar do esgotado Raul Meireles. Do lado do Brasil, algum nervosismo, fruto do bom jogo que Portugal acabou por realizar, defendendo o empate, embora Ramires ainda tivesse proporcionado  mais um bom momento a Eduardo, com a bola a desviar em Bruno Alves, garantindo assim o nulo no marcador e a passagem à fase seguinte sem sofrer golos.

Analise do jogo

Apesar do empate ser um bom resultado e garantir a passagem Às duas equipas, não posso deixar de voltar a criticar o Seleccionador Nacional. Desta feita e num jogo de enorme responsabilidade, apesar de o apuramento estar quase seguro, penso que foi uma opção de risco incluir Pepe e Ricardo Costa. Pepe porque e apesar de ser uma excelente solução para jogar à frente dos centrais, não tem ritmo nem rotinas de jogo e isso viu-se na forma de abordar os lances, o que lhe valeu um cartão amarelo e proporcionou vários lances que poderiam ter sido mais perigosos para a baliza de Eduardo na primeira parte. O luso-brasileiro não jogava desde Setembro último, por isso penso que foi uma idéia completamente descabida que acabou por correr bem. Já Ricardo Costa, não me pareceu que fosse este o jogo ideal para ele se estrear, por tudo aquilo que envolvia e pela rapidez que os laterias brasileiros imprimem ao jogo. Não foi por acaso que as duas grandes oportunidades de golo do brasil durante toda a primeira parte foram nos espaços entre Ricardo Costa e Ricardo Carvalho, precisamente pela falta de rotinas entre ambos. Há que ver que Carlos Queiroz não apresentou o mesmo lateral direito em nehum dos três jogos desta fase, o que também não dá estabilidade a quem faz o lugar. Penso que Miguel poderia ter mantido a titularidade, embora o jogador mais indicado para este jogo fosse Paulo Ferreira.
Abordar um jogo que não sendo decisivo, era importante, sem uma referencia de ataque, parece-me outra idéia descabida. É certo que Cristiano Ronaldo fez bem o que o treinador lhe pediu, mas em várias situações, uma referencia na área seria importante, até para manter os centrais brasileiros mais presos à sua posição. Penso que Hugo almeida poderia ter mantido também a titularidade, até porque sendo possante, poderia ter aberto espaços para os médios, Tiago e Raul Meireles, aparecerem em zona de finalização e causarem mais estragos.
Tenho que voltar a abordar as substituições claramente defensivas que Queiroz realizou. Simão por Duda, uma troca por troca que até veio dar mais vivacidade à ala direita do ataque português. Mas quando entrou Pedro Mendes pedia-se um avançado. Penso que o Liedson poderia ter entrado nesta fase, pois sempre estava mais fresco que os centrais brasileiros e poderia ter sido mais perigoso. Queiroz arriscou pouco, é certo que garantiu o ponto, mas como ele bem disse, quem joga para o empate acaba sempre por perder e por pouco Ramires não lhe fazia a vontade.

Quanto a Ricardo Costa, apesar de dois erros que poderiam ter dado golo, a apreciação só pode ser positiva, neste jogo de estreia pela Selecção portuguesa no Campeonato do Mundo. Mais tarde o jogador abordou a titularidade: "A minha titularidade foi uma surpresa agradável. Estava com vontade de jogar e as coisas correram-me bem. Não penso em agarrar o lugar. Tentei cumprir e fechar bem aquele lado, para anular os contra-ataques rápidos. A estratégia foi bem conseguida".

Portugal garantiu então os oitavos-de-final, onde irá encontrar a Espanha, reeditando o duelo do Euro 2004, onde quem sorriu foi a selecção portuguesa ao vencer por uma bola a zero, com golo de Nuno Gomes. O jogo é na próxima terça-feira, às 19h30.

22 de junho de 2010

Portugal 7-0 Coreia do Norte

Estádio: Green Point, Cidade do Cabo
Hora: 12h30
Árbitro: Pablo Pozo (Chile)


Portugal: Eduardo, Fábio Coentrão, Bruno Alves, Ricardo Carvalho e Miguel, Pedro Mendes, Tiago e Raul Meireles, Cristiano Ronaldo, Simão e Hugo Almeida.
Jogaram ainda: Miguel Veloso, Duda e Liedson
Treinador: Carlos Queiroz

Coreia do Norte: Ri Miong Guk, Cha Jong Hyok, Ri Jun Il, Pak Nam Chol, Ri Kwang Chon e Ji Yun Nam, Pak Chol Jin, An Yong Hak e Hong Yong Jo, Jong Tae Se e Mun In Guk.
Jogaram ainda: Kim Kum Il, Kim Yong Jun e Nam Song Chol.
Treinador: Kim Jong Hun

Disciplina: Cartão amarelo para Pedro Mendes e Hugo Almeida (Portugal) e Hong Yong Jo e Pak Chol Jin (Coreia do Norte)

Marcadores: Raul Meireles (29'), Simão (53'), Hugo Almeida (56'), Tiago (60' e 90'), Liedson (81') e Cristiano Ronaldo (87').



Portugal venceu, como alias se esperava, a Coreia do Norte, por expressivos 7-0, tornando esta a goleada do Mundial até ao momento e o resultado mais expressivo da Selecção Nacional nas fases finais de um mundial. Com algumas alterações no onze - entraram Miguel, Tiago, Simão e Hugo Almeida - Portugal foi sempre superior à equipa norte coreana, apesar de algum ascendente da equipa asiática, durante os primeiros 20 minutos de jogo. Portugal acabou por chegar ao golo aos 29 minutos, através de Raul Meireles e após um bom passe de Simão.
Mais golos apenas no segundo tempo, tornando este jogo num encontro sem muita história. aos 53 minutos, o próprio Simão apontou o segundo golo e logo de seguida Hugo Almeida apontou o terceiro, depois de um excelente centro de Fábio Coentrão. Tiago, fez o quarto golo à passagem dos 60 minutos, a passe de Cristiano Ronaldo, que esteve em bom nível. A Coreia já tinha baqueado, logo após o segundo golo e nos últimos dez minutos de jogo, mais três golos, com Liedson a marcar aos 81 minutos, pouco depois de ter substituído Hugo Almeida, seguindo-se os golos de Cristiano Ronaldo, no golo mais esquisito da prova e já no minuto 90 Tiago bisou num excelente movimento de cabeça. A Coreia do Norte, apesar de se apresentar de uma forma mais ofensiva do que contra o Brasil, não conseguiu segurar o ímpeto da equipa das quinas, principalmente após o segundo golo.

Analise do jogo

Carlos Queiroz deve ter lido a analise que fiz ao jogo da Coreia do Marfim. Promoveu quatro alterações no onze inicial, dando a titularidade a Miguel no lado direito da defesa, assim como a Tiago, Simão e Hugo Almeida, se bem que talvez tivesse sido melhor jogar Liedson de início, uma vez que poderia ter beneficiado da sua rapidez para furar a muralha defensiva mais cedo. O esquema manteve-se num 4x3x3, com Pedro Mendes mais atrás de Raul Meireles e Tiago. A entrada do jogador do Atlético de Madrid foi muito benéfica para o nosso meio campo, uma vez que permitiu que os lançamentos para o ataque fossem mais letais, devido à capacidade de passe de Tiago, bem como à sua capacidade de colocar a bola no sítio certo. Raul Meireles também beneficiou com a entrada deste jogador, porque ficou mais liberto para aparecer em zonas de remate, algo que não aconteceu frente à Costa do Marfim. Já na área, Hugo Almeida deu mais presença na área, até porque é um avançado muito possante fisicamente. Já Miguel veio trazer uma dinâmica ofensiva mais intensa do que quando joga Paulo Ferreira. Simão também esteve em bom nível, melhor do que Danny, que pode ter acusado alguma pressão no primeiro jogo.
Já a Coreia do Norte não fugiu do seu esquema habitual, um 5x3x2, com oito jogadores atrás da linha da bola, mas no jogo de ontem, a equipa coreana apresentou-se ligeiramente mais ofensiva e mais perigosa do que contra  o Brasil, saindo para o contra-ataque com bastante rapidez, não se inibindo de rematar fosse qual fosse o local do terreno onde se encontrassem. Isso motivou alguns remates perigosos, aos quais Eduardo correspondeu. Na segunda parte e após o segundo golo de Portugal, a equipa abriu e perdeu alguma da disciplina defensiva, sendo completamente abalroados pela equipa das quinas.

Penso que desta feita o seleccionador acertou no onze inicial e deve ter conseguido uma equipa para o que resta da prova. Agora, na próxima sexta-feira vem o Brasil e apesar desta ser a goleada do mundial 2010 e uma dos resultados mais expressivos de sempre, é preciso não embandeirar em arco, pois o Brasil não é a Coreia do Norte. É necessário jogar com atitude e sem medo do adversário, pois a equipa tem capacidades para conseguir vencer o Brasil.

15 de junho de 2010

Portugal estreia-se com empate

Abro aqui uma excepção no futebol distrital, para me insurgir pelos caminhos da Selecção Nacional, no Campeonato do Mundo da Africa do Sul, até porque existe um gaiense em destaque na equipa de todos nós, no caso Ricardo Costa. Enquanto a Selecção estiver a jogar o Mundial, serão feitas as analises aos jogos da equipa das quinas, dando o destaque devido ao Ricardo Costa.

Ficha de jogo

Estádio: Nelson Mandela Bay, Port Elizabeth
Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai)
Hora: 15h

Portugal: Eduardo, Fábio Coentrão, Bruno Alves, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira, Raul Meireles, Pedro Mendes e Deco, Cristiano Ronaldo, Danny e Liedson.
Jogaram ainda: Simão, Tiago e Rúben Amorim
Treiandor: Carlos Queiroz

Costa do Marfim: Boubacar Barry, Guy Demmel, Kolo Touré, Didier Zokora e Emmanuel Eboué, Tiene, Yaya Touré e Tiote, Aruna Dindane, Solomon Kalou e Gervinho.
Jogaram ainda: Didier Drogba, Kader Keita e Romaric
Treinador: Seven Goran Erikson

Disciplina: Cartão amarelo para Didier Zokora e Guy Demmel, da Costa do Mafim e Cristiano Ronaldo, por Portugal


Assim, e no jogo de estreia de Portugal frente à Costa do Marfim, resumindo brevemente aquilo que aconteceu durante os noventa minutos, Portugal nunca teve armas suficientemente fortes para bater uma bem estruturada equipa da Costa do Marfim, comandada por Eriksson. O jogo até poderia ter mudado de figura cerca dos 10 minutos de jogo, quando Cristiano Ronaldo atirou de longe, com a bola a bater no ferro da baliza do marfinense Barry. Durante todo o primeiro tempo, a equipa lusa não conseguiu criar uma verdadeira ocasião de golo em futebol jogado, denotando alguma falta de idéias do meio campo para a frente, algo que já tinha sido visto na fase de qualificação.
No segundo tempo, nada mudou no jogo português. Liedson teve uma boa ocasião para marcar logo aos 58' de jogo, mas o cabeceamento saiu fraco e direito às mãos de Barry. A partir daqui, a Costa do Marfim tomou de facto as rédeas ao jogo e aos poucos foi empurrando a equipa das quinas para o seu meio campo. Aos 60 minutos Eriksson lançou Drogba, contrastando com a pouca argúcia de Queiroz, que conformado com o rumo do jogo lançou Tiago, Simão e Rúben Amorim. A meio da segunda parte ainda se gritou golo, com Ronaldo a introduzir mesmo a bola na baliza de Barry, mas antes já o árbitro, Jorge Larrionda, tinha interropido o jogo por falta de Bruno Alves sobre um jogador adversário, antes de Liedson assistir Ronaldo para golo. Decisão discutivel do juiz. Até ao final do jogo, foi a Costa do Marfim que dispôs de uma boa ocasião para fazer o golo, não se percebendo se a vontade de Drogba foi rematar ou centrar, mas para bem da equipa das quinas, o golo não surgiu.
O empate sabe melhor à equipa africana do que a Portugal, que ainda tem que defrontar a Coreia do Norte e depois o Brasil na última ronda deste grupo.

Analise do jogo

Analisando o jogo, posso dizer que vimos uma equipa de Portugal, no seguimento da fase da qualificação para esta competição. Sem alegria a jogar, parecendo que está sobre brasas, sem inspiração das principais unidades do meio campo e sobretudo, sem poder finalizador capaz de atemorizar as defesas contrárias. Portugal jogou num 4x3x3, com Pedro Mendes e Raul Meireles na zona do miolo e Deco mais adiantado, apostando em Cristiano Ronaldo e Danny nas alas para servir Liedson. Na defesa, Paulo Ferreira jogou na direita, Coentrão na esquerda e Bruno Alves e Ricardo Carvalho no eixo defensivo.
Pedro Mendes foi fundamental em alguns lances, cortando linhas de passe que poderiam ter criado mais perigo, mas o problema esteve na frente de ataque, onde Deco não teve a velocidade e a imaginação de outros tempos, Danny não esteve ao seu melhor, talvez por jogar encostado a ala, e Cristiano Ronal nada pode fazer sozinho e Liedson foi completamente anulado pelos entrocados centrais adversários.

Eriksson motou uma estratégia que surtiu o efeito pretendido, dando a iniciativa de jogo a Portugal e depois tentando sair em rápidos contra-ataques, sempre com Gervinho na mira dos companheiros. Para bem da nossa selecção, a pontaria do avançado não foi a melhor.

Posso confessar que não gosto de Carlos Queiroz, por não o achar um treinador suficientemente atacante e com a visão necessária para dar a volta uma situação em que Portugal até poderia ter sido beneficiado. Penso que o treinador português errou nas substituições, principalmente na troca de Raul Meireles por Rúben Amorim. Esta substituição foi tardia, deveria ter sido feita na mesma altura da entrada do Tiago, e não deveria ter sido o Rúben a entrar, mas sim o Hugo Almeida. Convém referir que as opções atacantes de Portugal são escassas, mas atirar com Liedson para o meio das traves Kolo Touré e Zokora durante os 90 minutos foi a morte do artista e muito dificilmente o "levezinho" poderia ter feito alguma coisa. É preciso perceber que a equipa portuguesa precisava de poder de choque na área da Costa do Marfim, e Hugo Almeida é um jogador possante, alto e que consegue lidar com adversários deste calibre. Teria sido mais proveitoso para a equipa portuguesa que Hugo Almeida tivesse entrado no lugar do Rúben Amorim ou feito doutra forma, poderia o avançado ter entrado de início, para desgastar os centrais e depois entrar Liedson para que com a sua velocidade, pudesse causar muito mais estragos do que aqueles que causou. A Costa do Marfim revelou-se uma equipa bem organizada defensivamente e não houve arte suficiente para contrariar essa supremacia, sobretudo a nível físico. Fica a impressão que Queiroz apostou desde o início no empate, mostrando claramente pouca vontade de vencer a partida.

Portugal perde assim os dois primeiros pontos, logo no primeiro jogo. Agora, apenas interessa que o Brasil vença mais logo a Coreia do Norte e depois despache a Costa do Marfim por muitos, para que, e confiando que Portugal faz o que lhe compete frente aos coreanos na próxima segunda-feira às 12h30, o Brasil possa não se apresentar tão forte contra Portugal na última ronda, caso contrario, penso que não terá hipoteses de seguir em frente.

Uma palavra para o Ricardo Costa, que apesar de não ter jogado hoje, certamente ainda terá a sua oportunidade de representar Portugal e levar o nome do Concelho de Gaia ainda mais alto.

27 de março de 2008

... Mas os AA não conseguem vencer a Grécia...

Os confrontos entre Portugal e Grécia começam a ganhar contornos dignos do famoso teatro grego, com todo o seu escárnio. Em três confrontos a selecção das quinas não conseguiu vencer um único jogo, tendo perdido pelo meio a final do Euro 04, como toda a gente viu. Por incrível que pareça a selecção também não consegue fazer um bom jogo frente a estes modestos adversários, pautando pela mediocridade as suas acções.
Sem Ronaldo e Nani, a selecção apresentou-se em Dusseldorf com um meio campo constituido por Miguel Veloso, Fernando Meira e Carlos Martins e com Simão e Quaresma a municiarem Nuno Gomes. A jogar em 4x3x3, parecia que Portugal podría levar alguma coisa deste jogo, mas rápidamente a história mudou, quando Simão se lesionou e teve que dar lugar a João Moutinho aos 17 minutos de jogo. Portugal passou a jogar com 4 jogadores no miolo do terreno e a ganhar alguma autoridade, apesar do fraco futebol apresentado. A Grécia, sempre a jogar de forma pragmatica, chegou ao golo pouco depois da meia hora, através de um bem conhecido ex-jogador do Benfica, Karagounis, na marcação de um lívre directo. A partir daqui tudo foi mais claro para os gregos, pois em vantagem, com a experiencia de cada jogador a valer muito e o estilo de jogo a assemelhar-se ao da Italia do cattenacio, não foi muito difícil manter a bola longe da sua baliza. Para melhorar as coisas, Karagounis voltou a meter a bola na gaveta, pouco depois do reatamento da partida. Scolari alterou um pouco o sistema de jogo, passando a jogar com Hugo almeida fixo na frente, e Nuno Gomes a deambular pelas suas costas, mas sem resultados practicos. A quinze minutos do fim, o avançado do Benfica reduziu a desvantagem, mas já sem tempo para fazer o que quer que fosse. em noite de estreia de equipamento vermelho garrido, a exibição foi pálida.

4 de outubro de 2007

Última Hora


UEFA reduz pena a Scolari

A UEFA decidiu reduzir a pena ao seleccionador nacional, Luiz Felipe Scolari, na sequência do recurso apresentado pelo mesmo, com o apoio da Federação Portuguesa de Futebol. A medida, cá em Portugal, não agradou a toda a gente, pois estava em cima da mesa a possibilidade de um alargamento da mesma pena. Scolari foi ouvido pela UEFA e em sua defesa alegou o facto de não ter chegado a tocar no jogador sérvio, Dragutinovic, facto depois confirmado pelo próprio jogador. Assim sendo, Scolari já se sentará no banco no último desafio da fase de qualificação para o Euro 2008, frente a Finlândia, numa altura em que se poderá decidir a passagem da Selecção Portuguesa à fase final da prova.

Gostava de saber a opinião dos leitores sobre esta medida da UEFA.

Concorda com a redução da pena ao Seleccionador Nacional?

7 de fevereiro de 2007

Portugal 2-0 Brasil

Estádio: Emirates Stadium (Londres)
Espectadores: 59.793
Árbitro: Martin Atkinson (Inglaterra)

Portugal: Ricardo, Miguel, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho e Caneira, Petit, Deco e Tiago, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma e Hélder Postiga.
Treinador: Luiz Felipe Scolari. Jogaram ainda: Paulo ferreira, Hugo Viana, Simão, Nuno Gomes e Fernando Meira.
Brasil: Helton, Maicon, lúcio, Juan e Gilberto, Edmilson, Gilberto Silva, Elano e Kaká, Rafael Sóbis e Fred.
Treinador: Dunga. Jogaram ainda: Luisão, Adriano, Daniel Alves, Tinga e Diego.

Portugal venceu o Brasil novamente em solo inglês, depois de em 1966 o ter feito para a fase de grupos do Campeonato do Mundo. Mas foi necessário esperar 80 minutos para ver um golo...


Portugal entrou algo nervoso no jogo de ontém. Nos primeiros minutos a supremacía brasileira, passou das bancadas para o relvado, muito por culpa do facto de estarem a jogar com mais elementos no centro do terreno, contrastando com os três jogadores de meio campo de Scolari. Dunga viu-se forçado a jogar no esquema do quadrado mágico, depois de Ronaldinho e Robinho, por lesão, não poderem actuar. Esse esquema deu ao Brasil mais bola e mais oportunidades de cria perígo, precisamente por ter mais gente no centro do terreno. Nos minutos iníciais, Ricardo teve algum trabalho, graças aos remates bastante perigosos tanto de Elano, como de Rafael Sóbis. O Brasil tentava a todo custo chegar rápidamente ao golo, mas o certo é que o guardião português esteve em bom plano. Do lado português, eram Cristiano Ronaldo e Quaresma a criarem os lances de maior perígo junto da baliza de Helton. O extremo do Manchester United esteve sempre muito bem marcado por Gilberto, o que permitiu ao extremo portista brilhar mais neste jogo. O primeiro lance de perígo para Portugal, surge no entanto apenas ao minuto 20, depois de um bom entendimento entre Tiago e Hélder Postiga, com o centrocampista do Lyon, a ver a movimentação do dianteiro portista, mas este rematou para defesa de Helton. O Brasil teve no entanto, uma excelente oportunidade para marcar, quando Lúcio enviou uma bola á trave da baliza de Ricardo. Foi o lance de maior perigo para a canarinha. O intervalo chegou com o 0-0, mas o segundo tempo sería diferente e para melhor.

Scolari, alterou algumas coisas ao intervalo e desde logo Paulo Ferreria surgiu no lugar de Caneira, que não conseguia segurar as investidas de Maicon, e Dunga respondeu com as entradas de Luisão para o lugar de Juan, que estava lesionado e a entrada de Adriano parao lugar de Sóbis, sem no entanto ter sido tão perigoso como o primeiro. Cristiano Ronaldo viu a marcação ser mais apertada, mas pelo contrário, Quaresma ficou mais liberto e pegou no jogo português, e com jogadas de verdadeira magía foi levando a equipa para a frente. Á passagem da meia hora, entraram Simão e Hugo Viana e o jogo de Portugal passou a ser mais mandão. O Brasil foi perdendo alguma da força que tinha demonstrado no primeiro tempo, muito por culpa também das substituições habituais dos amigáveis, mas também porque a consistência de Portugal foi aumentando. Só a título informativo, no segundo tempo o Brasil não fez um único remate á baliza de Ricardo... A dez minutos do fim, finalmente o golo. E que golo. Quaresma cruzou milimetricamente para o pé de simão, que de primeira bateu Helton, num dos melhores golos do extremo português. Era a explosão de alegria do lado das quinas, que não esqueceram Carlos Silva, recentemente falecido. O Brasil deixou então de ser uma equipa de marcação mas também não atacou com muita certeza, e as substituições de Dunga, nada de novo vieram trazer ao conjunto. Já perto do fim, Foi a vez de Ricardo Carvalho fazer o gostinho á cabeça, com mais um golo, ele que voltou a ter a companhia de Jorge Andrade no eixo defensivo. O jogo chegaria pouco depois ao fim, com os portugueses em festa e os brasileiros tristes, com mais uma derrota frente a Portugal. Começa a tornar-se hábito, os portuguêses sairem vitoriosos deste confronto entre irmãos.

2 de fevereiro de 2007

Convocatória de Scolari para o jogo Brasil-Portugal


Luiz Felipe Scolari, deu a conhecer ontem a lista de jogadores que irão defrontar o Brasil num particular em Londres, no próximo dia 6 de Fevereiro. Saltam á vista na convocatória, as ausências de Maniche e Costinha, confirmando assim a ruptura entre o treinador e estes dois jogadores, após o jogo com a Polonia, ganhando força o boato da saida nocturna dos jogadores internacionais. Mas não são só estas as ausências notadas, pois Tonel, Carlos Martins, Daniel Fernandes e Nelson, também sairam da convocatória. Assim, a lista de jogadores é a seguinte:


Guarda-redes:

Ricardo (Sporting) e Quim (Benfica)
Defesas

Miguel (Valência), Ricardo Carvalho (Chelsea), Fernando Meira (Estugarda), Jorge Andrade (Deportivo), Caneira (Sporting), Manuel da Costa (PSV) e Paulo Ferreira (Chelsea)

Médios
Tiago (Lyon), Petit (Benfica), Hugo Viana (Valência), Deco (Barcelona), João Moutinho (Sporting)e Raúl Meireles (F.C. Porto)

Avançados
Simão (Benfica), Cristiano Ronaldo (Manchester United), Quaresma (F.C. Porto), Nuno Gomes (Benfica)e Hélder Postiga (F.C. Porto).

16 de novembro de 2006

Portugal 3-0 Cazaquistão

Estádio: Cidade de Coimbra
Espectadores: 30.075
Arbitro: René Rogalla (Suíça)


Portugal: Ricardo, Miguel, Tonel, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira, Raúl Meireles, Tiago e Deco, Cristiano Ronaldo, Simão e Nuno Gomes
Treinador: Luiz Felipe Scolari Jogaram ainda: Quaresma, Carlos Martins e Jorge Andrade

Cazaquistão: Loriya, Azovskiy, Kuchma, Zhalmagambetov e Smakov, Sergiyenko, Travin Khokhlov e Zhumaskaliyev, Baltiyev e Byakov
Treinador: Arno Pijpers Jogaram ainda: Larin


No jogo que marcou a estreia de dois novos jogadores e o regresso de Jorge Andrade, após paragem prolongada, esperava-se um resultado mais condizente com o nível das duas equipas, mas Nuno Gomes esteve particularmente mal na finalização, e o resultado ficou-se pelos 3-0.

Portugal não é obrigado a golear em todos os jogos. Mas também não se pode falhar tantas oportunidades quantas aquelas que o jogador português fez questão de falhar. Nuno Gomes esteve numa noite particularmente desinspirada e isso reflectiu-se nas jogadas em que esteve à beira do golo e acabaria por não concretizar.
Portugal, apesar dos novos jogadores, continuou e jogar em 4x3x3. Scolari promoveu Tonel e Raul Meireles a titulares, nos lugares de Ricardo Rocha e Costinha, respectivamente. Embora este não seja o jogo ideal para tirar muitas conclusões sobre os estreantes, o certo é que estiveram bem sempre que foram chamados a intervir. Na ausência de Nuno Valente, e de Caneira, devido a lesão, Paulo Ferreira foi deslocado para a esquerda da defesa. Tiago foi titular ao lado de Deco e também esteve bem, principalmente a ganhar bolas e a servir os companheiros mais adiantados.
O jogo teve só um sentido, pois o único que o Cazaquistão queria levar de Portugal era o menor número de golos possiveis, até porque a equipa já não sofria mais de dois golos, a alguns jogos. Então a estratégia adoptada foi a de defesa, e não admirou que Portugal chegasse cedo ao golo. Passe de Tiago a desmarcar Simão, o jogador entra na area e desfere forte remate cruzado, com o guardião Loriya a ficar mal na fotografia. Redimiria-se depois com duas excelentes defesas a evitar mais dois golos. Mas como apenas Portugal tinha intenções atacantes, ninguem ficou admirado com o segundo golo português, da autoria de Cristiano Ronaldo, o melhor golo da noite. Depois de mais um passe de Tiago, Ronaldo avançou com a bola controlada, passou por dois defesas cazaques e a entrada da area rematou sem nenhuma hipotese para Loriya. Era a explosão de alegria no banco português e nas bancadas do Municipal, que estava practicamente cheio. A partir deste momento, Portugal começou a controlar o jogo e a gerir o esforço, e então começou o festival de perdidas de Nuno Gomes. Primeiro a passe de Cristiano Ronaldo, o capitão tentou colocar tanto a bola, que acabou por coloca-la fora da baliza e na segunda hipotese, depois de magistralmente isolado por Tiago, acabaria por permitir a defesa do guarda redes do Cazaquistão. O intervalo chegaria pouco depois com os números favoraveis em todos os sentidos aos portuguêses: 12 remates contra apenas 1, 6 cantos contra nenhum dos cazaques e a posse de bola a rondar os 70%.

No reatamento, as equipas subiram iguais. E o jogo foi practicamente um passar o tempo para os portuguêses. Minutos depois do reinício, começaram as substituições. Quaresma e Carlos Martins renderam Ronaldo e Deco e o jogador do FC Porto acrescentou mais motivos de interesse a um jogo sensaborão, que devido à falta de entusiasmo mostrada pelo adversário, acabaria por tirar entusiasmo e vontade ao futebol português. Quaresma teria uma excelente oportunidade para marcar minutos depois de ter entrado, ao efectuar um remate de trivela, já de ângulo algo reduzido, com a bola a passar pertissímo do poste de Loriya. Mais tarde Carlos Martins também ofereceu o golo a Nuno Gomes, depois de um bom centro ao qual o avançado correspondeu com um gesto de cabeça quase perfeito, pois a bola acabaria por se perder, mais uma vez, junto ao poste da baliza do Cazaquistão. Noite não de Nuno Gomes em termos de finalização, que podeira ter dado outra expressão ao resultado.
A dez minutos do fim, Jorge Andrade substituiu Tonel e regressou aos jogos pela selecção, depois de ausência prolongada, devido a lesão.
Já no fim da partida, Simão iria bisar, na sequência de um canto apontado por Ricardo Quaresma, e após um primeiro remate de Ricardo Carvalho, com Loriya a defender como pôde, a bola acabaria por sobrar para o extremo, que só teve que empurrar para o fundo das redes. Até ao fim nada de mais a apontar e com este resultado, Portugal soma mais uma vitória, e alcança a 13ª vitória consecutiva em jogos de qualificação, em casa.

O Melhor em Campo

* Cristiano Ronaldo. Esteve bastante activo e demonstrou que as preocupações de Queiroz e Ferguson chegaram a ser excessivas. Marcou um grande golo, a bola parecia ter olhos, e confirma o bom início de época. Desmarcou Nuno Gomes para uma das oportunidades falhadas pelo avançado e marcou dois ou três livres perigosos.
* Simão. Com este bís ao Cazaquistão, o extremo atige os 12 golos pela Selecção Nacional, e curiosamente, 25% dos golos marcados por Simão ao serviço de Portugal foram contra a equipa cazaque. Esteve particularmente activo e foi dos mais esclarecidos, à semelhança do que já tinha acontecido frente à Polónia. Raramente perdeu a bola e sempre criou perigo, cada vez que a tinha nos pés. Está a subir de forma.

O Positivo do jogo

Apesar de se esperar mais, a vitória é importante, depois do último encontro ter acabado em derrota. Era necessário vencer, pois não se pode perder mais terreno para os principais adversários, a Finlândia e a Polónia, que também venceram ontem.

O Negativo do jogo

As oportunidades falhadas por Nuno Gomes. Não se pode falhar oportunidades gritantes de golo, como aquelas que o atacante português falhou ontem, principalmente as duas perto do intervalo em que surge isolado frente a Loriya.

O Arbitro

Nada a apontar. Esteve sempre perto dos lances e acabou por passar despercebido duarante grande parte do jogo.

9 de novembro de 2006

Já há convocados de Scolari....



Scolari prometeu mudanças no seio da Selecção e aí estão elas. Depois da decepcionante derrota frente à Polónia, Ricardo Rocha, Costinha, Maniche e Nuno Valente ficam de fora da convocatória do seleccionador nacional. Mas também há caras novas. Desde já existe um terceiro guarda-redes: Daniel Fernandes do PAOK Salónica. Mas também existem caras novas na defesa. Nelson (Benfica) e finalmente Tonel (Sporting), fazem parte da lista apresentada pelo treinador. Outra cara nova é a de Raul Meireles, que vem assim confirmar o bom momento de forma vivido no FC Porto. Ressalve-se os regressos de Ricardo Quaresma (FC Porto), João Moutinho (Sporting)e Manuel da Costa (PSV Eindhoven). Um dos regressos mais esperados é o de Jorge Andrade (Dep. Corunha), que volta assim ao conjunto luso, após periodo de ausência devido a lesão, que o proibiu de dar o contributo à equipa no Mundial Alemanha 2006.

Eis a lista completa:

Guarda-redes: Ricardo (Sporting), Quim (Benfica) e Daniel Fernandes (PAOK Salónica).

Defesas: Miguel (Valência), Nélson (Benfica), Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho (Chelsea), Jorge Andrade (Deportivo), Manuel da Costa (PSV Eindhoven) e Tonel (Sporting).

Médios: Raúl Meireles (FC Porto), Tiago (Lyon), Deco (FC Barcelona) e Carlos Martins e João Moutinho (Sporting).

Avançados: Cristiano Ronaldo (Manchester United), Simão e Nuno Gomes (Benfica) e Ricardo Quaresma e Hélder Postiga (FC Porto).

11 de outubro de 2006

Desilusão!

Noite desastrosa!
Portugal deslocou-se á Polónia para defrontar a selecção local, e acabou batida sem apelo nem agrado, numa pálida exibição.

Scolari dizia antes da partida que um ponto seria bom.
A verdade é que as palavras de Scolari parecem ter afectado de forma nefasta a selecção nacional, que entrou nervosa e receosa.
Mesmo com uma Polónia inicialmente permissiva, Portugal não procurou controlar o jogo e no primeiro erro defensivo acaba por sofrer um golo. A partir daqui foi uma espécie de efeito de bola de neve, pois os jogadores precipitaram-se, o futebol colectivo não saiu e num segundo erro defensivo, novo golo Polaco.

Na 2ª parte, Portugal foi assumindo ,aos poucos, o jogo, mas com uma Polónia a consentir a posse de bola aos portugueses, procurando explorar com perigo o contra-ataque.
O golo de Nuno Gomes não apaga a péssima imagem que Portugal deixou no jogo.




Dinâmica de Portugal

Portugal entrou na partida assente num 4x3x3.
A defensiva foi composta por: Ricardo na baliza, Miguel e Nuno Valente nas laterais e R Carvalho e R Rocha na zona central. Com a inclusão de Petit como interior direito, Miguel parecia gozar de mais liberdade para subir, a verdade é que nunca o conseguiu fazer. Por outro lado, Nuno Valente pareceu sempre algo estático e muito lento.

No meio campo, á partida poderíamos estar perante uma selecção nacional com 2 pivots defensivos, mas não foi o que aconteceu.
Costinha jogou perto dos centrais (esteve francamente mal o numero 6 da selecção), com Petit e Deco a formarem a base de um triângulo. Petit apareceu com a missão de dar equilíbrio nas transições defensivas, apoiando nas dobras e auxiliando Costinha, sem contudo aparecer no terreno excessivamente recuado. No entanto, Petit não é um médio de transição e mais uma vez ficou bem patente a incompatibilidade com Costinha, uma vez que a equipa ficou “vazia” de ideias, sem qualquer capacidade de transição, obrigando Deco a jogar demasiadamente longe de Nuno Gomes, e com o luso-brasileiro a ter um grande desgaste na procura excessiva da bola em terrenos muito recuados.
O “mágico” Português, á partida, teria como função a organização do Futebol ofensivo Portugues, apoiando Nuno Gomes ou em alternativa arrastando as marcações para a ala esquerda abrindo espaço para o médio de transição aparecer vindo de trás, algo que Petit nunca conseguiu.

Na frente, Nuno Gomes apareceu sempre demasiadamente sozinho, perdendo-se no meio da defensiva polaca. Apesar das constantes movimentações e procura de bola, Nuno Gomes viu-se muito desapoiado ..o que lhe impossibilitou de fazer aquilo que melhor sabe, jogar em tabelas de costas para a baliza, e aparecer no espaço.
Simão na ala esquerda também não teve grande sucesso, tendo sido anulado com alguma facilidade pelo lateral polaco.
Na direita, Ronaldo foi uma sombra de si mesmo. Cabia-lhe a função de procurar desiquilibrios, quer aparecendo mais no apoio a Nuno Gomes, quer na procura de flanquear o jogo. A verdade é que o jogo não saiu bem ao jovem talento portugues, e a equipa nacional ressentiu-se de isso mesmo.


As mexidas

Scolari demorou a mexer na equipa.
A perder por 1-0 não seria lógica mudanças imediatas, mas logo a seguir ao segundo golo polaco exigia-se mexidas e acertos ..algo que Scolari nunca fez.
Demorou a analisar o jogo, e só ao intervalo procurou mudar.

E a primeira alteração demonstra de forma clara o arrependimento do seleccionador nacional em apostar em 2 jogadores (no miolo) de características quase exclusivamente defensivas.
Retirou o apagado e fora de forma Costinha, lançando Tiago.
Ora Petit recuou para trinco, com Tiago a aparecer como médio de transição, permitindo a Deco jogar mais á frente, num maior apoio ao ponta de lança e procurando as segundas bolas. Contudo salienta-se ,mais uma vez, a colocação de Deco. Pareceu sempre excessivamente posicionado á esquerda do meio campo nacional.
Por outro lado, Scolari pediu a Ronaldo um posicionamento mais interior de forma a aparecer como segundo ponta de lança sempre que possível.

Aos 67m a substituição esperada, natural..mas demasiadamente retardada.
Nani entra para o lugar de Petit, ocupando a ala direita.
Scolari altera o sistema táctico, apostando num 4x4x2 que se desdobrou diversas vezes num 4x2x4. Com Nani e Simão nas alas, Ronaldo junta-se a Nuno Gomes no centro do ataque, com Deco e Tiago a repartirem tarefas no meio campo.
Mas onde estão as rotinas de jogo neste sistema táctico? Onde estão as rotinas do plano B?

Aos 82 minutos, sai o fatigado e algo desinspirado Deco para dar lugar a Maniche. Foi a tentativa de refrescar o meio campo, sem grandes alterações estruturais significativas.


Conclusões

O discurso pouco ambicioso de Scolari ,antes da partida, acabou por se reflectir na forma como abordou o jogo.
Uma equipa receosa, com dificuldades nas transições ofensivas e sem qualquer tipo de ligação ao ponta de lança.
A falta de soluções também foi evidente, e fica patente o erro de Scolari em não ter chamado logo á partida um outro ala, e na ausência de Hugo Almeida por lesão …um outro avançado. É inconcebível Scolari contar apenas com uma solução ofensiva no banco de suplentes.
Por outro lado, as alterações tardaram e não foram as mais indicadas.

De qualquer forma, a “culpa não morre solteira”, uma vez que foi notório o sub rendimento de alguns atletas da selecção e a grande dependência da selecção na capacidade de transição de Maniche, que estranhamento foi apenas utilizado durante 10 minutos.


Portugal sai derrotado sem apelo nem agrado, e adivinha-se uma campanha de qualificação complicada.
8 anos depois, a selecção das quinas perde numa fase de qualificação.

Os russos gelaram....




Estádio: Jorge Sampaio
Espectadores: 8.000
Árbitro: Pieter Vink

Portugal: Paulo Ribeiro, Filipe Oliveira, Amoreirinha, Manuel da Costa e Miguel Veloso, Organista e João Moutinho, Yannick, Diogo Valente, Varela e Vaz Té.
Treinador: José Couceiro Jogaram ainda: Hélder Barbosa, João Moreira e Ruben Amorin

Russia: Khomich, Cherenchicov, Taranov, Kolesnikov e Nababkin, Pavlenko, Shiskin, Rebko e Eschenko, Denisov e Savin
Treinador: Aleksander Borodyuk Jogaram ainda: Torbinsky, Dantsev e Vorobyeb

Os Sub-21 portugueses estão de parabens. Quando toda a gente pensava que a qualificação parao Europeu da modalidade, estava em risco, eis que os rapazes de Couceiro deram mostra de grande maturidade e nem sequer foi necessário um milgre para se marcarem os três golos necessários, depois da derrota por 4-1 em Moscovo, pois a equipa lusa foi muito superior em todos os sentidos. Couceiro arriscou tudo, utilizando um esquema pouco usual, pois ao principio o que parecia um 4x3x3, transformou-se num 4x2x4, bastante acutilante para uns russos que, apenas quiseram defender o resultado que traziam na bagagem e tentar, caso fosse essa a hipotese, não perder por 3-0.
Privado de Jõao Pereira, devido à expulsão de Moscovo, o lateral direito foi Filipe Oliveira, Couceiro operou algumas alterações, devolvendo a titularidade no eixo da defesa a Manuel da Costa, que não tinha actuado no primeiro jogo devido a castigo, a frente de ataque contou com várias alterações: Paulo Machado, Ruben Amorim e João Moreira, cederam os seus lugares a Varela, Yannick e Diogo Valente, que fez o seu primeiro jogo oficial nesta temporada.
Nos primeiros minutos, a equipa portuguesa entrou um pouco desnorteada, atacando sem muito discernimento, o que favoreceu a defesa russa. O jogo português assentou, e apartir do quarto de hora, já a equipa lusa procurava o golo, empurrando os russos para trás. Os flancos iam criando situações embaraçosas para os defesas da equipa russa, e foi assim que Vaz Té teve a primeira grande oportunidade de golo da partida ao cabecear ao lado, após centro de Diogo Valente. Os russos começaram a ficar nervosos, e à passagem da meia hora de jogo, o árbitro holandes assinala grande penalidade a favor de Portugal, castigando mão na area de Cherenikov, no entanto o lance é duvidoso. Moutinho, chamado a marcar, não desperdiçou e deu a primeira alegria aos 8 mil presentes. As coisas começaram a ficar mais complicadas para os forasteiros, quando já perto do intervalo, Kolesnikov, vê o vermelho directo após entrada dura sobre Diogo Valente. Os russos sentiram a expulsão e o golo sofrido e tremeram. Já nos descontos, Varela poderia ter ampliado a vantagem, depois de Komich ter deixado de passar a bola. No entanto o avançado português não chega a bola.
Após o reatamento, Portugal entrou decidido a marcar os golos que faltavam e Vaz Té teve oportunidade soberana para o fazer, quando aos 53 minutos chutou practicamente sem hipoteses para o guardião russo, que ficou a olhar para a bola, mas esta passou ao lado da baliza. Entretanto Couceiro já tinha feito uma substituição, trocando Varela por João Moreira e seria dos pés deste que sairia o centro para Yannick fazer o segundo golo, antecipando-se ao defesa russo. Era o delirío no estádio, pois só faltava um golo para consumar a reviravolta na eliminatoria. Os russos começaram a sentir o perigo a rondar a baliza e passados sete minutos surgiu o terceiro golo português. Filipe Oliveira centra a bola do lado direito, Helder Barbosa, entretanto também entrado, cabeceia para o centro da area onde aparecia Vaz Té, mas Taranov, na tentativa de impedir que a bola chegasse ao atacante luso, acaba por introduzi-la na propria baliza. Portugal estava em vantagem pela primeira vez na eliminatoria e agora teria que ter bastante espirito de sacrificio para aguentar este resultado. Até ao fim, Portugal controlou por completo as operações, no entanto os russos tentaram sempre marcar o golinho que lhes daria nova vantagem, sem no entanto, o conseguirem. No final da partida os jogadores russos protestaram com o árbitro, devido ao tempo de compensação, pois acharam que três minutos foi muito pouco.
O Melhor em Campo
João Moutinho: Classe, qualidade de passe, serenidade nos momentos de mais pressão, caracterizam este médio leonino, que a cada jogo que passa se torna cada vêz mais, peça fundamental. Exibição grandiosa, coroada com o golo que deu início à reviravolta.
O Positivo do Jogo
Tirando os três golos que deram a passagem ao conjunto português, os 8 mil incansáveis adeptos, tiveram uma atitude positiva ao puxarem pela equipa e acreditando que seria possivel vencer por 3-0 os russos. Tudo isto tem ainda mais expressão olhando às condições climatericas: Chuva durante practicamente quase todo o jogo. Notavel!
O Negativo do Jogo
A atitude dos russos de virem defender o resultado que traziam de Moscovo. Quanto mais à defesa se joga, mais fácil é perder, e ontem tiveram a prova disso. Não me lembro de uma situação de golo iminente, por parte da Russia.
O Árbitro
Pieter Vink fez um trabalho que se pode catalogar como razoavel. Há dois lances em que as interpretações são dúbias: O lance do penalti parece bola na mão e não mão na bola, e a expulsão de Kolesnikov parece ser demasiado rigida. De resto um bom trabalho.

10 de julho de 2006

Portugal termina em 4º lugar


Portugal terminou a sua participação no Campeonato do Mundo num honroso 4º lugar. Apesar de ter ficado com a impressão de que poderia ter sido alcançado uma outra posição, o certo é que este quarto lugar premeia uma geração de jogadores que durante bastante tempo deu tudo pela nossa selecção. Jogadores como Figo e Pauleta, que ontem puseram um ponto final nas suas carreiras internacionais, saem pela porta grande e com o sentido de dever cumprido.

O jogo de ontem poderia ter tido outro resultado. Tanto Alemanha, como Portugal, efectuaram um jogo bastante emocionante. Foi um jogo digno de uma final. Portugal demonstrou uma frescura física que não tinha demonstrado frente a França. Talvez se o tivesse feito não estaria a disputar este “rebuçado” dado pela FIFA.

Scolari apresentou um onze com algumas mexidas, fruto das lesões de Miguel e Figo e o castigo de Ricardo Carvalho. Assim, na baliza esteve Ricardo, a defesa foi constituída por Paulo Ferreira na direita, Nuno Valente na esquerda e Meira e Ricardo Costa no eixo, Costinha, Maniche e Deco no meio do terreno, Simão, Cristiano Ronaldo e Pauleta no ataque.
Klinsmann apresentou um onze também com algumas alterações, tendo desta feita, dado a oportunidade a Oliver Kahn de alinhar de inicio. Este seria também, o ultimo jogo do guardião pela selecção germânica. Assim a Alemanha apresentou Kanh na baliza, Lahm, Metzelder, Nowotny e Jansen na defesa, o meio campo foi constituído por Kehl, Frings, Scheneider e Schweinsteiger, na frente Klose e Podolski.

Os germânicos entraram melhor, e pressionaram logo de inicio os portugueses, que acabaram por recuar no terreno, fruto de uma maior força no miolo do terreno, onde Kelh e Frings estavam à vontade, e conseguiam servir Klose e Podolski com algum perigo. Logo no início do jogo, os alemães reclamaram uma grande penalidade, por suposta mão na bola de Nuno Valente apos um remate forte de um alemão. Portugal respondeu e Deco criou a primeira situação de perigo, furando a defesa e cavando uma falta à entrada da área, que Simão bateu não muito longe da baliza de Kahn. Portugal equilibrou as coisas à passagem do quarto de hora, e durante alguns minutos conseguiu empurrar a Alemanha para o seu meio campo. Neste período, Pauleta teve nos pés o primeiro golo português, aos 15 minutos quando apareceu isolado frente a Kahn, mas não conseguiu bater o guardião. Portugal continuou a exercer alguma pressão, pois os extremos iam sendo as melhores unidades, e Deco mostrou uma maior predisposição do que no jogo com a França. No entanto Portugal foi perdendo esse domínio, o que voltou a dar aos alemães o controlo do jogo. Até ao intervalo nada de relevante se passaria. No reatamento da partida o descalabro. Em cinco minutos o sonho de igualar 1966 desmoronou-se aos pés de um jogador: Schweinsteiger. A fazer lembrar o Euro 2000, noite em que Sérgio Conceição despedaçou esta mesma Alemanha, o jovem extremo pegou na bola, fugiu pelo corredor esquerdo, flectiu para o meio e desferiu potente remate que surpreendeu tudo e todos. A bola tomou uma trajectória que apanhou Ricardo em contrapé e anichou-se na baliza portuguesa. Era o primeiro golo alemão e a primeira explosão de alegria no Gottlieb-Daimler, em Estugarda. Portugal tentou reagir, mas o extremo não deixou. Cinco minutos volvidos, o jogador alemão ganha uma falta que o próprio bate, o pontapé saiu forte e pelo caminho encontrou o pé de Petit, entrado ao intervalo a substituir o amarelado Costinha, tendo desviado a bola para o fundo das redes, sem que Ricardo nada pudesse fazer. Nesta altura o sonho estava quase desfeito, e os alemães exultavam de alegria, tanto nas bancadas, como no relvado. Neste período, Portugal reagiu e voltou a pegar no jogo, tendo nos pés de Deco a primeira oportunidade para reduzir a diferença, mas Kahn opôs-se, desviando para canto. Scolari mexeu novamente na equipa e aos 69 minutos retirou Nuno Valente e fez entrar Nuno Gomes, numa aposta claramente atacante. Aos 70 minutos, Pauleta teve novamente o golo nos pés, mas não conseguiu desfeitear o guarda-redes germânico. Com Portugal a tentar reduzir a desvantagem, sem no entanto ter ideias, Scolari lançou Figo, talvez para a despedida do capitão. Tirou Pauleta e Figo ainda não se tinha posicionado devidamente no terreno, quando mais uma vez Schweinsteiger rematou forte de fora da área, fazendo o 3-0. A equipa resignou-se e aos 88 minutos, Figo centrou para o mergulho de Nuno Gomes, fazendo assim um bom golo e reduzindo para 3-1.

Até ao final, os jogadores portugueses ainda acreditaram que seria possível, mas já jogavam com o coração e não conseguiram alterar o marcador.
Portugal saboreou mais uma vez o travo amargo da derrota, depois de ter perdido na meia-final com a França por 1-0. Fica a ideia que estes números são um pouco exagerados, em função daquilo que a selecção portuguesa jogou nos 92 minutos de jogo.

O Melhor do jogo.

Sem duvida que este título vai para Schweinsteiger. O extremo alemão voltou dos balneários com o intuito de destruir o sonho português, de alcançar o terceiro lugar. E qual Panzer alemão, passou por cima de toda a selecção e fez dois grandes golos de belo efeito e ainda obrigou Petit a introduzir a bola na sua própria baliza. Fez lembrar a noite endiabrada de Sérgio Conceição no Euro 2000.

O Pior do jogo

É difícil encontrar o pior do encontro. Penso que o pior tenha sido mesmo o resultado, que me parece um pouco pesado para aquilo que a selecção nacional fez durante os 90 minutos. Portugal apresentou-se com uma boa condição física o que proporcionou um bom espectáculo. Apenas pecou na finalização, pois Pauleta teve por duas vezes o golo nos pés, surgindo outras tantas vezes na frente de Kahn.



O Árbitro

Esteve razoável. Sem deslumbrar, o certo é que também não complicou. Como bom japonês, Toru Kamikawa, fez da correcção o seu cartão de visita e controlou o jogo de uma maneira justa. Exibiu cinco cartões amarelos, todos eles justificados e terá tido um ou dois lapsos durante todo o jogo. Uma actuação razoável de um árbitro que surpreende por ter sido nomeado para uma meia-final depois de ter aparecido apenas por duas vezes nesta fase final.

6 de julho de 2006

E acabou o sonho……

Acabou o sonho… Mais uma vez, caímos aos pés da França numa meia-final.
O jogo começou com as duas equipas expectantes. Estudaram-se mutuamente, o que acabou por tornar o jogo um pouco enfadonho. Scolari fez alinhar o melhor onze português, com Ricardo na baliza, a defesa foi constituída por Miguel na direita, Nuno Valente na esquerda, Meira e Ricardo Carvalho no centro. O meio campo foi constituído por Costinha, Maniche e Deco no vértice. A frente de ataque ficou a cargo de Cristiano Ronaldo, Figo e Pauleta.
Por seu turno Domenech fez alinhar Barthez na baliza, Sagnol na esquerda, Abidal na direita, Gallas e Thuram no centro. O meio campo foi constituído por Vieira e Makelelé com Zidane mais adiantado, na frente Ribery, Malouda e Henry.

O jogo, como já disse, teve alturas em que foi enfadonho, o que fez com que não tivesse sido um grande jogo. A atesta-lo, a ausência de grandes oportunidades de golo de ambos os lados. A França acabou por começar um pouco mais perigosa, com um remate cruzado logo nos primeiros minutos, por parte de Malouda. Portugal respondeu, com Deco a rematar de zona frontal, obrigando a uma estirada do guardião francês. Pauleta acabou por chegar atrasado à recarga. As equipas acabaram por explorar o contra-ataque, situação que surge do grande rigor táctico a que assistimos das duas partes. Foi numa dessas situações que Henry ganhou posição, depois de ser desmarcado por Zidane, e conseguiu “sentar” Ricardo Carvalho, que acabaria por tocar o jogador francês na sequência da queda. Jorge Larrionda não teve dúvidas e assinalou para a marca da grande penalidade. Zidane não se inibiu perante a presença de Ricardo e bateu forte para o golo. Portugal reagiu de uma forma pouco ambiciosa, não imprimindo muita velocidade no ataque. Já perto do intervalo uma situação duvidosa na área de Barthez. Centro de Figo do lado direito, Cristiano Ronaldo divide o lance com Sagnol que põe a mão nas costas do português. O arbitro nada assinalou, mas o certo é que houve contacto entre os jogadores, ficando por decidir a velha questão da intensidade. O intervalo chegava, com a sensação de que se poderia ter jogado mais.

No reatamento nada de novo. Portugal entrou na mesma toada, um jogo lento, cansado, mesmo aquilo que interessava aos franceses. O meio campo continuava sem ideias, Deco quase não apareceu, Maniche também passou despercebido, o que fez com que o jogo não fluísse. Os franceses abdicaram por completo de atacar, preferindo ficar na contenção do ataque português. Se a imprensa francesa estava preocupada com as trapaças e o teatro dos portugueses, devem agora estar sumamente preocupados com o anti-jogo praticado pelos “bleus”. A oportunidade mais flagrante dos franceses pertenceu a Henry, que conseguiu ganhar a Meira, rematando com força. Ricardo opôs-se bem, mas deixou passar a bola por baixo do corpo. Ainda bem que estava desenquadrado com a baliza. Depois deste lance o perigo não voltou a rondar a baliza lusa.
A partir deste momento a equipa portuguesa tomou conta do jogo, mas não foi eficaz na construção de jogo. Pauleta continua a ser uma unidade a menos no ataque, e apenas se viu perto da meia hora, quando conseguiu, numa nesga de espaço dada por Thuram, alvejar a baliza de Barthez. Muito pouco para que é o melhor marcador de todos os tempos da nossa selecção. Scolari começou então as substituições, embora a primeira tenha sido forçada, devido à lesão de Miguel. Para o seu lugar entrou Paulo Ferreira. Depois foi mesmo o ponta de lança a sair, para dar lugar a Simão. Uma substituição habitual, mas que nada de novo trouxe ao ataque português. Mais tarde entrou Postiga, mas desta vez para o lugar de Costinha, aqui sim, uma aposta mais atacante do treinador português. No entanto pouco resultou, pois Postiga também não esta no melhor momento.
A equipa continuou a pressionar a defesa francesa, mas o certo é que Thuram e Gallas são intransponíveis pelo jogo aéreo, o mais utilizado pelos portugueses, e Abidal e Sagnol mostraram-se acertados. Domenech entretanto também mexeu na equipa, e tirou Henry, Malouda e Ribery, para fazer entrar Gouvou, Wiltord e Saha.
À semelhança do jogo com a Inglaterra, Portugal não efectuou praticamente nenhum remate de fora da área, nem procurou criar situações que levassem a marcação de livres directos, tendo bons executantes em campo. Cristiano Ronaldo, o mais inconformado dos portugueses, cavou a única falta perigosa perto da área francesa, que ele próprio marcou, obrigando Barthez a uma defesa difícil, tendo mesmo largado a bola, o que proporcionou a melhor oportunidade de golo português, tendo Figo falhado a recarga final. Até ao fim os portugueses dominaram territorialmente, mas sem assustar a impávida defesa francesa.
Mais uma vez o sonho ficou-se por isso mesmo, perante uma equipa francesa que fez valer a experiência dos seus elementos para chegar a final. Sendo assim só resta aos portugueses conseguir atingir o terceiro lugar, no sábado em Estugarda, frente à Alemanha.

O Melhor do jogo

É difícil escolher o melhor jogador do encontro, pois a mediocridade reinou nos 22 jogadores. Ainda assim destaco Zidane, pois foi ele que fez o passe para Henry cavar o penalti, marcou o golo e tem trazido a França às costas, principalmente nesta segunda fase da prova.
O Pior do jogo

Aqui tenho que destacar o colectivo de ambas as equipas. Foi um jogo muito táctico, enfadonho, que acabou por favorecer os franceses, principalmente depois do golo marcado. Não houve velocidade de nenhuma das equipas, para isso também devera ter contado o desgaste já existente, mas nem a motivação de jogar uma meia-final alterou essa situação.

O Árbitro

O árbitro esteve bem. Embora em algumas situações tenha favorecido os franceses, principalmente em pequenas faltas a meio campo, o certo é que as grandes decisões do encontro, na minha opinião, foram bem ajuizadas. O penalti sobre Henry, parece justo. O toque de Ricardo Carvalho é suficiente para derrubar o atacante francês, pois os movimentos são contrários. No lance de Ronaldo, talvez o mais duvidoso, parece-me que também ajuizou bem, pois apesar de haver contacto, parece-me que o Cristiano também se aproveitou do facto. Ricardo Carvalho viu um amarelo que o deixa de fora do jogo de Estugarda, mas aqui o juiz também esteve bem, pois a falta é merecedora do cartão. Errou apenas ao não mostrar o cartão a Vieira, ainda no primeiro tempo, quando este impediu um contra-ataque perigosíssimo dos portugueses. Não foi por aqui que Portugal não venceu o jogo.

As substituições

Não fosse a lesão de Miguel a obrigar à entrada de Paulo Ferreira e os jogadores a entrar em campo teriam sido os mesmos. Talvez aqui esteja o único ponto negativo desta caminhada. Pauleta foi desde o jogo com Angola, claramente uma unidade a menos no ataque português. Fica a impressão que este jogador não é talhado para as grandes competições. Foi assim em 2002 na Coreia, embora tenha marcado 3 golos à Polónia, o certo é que não existiu nos outros 2 jogos, foi assim no Euro 2004, competição em que não marcou nenhum golo e tem vindo a ser assim neste mundial. O seu substituto, Hélder Postiga, também não tem justificado a chamada ao onze, ficando então Nuno Gomes como terceira opção, tendo apenas actuado 15 minutos contra o México. Talvez se justifica uma oportunidade ao jogador no jogo do 3º e 4º lugar.
O substituto habitual, Simão, sempre que entrou imprimiu mais velocidade ao ataque. No entanto esta substituição de Pauleta por Simão acaba por se tornar ineficaz, pois se a vantagem de ter Simão é baseada no facto de ganhar mais velocidade nas alas, surgindo mais cruzamentos para a área, pois Simão ganha muito bem as linhas para depois centrar, ela acaba por ser perdida, pois não há ninguém na área para corresponder aos cruzamentos efectuados, ficando a impressão que o consequente movimento de Cristiano Ronaldo para a posição de Pauleta se torna ineficaz perdendo-se uma referencia de área, pois embora Ronaldo tenha boa impulsão e bom jogo aéreo, não tem o poder de choque que um ponta de lança tem. A substituição de Costinha por Postiga denotou mais ambição, pois retirou um médio mais defensivo para reforçar a frente de ataque, passando a jogar em 4x2x4, com Simão e Figo nas alas e Postiga e Ronaldo na frente. Só que Postiga também não esta num bom momento, pois tem passado sempre ao lado dos jogos que tem feito. A entrada de Paulo Ferreira foi forçada, uma vez que Miguel saiu lesionado.

4 de julho de 2006

Portugal-França Mais um jogo de história

Portugal e França vão defrontar-se na próxima quarta-feira, às 20h em Munique, para decidir quem chega a final do Campeonato do Mundo Alemanha06.
Estas duas selecções já se defrontaram por 21 vezes e o saldo é claramente favorável aos “bleus”, totalizando 15 vitórias, tendo empatado apenas por uma vez, cabendo a Portugal cinco vitórias.
De todos estes jogos, apenas dois têm cariz oficial. De resto são todos jogos amigáveis ou de preparação para alguma competição importante.
Estes jogos oficias, correspondem aos Campeonatos da Europa de 1984, disputado na França, e que foi vencido pelos locais, e no Bélgica/Holanda em 2000, que foi vencido curiosamente também pela França.
Pode-se dizer que a estatística sorri claramente aos franceses, mas também já sorria aos ingleses, e isso não impediu que fossem derrotados. Se quisermos levar a superstição mais à seria, podemos constatar que sempre que a França defrontou Portugal na meia-final de uma competição, saiu vencedora. Aconteceu em 84 e aconteceu em 2000.

O jogo de 84 foi um dos mais emotivos de história dos confrontos entre as duas equipas. A França tinha uma das melhores selecções de sempre, onde despontava jogadores como Platini, Fernandez, Giresse, Tigana ou Lacombe. Portugal tinha Bento, Jordão, Nené e sobretudo um miúdo chamado Chalana.
Portugal ficou integrado no grupo 2 e dividia-o com a Espanha, finalista vencido, a RFA, detentora do troféu e a Roménia. Depois de ter surpreendido ao empatar no primeiro jogo com a RFA a zero, seguiu-se mais um empate, desta feita com nuestros hermanos e uma vitoria por 1-0 frente aos romenos, o que fez com que Portugal totaliza-se 4 pontos, os mesmos dos espanhóis, perdendo apenas no goal average, o que determinou que nos classificasse-mos em 2º lugar e defrontar o 1º classificado do grupo 1. Esse 1º classificado foi a França, que passeou no grupo, tendo vencido os três jogos, totalizando 6pts e 9 golos marcados contra apenas 2 sofridos, o que dizia bem do poderio gaulês.

A meia-final disputou-se no Estádio Velodrome, em Marselha, e como seria de esperar a França adiantou-se no marcador, quando Domerge marcou de livre directo aos 25 minutos. Já toda a gente festejava a vitória francesa, e Jordão a 15 minutos do fim, marcou o golo da igualdade, levando o jogo para o prolongamento, perante o olhar incrédulo dos franceses. E o prolongamento começou da melhor forma, pois Jordão voltaria a marcar na sequência de um centro da direita de Chalana. Estavam decorridos 8 minutos de jogo. Só que o futebol gaulês foi mais forte e a pressão exercida pela equipa da casa foi crescendo, Portugal começou a recuar e Domerge voltaria também ele a marcar, fazendo assim o seu segundo golo e o segundo francês. O balde de água fria chegou aos 119 minutos, mesmo antes do apito final Platini fez o 3-2, para gáudio dos da casa, contrastando com o desespero dos portugueses, que tinham visto instantes antes Nené falhar o golo. Fica para historia a quase coroação de Chalana como melhor jogador do torneio, titulo atribuído a Platini, pelos 9 golos marcados na prova.

Em 2000 a historia foi mais ou menos a mesma. Na 1ª competição organizada por dois países diferentes, Bélgica e Holanda, Portugal integrava o Grupo A, um dos mais fortes, senão o mais forte. Os restantes países eram a Inglaterra, a Alemanha e novamente a Roménia. Depois de um jogo épico frente aos ingleses (mais um!) que depois de estarem a vencer por 2-0, viriam a ser derrotados por 2-3, com golos de Figo, João Pinto e Nuno Gomes, a selecção venceria a Roménia com um golo de Costinha já nos instantes finais, e levaria de vencida a Alemanha com uma vitoria concludente por 3-0, com os golos a serem todos apontados por Sérgio Conceição. Portugal acabaria assim na 1ª posição com 9pts, seguido da Roménia com 4. Para trás ficaram surpreendentemente a Inglaterra e a Alemanha.

A França por seu turno integrou o Grupo D, com a Holanda (um dos anfitriões), a Rep. Checa e a Dinamarca. Os franceses vinham da ressaca do Campeonato do Mundo de 98, realizado precisamente na França, que se sagrou vencedora, acabou por começar bem a prova, vencendo a Dinamarca por 3-0, seguindo-se a Rep. Checa por 2-1, perdendo depois com a Holanda por 2-3. Com estes resultados os gauleses acompanharam os holandeses na passagem à fase seguinte, tendo-se classificado no segundo lugar com 6pts.

Franceses e portugueses voltaram-se a encontrar nas meias-finais da competição, depois de terem afastado nos ¼ Espanha e Turquia respectivamente.
Tal como em 84, nas duas selecções despontavam grandes valores, como Figo, Nuno Gomes, Sérgio Conceição ou Rui Costa, pelos lusos, Henry, Barthez, Vieira ou Zidane pelos franceses. O jogo decorreu em Bruxelas, e Portugal foi o primeiro a marcar por intermédio de Nuno Gomes aos 16 minutos de jogo. Depois deste golo, Portugal passou a dominar o encontro até ao intervalo, sem no entanto voltar a marcar. O intervalo caiu bem aos franceses, que logo no reatamento fizeram o golo da igualdade através do inevitável Henry. O jogo foi para o prolongamento, que decorria no sistema de morte súbita, depois renomeado de golo de ouro. E esse golo de ouro sorriu aos franceses, depois de Abel Xavier ter metido inocentemente a mão à bola, já dentro da pequena área. Encarregue da marcação da grande penalidade, Zidane não falhou e apurou os “bleus” para mais uma final de uma grande competição internacional. Tal como em 1984, antes deste lance decisivo, Sérgio Conceição tinha tido uma oportunidade flagrante para terminar com a partida. Depois do golo estalou a polémica, pois Abel Xavier, Paulo Bento e Nuno Gomes foram severamente castigados pela UEFA, com o primeiro a cumprir 7 meses de castigo e os outros dois 6, por alegadamente ter agredido e desrespeitado o arbitro e o fiscal de linha que viu a mão de Xavier. Tal como em 84, Figo perdeu o título de melhor jogador do torneio para Zidane.

Os restantes jogos resumem-se a amigáveis, que ajudam a criar uma estatística altamente desfavorável aos portugueses, tanto mais que já não vencemos a França desde 1975. Daí para cá, 7 jogos e outras tantas derrotas. Mas como o futebol não é só estatística, há que jogar e dar tudo por tudo para vencer e chegar a final de Berlim e esta selecção tem tudo para conseguir esse feito histórico. Depois… Logo se verá. Mas seria espectacular Portugal ser Campeão Mundial.

Histórico dos jogos entre Portugal e França.

18/04/1926 França-Portugal 4-2
16/03/1927 Portugal-França 4-0
29/04/1928 França-Portugal 1-1
24/03/1929 França-Portugal 2-0
23/02/1930 Portugal-França 2-0
28/01/1940 França-Portugal 3-2
14/04/1946 Portugal-França 2-1
23/03/1947 França-Portugal 1-0
23/11/1947 Portugal-França 2-4
20/04/1952 França-Portugal 3-0
24/03/1957 Portugal-França 0-1
11/11/1959 França-Portugal 5-3
03/03/1973 França-Portugal 1-2
26/04/1975 França-Portugal 0-2
08/03/1978 França-Portugal 2-0
16/02/1983 Portugal-França 0-3
23/06/1984 França-Portugal 3-2
25/01/1996 França-Portugal 3-2
22/01/1997 Portugal-França 0-2
28/06/2000 França-Portugal 2-1
25/04/2001 França-Portugal 4-0


Equipas do França-Portugal de 1984

França: Bats, Batiston, Le Roux, Bossis e Domerge, Tigana, Fernandez e Giresse, Platini, Didier Six e Lacombe

Portugal: Bento, João Pinto, Lima Pereira, Eurico e Álvaro Magalhães, Jaime Pacheco, Frasco e Sousa, Diamantino, Chalana e Jordão

Equipas do França-Portugal de 2000

França: Barthez, Thuram, Blanc, Desailly e Lizarazu, Deschamps, Vieira e Petit, Zidane, Anelka e Henry

Portugal: Vítor Baia, Abel Xavier, Fernando Couto, Jorge Costa e Dimas, Vidigal, Costinha e Rui Costa, Sérgio Conceição Figo e Nuno Gomes.

3 de julho de 2006

E Portugal já está nas meias-finais!!


Depois de mais um jogo impróprio para cardíacos, a nossa selecção conseguiu mais um feito histórico, ao qualificar-se para as meias-finais do Campeonato do Mundo, ao fim de 40 anos. Depois dos magriços em 66, esta selecção volta a atingir um lugar entre as 4 melhores selecções a nível mundial. Scolari e os seus rapazes provaram mais uma vez que só com muita humildade e trabalho, se atingem os resultados necessários. Mas vamos ao jogo propriamente dito.

Nesse campo, as duas selecções fizeram um jogo muito cauteloso, chegando por vezes a ser táctico de mais, para o valor de ambas as equipas. Embora compreensível, pois estávamos num jogo a eliminar e numa fase adiantada da prova, onde qualquer precipitação pode custar a passagem a fase seguinte, o certo é que se esperava mais, devido aos bons valores individuais de ambos os conjuntos.

Scolari fez alinhar de início Tiago ao lado de Maniche, em vez de Simão, mantendo Figo encostado à ala direita e dando de novo a faixa esquerda a Cristiano Ronaldo, depois de este ter estado em dúvida durante quase toda a semana. No meio campo, Petit substituiu o expulso Costinha e a defesa manteve os quatro pilares, Miguel, Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente. Na frente Pauleta era o artilheiro de serviço, enquanto que Ricardo continuou a defender, e bem, as redes nacionais.
Do lado inglês, Eriksson jogou com Robinson, Neville, Terry, Ferdinand e Ashley Cole, Hargreaves, Beckham, Gerrard, Lampard e Joe Cole, na frente Rooney.

O jogo começou com a Inglaterra no comando, tal como acontecera em 2004. Os médios portugueses não conseguiam sair a jogar, fruto da grande pressão exercida pelos jogadores ingleses que roubavam todos os palmos de terreno existentes. Só aos 11 minutos, Portugal chegou com relativo perigo à baliza de Robinson, depois de Ronaldo ter pegado na bola e ter rematado forte, ainda de fora da área. No minuto seguinte, o golo esteve nos pés de Tiago. Falta batida da direita do ataque português, Neville oferece a bola a Tiago, que distraído, não consegue fazer o remate. A partir deste momento o jogo ficou um pouco mais equilibrado, mas com os ingleses a espreitar o contra-ataque sempre com algum perigo. O intervalo chegou sem que as equipas tivessem desfrutado de uma flagrante oportunidade de golo.

No reatamento, uma contrariedade para Eriksson, que acabaria por quase ser determinante no desfecho do encontro. Beckham foi substituído logo aos 52 minutos, e para o seu lugar entrou Lennon. Este jogador veio trazer uma dinâmica diferente ao jogo, pois a velocidade imprimida por este jogador foi impressionante e muito trabalho deu a Nuno Valente. Alias, as jogadas mais perigosas do conjunto inglês, saíram dos pés deste jogador. Aos 62 minutos, uma enorme contrariedade no conjunto inglês. Rooney é expulso depois de ter calcado nas partes baixas, Ricardo Carvalho. Horácio Eliozondo, que estava a escassos metros do lance, não teve dúvidas e deu ordem de expulsão ao jogador inglês. A partir deste momento, o jogo partiu-se e Scolari fez a primeira substituição, tirando Pauleta, que tinha estado perdido durante todo o encontro no meio dos centrais ingleses e fez entrar Simão, passando Ronaldo a ocupar o lugar de ponta de lança. Eriksson respondeu, tendo feito entrar a torre Peter Crouch, para o lugar de Joe Cole, passando a jogar em 4x4x1.

Depois deste momento, Portugal passou a dominar numericamente e territorialmente o jogo, implantando-se quase por completo no meio campo inglês. Scolari mexeu mais duas vezes, fazendo entrar Hugo Viana e Postiga, para os lugares de Tiago e Figo respectivamente. Antes de sair o capitão português proporcionou a defesa da tarde a Robinson, quando da cabeça da área rematou em jeito, com selo de golo, vendo o guardião inglês voar, para com uma palmada evitar o golo português. Este domínio revelou-se infrutífero, pois os portugueses não tiveram a clarividência necessária para tentar fazer mais remates de fora da área, e não foi por falta de executantes, pois em campo estavam Maniche, Petit e Hugo Viana, que rematam muito bem de meia distância. A Inglaterra já no fim dos 90 minutos, teve soberana oportunidade para matar o jogo, mas Terry não acertou no alvo. O prolongamento chegou em boa hora para os ingleses, que conseguiram aguentar durante mais 30 minutos as investidas portuguesas. Já no fim do prolongamento Maniche teve nos pés o golo da vitória, mas atirou por cima.

Nas penalidades, mais suspense. Depois de Simão ter marcado muito bem o seu penalti, Ricardo começou a sua epopeia. Defendeu o remate de Lampard, que em dois anos não tinha desperdiçado nenhum, viu depois Hugo Viana atirar ao lado, por pouco não defende o de Hargreaves, volta a ver mais um desperdício, desta feita de Petit, mas consegue depois defender o remate de Steven Gerrard, e o de Carragher, para depois exultar com o golo de Cristiano Ronaldo. Pelo meio, Postiga, desta vez sem o pontapé a Panenka, também bateu Robinson.

No fim da partida o desalento dos jogadores ingleses contrastava com o ambiente de festa dos portugueses, que ao fim de quatro décadas chegam novamente as meias-finais de uma grande competição. Os ingleses confirmam a regra de nunca vencer um jogo que acabe no desempate por grandes penalidades. Para a história fica o registo de Ricardo ser o primeiro guardião num mundial a defender três grandes penalidades no mesmo jogo.

O Melhor do jogo

Nesta matéria, ao contrário da FIFA, que escolheu Hargreaves (!), eu escolho Ricardo. É certo que o médio inglês fez uma bela partida, tendo tido alguns bons apontamentos, mas Ricardo foi o garante da passagem dos portugueses à fase seguinte e alem de ter defendido três grandes penalidades, entra na história precisamente por esse facto.

O Pior do jogo

Aqui tenho que destacar Wayne Rooney. Complicou sobremaneira a vida à sua selecção, depois de mais um acto irreflectido, ao calcar Ricardo Carvalho, mesmo nas barbas do árbitro. Significativa das dificuldades que iriam esperar os ingleses, foi a atitude de Gary Neville, que logo que foi exibido a cartão vermelho ao jovem atacante, correu na direcção do banco, berrando com Beckham, para que este, na qualidade de capitão de equipa desse um raspanete ao jogador.



O Arbitro

Completamente despercebido. Neste jogo Horácio Eliozondo confirmou que é um dos melhores árbitros a actuar no torneio. Apenas quatro amarelos, dois para cada lado, e um vermelho, todos justificados. Passou ao lado das pressões da imprensa inglesa, que queriam fazer dos jogadores portugueses uns bárbaros batoteiros.



O Resto da jornada.

Alemanha-Argentina


Os quartos de final começaram na sexta-feira, com o Alemanha-Argentina e o Itália-Ucrânia.
O primeiro jogo pôs frente a frente dois campeões mundiais, e grandes candidatos à vitória final, reavivando a final do Itália 90, daí ter sido considerado como uma final antecipada. Este foi um dos jogos mais tácticos destes quartos, pois na primeira parte apenas houve uma oportunidade clara de golo, a pertencer aos anfitriões, com Ballack a cabecear não muito longe da baliza de Abbondanzieri. A Argentina entrou expectante e a jogar no erro dos alemães, erro esse que apenas se veio a verificar no reinicio da partida, quando Klose não acompanhou Ayala na sequencia de um pontapé de canto, permitindo ao defesa argentino chegar primeiro e abrir o activo. O mais interessante é que o remate do golo foi o primeiro efectuado pelos argentinos em toda a partida. Pekerman surpreendeu um pouco ao fazer entra Tevez para o lugar de Saviola e ao não ter feito entrar Léo Messi nem um minuto dos 120 disputados. Os argentinos, com mais posse de bola, não foram tão eficazes como tinham sido contra a Servia e Montenegro, e a um quarto de hora do fim da partida, o treinador tentou guardar a vantagem, fazendo entrar Cambiasso para o lugar de Riquelme, tirando assim o pouco de criatividade que o meio campo sul americano tinha demonstrado. Naturalmente houve um recuo dos argentinos, muito bem explorado por Klinsmann, que antes desta substituição já tinha feito entrar Odonkor para o lugar de Scheneider, dando mais profundidade ao lado direito alemão, para depois fazer entrar Borowski para o lugar do Schweinsteiger. A Alemanha passou a dominar e a pressionar mais perto da baliza de Léo Franco, que entretanto tinha substituído o lesionado Abbondanzieri, e a 10 minutos do fim dos 90, Klose faz a igualdade. Jogada de Ballack pela esquerda, centrando para o centro da área onde Borowski desvia, encontrando no caminho Klose, que fuzila por completo o desamparado Franco. O jogo ia para prolongamento, mas antes disso Lucho Gonzales, teve uma boa oportunidade para desfeitear Lehmann, no entanto a jogada seria invalidada por fora de jogo de Tevez. No prolongamento nada de relevante, tendo-se seguido a lotaria das grandes penalidades, com a curiosidade de nenhuma equipa ter ainda perdido nesta forma de desempate. A sorte sorriu aos alemães, que mais frios conseguiram apontar 4 grandes penalidades contra duas dos argentinos. Ayala, o marcador do golo sul-americano e Cambiasso, falharam para os alvicelestes.
No fim grande confusão, com os argentinos a travarem-se de razões com os responsáveis alemães, sem no entanto se saber bem porquê. Deste desentendimento, Cufre saiu expulso, por ter agredido o alemão Mertesacker.

Itália-Ucrânia

Os italianos, acusados de pôr em pratica o catennacio, golearam a estreante Ucrânia. O resultado final foi de 3-0 com os italianos a adiantarem-se no marcador logo aos 6 minutos apontado por Zambrotta. Os ucranianos foram uns dignos vencidos, e nunca baixaram os braços, tendo estado muito perto da igualdade aos 50 e aos 57 minutos, através de remates de Gusin. Os estreantes viram a vida mais complicada, quando na sequência de uma jogada perigosa, que levou Buffon a tirar a bola encima da linha de golo, viram o contra-ataque venenoso, acabar em golo. Foi aos 59 minutos e o autor foi Luca Toni, que assim se estreia a marcar na competição. Aos 69 minutos a Itália matou o jogo, em mais um excelente de Zambrotta, que arrancou da esquerda, dando depois a Toni a oportunidade de bisar, precisando apenas de encostar para o fundo das redes do desamparado Shovkovskyi.
Os jogadores italianos cumpriram a promessa e dedicaram a vitória a Gianluca Pessoto, ex-internacional italiano que na passada terça feira caiu de um segundo andar, nos escritórios da Juventus, local de trabalho do ex-jogador, estando no ar a tentativa de suicídio. Na volta de honra ao Estádio de Hamburgo, os jogadores da Azzurra sustentaram uma bandeira onde podia ler-se: Pessottino siamo com te (Pessotto estamos contigo.)
Com esta vitória, a Itália atinge a oitava presença em meias-finais da competição, e vai defrontar a Alemanha, procurando assim o tetra, depois de já ter vencido em 1934, 1938 e 1982.

Brasil-França

Deste jogo sairia o adversário de Portugal nas meias-finais da competição. E contra todas as contas, o adversário será a França.
Os velhinhos, como a imprensa gaulesa catalogou os seus seleccionados, deram uma lição de futebol aos brasileiros, com o avô Zidane na batuta. O jogador, que já anunciou o fim da carreira quando acabar o campeonato do mundo, quer chegar a Berlim e se possível fechar com chave de ouro, uma carreira já de si, bem brilhante. Quanto ao jogo, propriamente dito, apenas uma equipa esteve em campo e essa foi a França. O Brasil foi uma sombra de si próprio, como alias em todos os jogos já disputados, e não foi capaz de criar uma única jogada de perigo em todo o primeiro tempo. A França ia-se chegando a frente e acreditando que num rasgo de sorte poderia bater esta fraquíssima selecção brasileira, que deixou a impressão de que, caso tivesse um grupo mais experiente, teria ficado logo por ali…. Ronaldo não apareceu, Ronaldinho terá ficado em Barcelona? Kaka só jogou contra a Croácia? São enigmas que cabe agora a Parreira e companhia em conjunto com a imprensa e os 180 milhões de brasileiros, desvendar.

No segundo tempo, a Franca entrou decidida a marcar e Henry deixou o aviso logo na reabertura, ao cabecear um tudo-nada ao lado da baliza de Dida. Mas ao minuto 57 acertou mesmo. Livre apontado por Zidane da esquerda do ataque gaulês, Toda a gente a fugir para o centro da área e esqueceram-se de Henry que completamente sozinho apareceu na cara de Dida, batendo-o inapelavelmente. O Brasil esboçou uma ténue reacção, mas foi a França que poderia ter sentenciado o encontro, tivesse Ribery aproveitado a situação que teve aos 69 minutos, quando apareceu sozinho na cara de Dida. Até ao fim apenas um remate perigoso de Ronaldo de fora da área, mas bem controlado por Barthez.

Assim a França consegue chegar novamente às meias-finais, onde vai defrontar Portugal, procurando um lugar na final de 9 de Julho em Berlim.
Os brasileiros voltam para casa, cabisbaixos, e de certeza à procura de explicações para tamanho eclipse de uma selecção que contem dos melhores executantes da modalidade. Ao fim de 11 jogos o Brasil volta a perder um jogo num Mundial, depois de ter sido derrotado em 1998, na final do Mundial de França e por esta mesma selecção gaulesa.
Para registo, desde 1990, que os canarinhos não caíam numa fase adiantada da prova, tendo na altura sido derrotados pela Argentina nos oitavos de final, por 1-0 com golo de Caniggia a 10 minutos do fim da partida.