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| Daniel Ferreira regressou ao Tirsense e está a fazer sucesso |
ABR - Começou a temporada no Resende, na Série B e termina no Tirsense, na Série A. que balanço faz da temporada até ao momento, em duas séries completamente distintas?
DF - Foi uma época muito desafiante e
enriquecedora. Começar numa Série B, com um contexto competitivo diferente, e
terminar numa Série A exigiu uma capacidade de adaptação grande. São realidades
distintas, com níveis de exigência, qualidade e pressão diferentes.
Habitualmente a série B é sempre mais forte e competitiva, no entanto, esta
época a Série A tem-se revelado muito competitiva e equilibrada. Ainda assim,
vejo a época como muito positiva em termos de crescimento pessoal e
profissional.
ABR - Quando saiu do Resende, estava no 9º lugar, a um
ponto de sair da zona de descida. Neste momento, o clube está com o regresso
aos distritais, praticamente assegurado. Arrepende-se de alguma forma, de ter
saído do clube?
DF - Não olho para a saída com arrependimento.
São decisões que fazem parte da carreira de um treinador e que são tomadas com
base no momento. Saí com a consciência tranquila do trabalho feito.
Naturalmente, custa ver a possível descida do clube às distritais, porque
criam-se ligações, e um clube com uma direção exemplar e eu tínhamos um grupo
de jogadores fantástico, mas o futebol é mesmo assim.
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| No Resende, o técnico teve a primeira experiência no Campeonato de Portugal |
DF - Tem sido um percurso muito
positivo. Tenho um grupo de trabalho muito comprometido e uma estrutura
que me dá todas as condições. Sendo um clube especial para mim, isso também
traz responsabilidade acrescida, mas felizmente as coisas têm corrido bem
dentro de campo. A forma de liderar o grupo mudou com a nossa chegada, assim
como a própria ideia de jogo. Conseguimos implementar um espírito positivo e
incutir competitividade em todos os treinos. Trabalhamos no sentido de fazer
com que os jogadores acreditassem mais em si próprio e no seu valor, reforçando
também a importância de compreenderem o que significa representar o Tirsense. Desde
a nossa chegada realizamos 16 jogos, com registo de oito vitórias, seis empates
e apenas duas derrotas. Atualmente atravessamos uma série de nove jogos
consecutivos sem perder e seis jogos seguidos sem sofrer golos. Somos a equipa
com menos derrotas e a melhor defesa da série A. Mantemos ainda a ambição e a
possibilidade real de alcançar os dois primeiros lugares.
ABR - Essas derrotas foram contra Bragança e Vianense,
as duas equipas que estão nos primeiros lugares. Ameniza um pouco os resultados
menos positivos?
DF - São derrotas contra equipas muito fortes
e que ocupam atualmente os dois primeiros lugares. Isso não invalida o facto de
querermos sempre ganhar, mas ajuda a contextualizar. Foram 2 jogos distintos,
mas em ambos estivemos em vantagem, contra o Bragança conseguimos equilibrar a
partida e fomos competentes até ao apito final, no entanto contra o Vianense o
adversário foi superior e considero que mereceu a vitória.
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| No Mirandela, Daniel Ferreira foi campeão distrital invicto |
DF - São sempre jogos especiais. O
Mirandela é um clube por onde passei e pelo qual tenho muito respeito. Entramos
sempre em campo para vencer, como em qualquer jogo, mas naturalmente há um
sentimento diferente. Não diria que teve um ‘gosto especial’, mas houve
respeito pelo passado e total foco no presente. Fiz parte da subida do
Mirandela ao Campeonato de Portugal e existia um projeto de continuidade, que
acabou por ser alterado por decisão da direção, o que impediu a minha
permanência. Tenho pena se se confirmar a descida aos distritais, porque é um
clube e uma cidade que merecem estar em patamares mais elevados.”
ABR - Desde que chegou, que ainda não havia jogado em
casa, devido à mudança de relvado. Como foi ultrapassar essa adversidade de ter
que andar com a casa às costas?
DF - Foi um desafio exigente. Jogar
consecutivamente fora de casa retira algum conforto à equipa, obrigando-nos a
uma maior união e capacidade de adaptação. Felizmente, o grupo respondeu muito
bem e demonstrou grande caráter. Desde o meu primeiro dia no clube que encaro
as dificuldades com uma mentalidade focada em soluções, transformando
adversidades em oportunidades. Mais uma vez, a equipa reagiu de forma positiva
e provou a sua força coletiva.
ABR - A permanência já está assegurada e,
matematicamente, ainda é possível chegar ao playoff de subida. Acredita que o
Tirsense pode lá chegar?
DF - Enquanto for matematicamente possível,
vamos acreditar. Sabemos que não dependemos só de nós, mas o nosso foco é
ganhar os jogos que faltam. Depois, faremos as contas no final.
ABR - Dependendo da época terminar daqui a duas
semanas, ou um pouco mais à frente, caso chegue à fase seguinte, já há
conversações para a próxima temporada? Vai continuar no clube?
DF - Ainda é cedo para abordar esse tema.
Neste momento, o foco está totalmente na competição e em terminar a época da
melhor forma possível. Haverá tempo, com tranquilidade, para conversar e
definir o futuro. De uma coisa tenho a certeza: a consciência está tranquila,
porque o trabalho tem sido bem feito e os resultados assim o comprovam.
ABR - Caso não fique no Tirsense, quais são as
expectativas para a próxima temporada?
DF - O objetivo passa sempre por continuar a
evoluir, encontrar um projeto sólido e onde possa acrescentar valor. Seja aqui
ou noutro contexto, quero continuar a crescer e a competir.
ABR - Que mensagem quer deixar aos adeptos do Tirsense
para estes dois jogos que faltam?



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