27 de abril de 2026

JOSÉ COSTA FAZ UM BALANÇO DA EPOCA DO SÃO MARTINHO - "NO MOMENTO DA VERDADE, NÃO CONSEGUIMOS SER VENCEDORES"


Uma época feita de dificuldades, crescimento, esperança, e uma dor final difícil de apagar. Depois de uma caminhada marcada por altos e baixos, José Costa faz o balanço da temporada do São Martinho. O técnico fala das dificuldades de preparar uma equipa “em competição”, dos momentos que fizeram o clube sonhar e da frustração de não conseguir alcançar a permanência no momento decisivo.
Numa conversa sincera com A Bola é Redonda, o treinador abre o coração sobre a descida, a despedida do clube e o sentimento de orgulho por um percurso que, apesar do desfecho, deixa marcas positivas.

A BOLA É REDONDA (ABR) - Que balanço faz da época, tendo em conta todas as vicissitudes da mesma?

JOSÉ COSTA (JC)- Na minha opinião, tivemos imensa dificuldade numa fase inicial, quando nos foi difícil lutar e jogar com défice de pré-época. Após vários jogos difíceis, e negativos, conseguimos após uma paragem, encontrar o nosso caminho e mostrar todo o nosso potencial. Chegamos a fazer sonhar as pessoas noutro patamar e, infelizmente, não fomos fortes o suficiente para aguentar essa posição. Acabamos por descer de divisão, o que para muita gente é a única análise feita. Para mim, fizemos um caminho bonito com um final difícil e doloroso.

ABR - O São Martinho foi o último clube a subir aos nacionais e fez uma espécie de pré-época em competição. Como foi ter que mudar o chip de um momento para o outro?

JC - Como disse anteriormente foi difícil. Foi fazer uma pré-época em competição, com resultados negativos, com dificuldades. E muitas vezes tivemos que seguir um caminho que não queríamos. Foi difícil mudar o chip. E no fundo não fomos regulares.

José Costa não continua
no clube na próxima epoca
ABR - A equipa esteve muito tempo em zona de descida, depois conseguiu uma boa fase, onde chegou mesmo a estar perto de entrar em zona de fase de subida. O que se alterou para voltar a cair na tabela?

JC - Depois de todo esse sofrimento, encontramos um ponto de equilíbrio e fomos nós, uma equipa que joga bom futebol, que ganhou honestamente cada ponto. Depois veio um período mais conturbado onde tivemos dificuldades, e com momentos de decisão onde não fomos tão assertivos. Depois de tudo, é fácil dizer 'se fizéssemos', ou 'se não tivéssemos feito'. Tudo que foi decidido foi a pensar que seria o melhor para o São Martinho

ABR - Esse facto também mostra a competitividade desta série. O que achou desta Série A?

JC - Foi a minha primeira experiência neste nível e, normalmente, as equipas têm a fama de serem muito duras, jogarem um futebol direto e 'mais feio'. Algumas equipas são mesmo assim, acho que se permite muito anti-jogo, o que não é bom para o futebol e para o adepto. Mas também se vê jogadores com muita qualidade, que estou certo, vamos vê-los em níveis superiores.

ABR - Normalmente diz-se que a Série B é a mais competitiva, mas o São Martinho desce com 34 pontos, que naquela serie daria para terminar em 8° lugar. Como vê este facto?

JC - Em relação a competitividade, tivemos alguns jogos-treino com equipas da série B e, o que se percebe claramente, é a maturidade e experiência dessas equipas, aliado a qualidade. Na série B, este ano, apareceram duas equipas num nível muito superior.

ABR - O São Martinho chegou às duas últimas jornadas a depender apenas de si, mas a derrota com o Mirandela, acabou por ser fundamental. O que correu mal nesse jogo?

JC - Nesse jogo crucial, e que nos deixou numa posição mais difícil, tomamos a decisão de jogar como sempre, tentar assumir o jogo, tentar ter mais bola, e o início do jogo foi difícil. Sofremos muito cedo, tivemos muitas dificuldades em superar 'algumas dificuldades do jogo'. O próprio jogo foi mal dirigido, e teve situações anormais para a fase delicada. Mas temos que assumir que não conseguimos ser nós próprios nesse jogo.

ABR - Frente ao Monção a equipa cumpriu, mas não chegou. Qual foi o sentimento no final daquele jogo? 

JC - Foi uma semana muito difícil. Tentar motivar os jogadores sabendo da situação que enfrentavam, não foi fácil mas tínhamos que deixar uma imagem positiva, apesar de tudo. E isso foi feito. Ganhamos mas no final, ficou uma dor, um sentimento de frustração, por não termos sido capazes de, nos momentos da verdade, sermos vencedores.

José Costa agradeceu o apoio dos adeptos ao longo da época 

ABR - A direção do São Martinho já anunciou que está a preparar a próxima época. O mister vai continuar a treinar a equipa?

JC - Depois de uma semana para analisar, pensar e ponderar bem a época, chegamos a um entendimento que, após o não cumprimento do objetivo da manutenção, devíamos seguir caminhos diferentes. Tudo foi feito com muita honestidade de ambas as partes, e espero que no futuro possa voltar a treinar este clube, que estará sempre no meu coração. Fica aqui o meu agradecimento por tudo.

ABR - Como projeta a próxima época? Espera manter-se no Campeonato de Portugal?

JC - Apesar de ter estado esta época no Campeonato de Portugal, não posso dizer que só estou disponível para o Campeonato de Portugal. Gostava evidentemente, e estou preparado, para encarar um novo projeto. Algo que me diga alguma coisa e que me faça superar e lutar dia a dia, para ser bem sucedido.

ABR - Deixe uma mensagem aos associados e adeptos do clube.

JC - Antes de deixar uma mensagem aos adeptos quero deixar uma mensagem ao Pedro Carvalho, presidente, amigo, homem, e campense, agradeço todo o teu apoio, a honestidade e oportunidade de treinar o São Martinho. Quero que esteja ciente de que sou um treinador orgulhoso por ter feito um trabalho a seu lado. infelizmente não conseguimos deixar o São Martinho nos campeonatos nacionais, mas estou certo de que vai fazer crescer muito o clube. Mais uma vez obrigado. Aos adeptos que desde o primeiro dia nos seguiram, nós apoiaram, que exigiram de nós nas horas más, o brio, o suor, e o dignificar a camisola o símbolo, o meu muito obrigado pelo carinho, pela atenção, pela força, pelas lágrimas e pela voz presente. Como disse, dei o melhor de mim numa época atribulada, e cresci e aprendi muito. Desejo-vos, a todos, o melhor.

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