9 de junho de 2026

VÍTOR GAMITO - "QUANDO NINGUÉM ACREDITAVA, FOMOS OS PRIMEIROS A ASSUMIR A SUBIDA COMO OBJETIVO"

Vítor Gamito deixa o Rebordosa, após dois anos positivos no clube

Após duas temporadas marcantes ao serviço do Rebordosa, Vítor Gamito encerrou o seu ciclo no clube, deixando para trás registos históricos, mas também a frustração de falhar a tão desejada subida de divisão. Em entrevista exclusiva ao A Bola é Redonda, o treinador fala, pela primeira vez, da sua saída, faz o balanço da sua passagem pelo emblema rebordosense, explica os motivos da saída e analisa a quebra na fase de subida.


A Bola é Redonda (ABR) - "Só é lembrado quem vence títulos e alcança promoções". Mister, esta frase foi proferida por si no podcast. O Rebordosa falhou essas metas. Acredita que o que fez no clube não será lembrado no futuro? 

Vítor Gamito (VG) - Sim, é verdade, quem vence títulos e alcança grandes objetivos é quem deixa o seu nome na história. Falhámos a subida de divisão num playoff duro e assumimos essa responsabilidade. Contudo, creio que a nossa passagem por Rebordosa deixa uma marca indelével no clube com a melhor campanha de sempre na Taça de Portugal ao chegar aos oitavos-de-final em 24/25, a melhor classificação de sempre do clube, com o primeiro lugar na fase regular em 25/26 e presença inédita no playoff de subida, e o record de invencibilidade em toda a história do Campeonato de Portugal, com 25 jogos sem perder. Não terminando como gostaríamos, estamos convictos que esta passagem pelo clube será lembrada como bem-sucedida, e esperamos ter criado bases para o clube continuar a competir a este nível no futuro.

ABR - Foi por isso que quis sair do Rebordosa? Não tinha condições para continuar? 

VG - Não, esta minha decisão nada tem a ver com o sucesso/insucesso da fase de subida. Foi uma decisão maturada em função daquilo que é a minha gestão de carreira, onde entendi que seria importante encerrar o ciclo no Rebordosa AC no final desta época e como tal, não analisei objetivamente se teria ou não condições para continuar.

ABR - Olhando para trás, como sente que deixou o Rebordosa, relativamente ao estado em que estava quando chegou?

VG - Herdei um plantel com elevados níveis de compromisso e hábitos de treino, pelo excelente trabalho que o mister Arlindo Gomes fez nos quatro anos antecedentes à minha chegada ao clube, e que serviu de base para implementarmos as nossas ideias e metodologia. Penso que deixamos no clube uma maior profissionalização do seu dia-a-dia, com a introdução de várias ferramentas de otimização da performance desportiva que serão certamente aproveitadas, a capacidade de competir a níveis que ainda não havia experienciado e a ambição sem limites, que foi a imagem de marca deste nosso trajeto.

ABR - A quebra na II Fase do campeonato foi notória desde o início. Na sua opinião, o que esteve na origem dessa quebra de resultados? 

VG - Penso que não há um único fator que se possa dizer que foi a origem dessa quebra, e tudo o que se possa dizer sobre o tema nesta altura, pode soar a desculpa. Essa reflexão foi feita internamente e serve para crescimento futuro, quer da parte da estrutura, quer da equipa técnica. O mais importante é assumirmos a responsabilidade, pois não correspondemos às expetativas criadas por nós próprios, pela fase regular que fizemos. O binómio tempo em desvantagem no marcador e tempo em desvantagem numérica, foram constrangimentos que podem justificar a quebra de performance na fase final.

ABR - Tendo em conta o trabalho desenvolvido nestas duas épocas, acreditava que a equipa poderia dar a volta, ou percebeu logo que não ia dar para mais?

VG - Quem acompanhou a nossa equipa nestes últimos dois anos, sente perfeitamente que acreditamos sempre até ao fim, por mais adversa que fosse a situação. No início do campeonato, quando ninguém nos colocava no lote dos favoritos, fomos os primeiros a acreditar que era possível e a balizar a subida de divisão como objetivo. Fomos única equipa pós-laboral presente na Fase de Subida e esse facto diz muito sobre o caráter, a ambição e compromisso deste grupo.

ABR - Que ensinamentos retira desta experiência?

VG - O principal ensinamento desta época é a validação de algo que já sabia: o futebol é o momento.

ABR - Olhando para os clubes que vão disputar a final, quem acredita que vencerá o Campeonato de Portugal: Leça ou Vitória de Sernache? 

VG - Uma final é sempre um jogo de resultado muito incerto. O Leça teve uma trajetória ascendente, terminou a época em ótima forma e tem um excelente plantel bem orientado. Não conheço muito do Vitória de Sernache, mas para estar na final é porque tem muito valor. Será, certamente, um jogo competitivo e um jogo de festa, onde qualquer uma das 56 equipas queria estar.

ABR - Já tem algum projeto para o futuro, ou ainda não surgiram contactos?

VG - Sim, já surgiram contactos e abordagens, mas ainda não está definido qual será o próximo projeto. Ambicionamos que seja um passo em frente.

ABR - Deixe uma mensagem aos sócios e adeptos do Rebordosa. 

VG - Agradecer-lhes o carinho e a forma como fui recebido em Rebordosa. Os adeptos são a alma do clube e foi notório o crescimento da massa adepta ao longo destes dois anos. Que a desilusão do final desta época não seja de desânimo, mas sirva como combustível para as conquistas vindouras. 

ABR - Deixe uma mensagem aos adeptos do futebol, no geral.

VG - Em ano de Mundial, voltamos a lembrar-nos daquilo que o futebol tem de mais forte: a capacidade de unir um país inteiro. Que esse espírito não exista apenas na Seleção, mas também no futebol nacional no dia-a-dia. Mais sentido coletivo, mais respeito e a noção de que quando o futebol português cresce, crescemos todos juntos. Valorizar aquilo que é nosso! 

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