Miguel Paiva, guarda-redes do Leça Futebol Clube, foi o 99° convidado do Entrevista Com... podcast do projeto A Bola é Redonda. Aos 31 anos, Paiva celebrou recentemente a conquista do Campeonato de Portugal, um marco inédito na sua carreira, que o levou a refletir sobre um percurso pautado por desafios e uma inabalável paixão pelo desporto.
Em entrevista, o guardião do Leça partilhou os detalhes da emocionante jornada que culminou no título nacional. A equipa, que teve um início de temporada irregular, e demonstrou uma notável capacidade de resiliência. "Soubemos sofrer, soubemos ultrapassar certas coisas", afirmou Miguel Paiva, destacando a união do grupo como o pilar do sucesso. A final no Estádio do Jamor, decidida nas grandes penalidades contra o Vitória de Sernache, foi o palco de um momento de glória pessoal para Paiva, que defendeu remates cruciais. Revelou ainda uma estratégia engenhosa e secreta com o seu colega, Vítor São Bento, para antecipar os lances. "Quando ia para a linha, para tentar defender o penalti, olhava para o Vítor, e ele levantava o lado do calção para onde iria ser batido o penalti. Assim ninguém iria perceber que tinhamos estudado os penaltis. Foi uma estratégia que correu bem", explicou o guardião.
Miguel Paiva é um mosaico de experiências em clubes como Salgueiros, Maia, Avintes e Oliveira do Douro. O guarda-redes não esconde as cicatrizes de duas lesões graves que o afastaram dos relvados, mas sublinha que "valeu tudo a pena" ao recordar o sofrimento e o trabalho árduo. A emoção transbordou no final do jogo com o Vitória de Sernache, com Paiva a chorar, um reflexo de "muita emoção" e da concretização de um sonho acalentado.
O ponto de viragem na temporada do Leça, foi a chegada do treinador Mika. Miguel Paiva elogiou a sua capacidade de "saber lidar com o jogador" e de motivar o plantel, criando um ambiente de união que se revelou decisivo. A exigência das massas adeptas, uma constante nos clubes por onde passou, é vista como um estímulo. "É sempre bom ser assim. É melhor do que um clube que perde, e os adeptos não querem saber", salientou.
Com 31 anos, Miguel Paiva mantém viva a chama da ambição. Após alcançar a Liga 3, o guarda-redes sonha mais alto. "Vamos ver se chego à Segunda Liga. Ficava muito, muito feliz", confessou, mostrando que, apesar das adversidades, a paixão pelo futebol e a busca por novos patamares continuam a ser a sua força motriz.
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