23 de abril de 2026

BRUNO CRISTIANO - "NO BENFICA, O FOCO NO DETALHE É LEVADO AO EXTREMO. É O QUE SEPARA A ELITE DO RESTO"


Bruno Cristiano foi o convidado do último Entrevista Com..., podcast do projeto A Bola é Redonda.
No programa 90, o treinador fez um resumo da sua carreira enquanto jogador de futebol, que começou aos sete anos, no Boavista. "Desde que me lembro andava sempre com a bola debaixo do braço... era sem dúvida o meu brinquedo favorito", disse o treinador de desenvolvimento de técnica individual, relembrando o último título da formação axadrezada, em 2002/03, na altura pelos Sub-19, onde dividiu o balneário com Diogo Valente, que pendurou as chuteiras no último fim de semana. 

Após a carreira como jogador, Bruno Cristiano integrou a estrutura do Benfica, onde desempenhou funções cruciais no Seixal, na coordenação técnica dos Centros de Formação e Treino (CFT) por todo o país - Faro, Leiria, Viseu, Braga, Vila Real e Aveiro. Trabalhou diretamente no desenvolvimento individual de atletas até aos Sub-13 e acompanhou de perto a ascensão de talentos que hoje brilham na equipa principal ou em patamares elevados, como Anísio Cabral, Banjaqui e Gonçalo Moreira. "No Benfica, o foco no detalhe é levado ao extremo. É o que separa a elite do resto".

Podem ver a entrevista completa, no link abaixo 👇👇







22 de abril de 2026

MUROS URINADOS E TREINADOR AGREDIDO - O FIM DE SEMANA ATRIBULADO DA UD TORRADOS

UD Torrados tem imagens dos elementos que urinaram os muros do estádio 

Não foi um fim de semana fácil para a UD Torrados, no que diz respeito a situações inusitadas e pouco, ou nada, convencionais. O clube emitiu dois comunicados em pouco mais de dois dias, dando conta dessas ocorrências. 

No domingo, o clube revelou que adeptos da AD Várzea FC urinaram nos muros, bem como no portão de entrada, do Parque Desportivo de Torrados, casa do clube. Segundo o clube, "elementos ligados à AD Várzea FC, que, de forma deliberada, 𝘂𝗿𝗶𝗻𝗮𝗿𝗮𝗺 𝗻𝗮 𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮 𝗱𝗲 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗱𝗮 𝗲 𝗻𝗼𝘀 𝗺𝘂𝗿𝗼𝘀 𝗱𝗼 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗼 𝗿𝗲𝗰𝗶𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗼𝗿𝘁𝗶𝘃𝗼, durante o percurso pelo concelho de Felgueiras, no âmbito dos festejos de campeão", escreveu o clube, afirmando que "serão desencadeadas todas as diligências necessárias junto das autoridades competentes, com vista à identificação dos responsáveis, assim como dos veículos envolvidos, assegurando o completo esclarecimento da situação e a devida responsabilização dos intervenientes". 

Hoje, também através de comunicado, o clube deu conta de uma agressão que o treinador, David Moina, terá alegadamente sofrido no jogo do último domingo, frente à AD Freixo de Cima, referente à 29ª jornada da Serie 1 da Divisão de Honra da AF Porto, que os felgueirenses perderam por 3-2. "Num outro momento de maior tensão entre jogadores dentro das quatro linhas, verificou-se ainda a invasão do recinto desportivo por parte de adeptos da equipa adversária, situação que em nada dignifica o futebol nem os seus intervenientes. Durante essa invasão, registou-se a 𝗮𝗴𝗿𝗲𝘀𝘀ã𝗼 𝗮𝗼 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗼 𝘁𝗿𝗲𝗶𝗻𝗮𝗱𝗼𝗿, um ato grave que condenamos veementemente e que ultrapassa todos os limites aceitáveis no contexto desportivo", pode ler-se, no entanto, desresponsabilizando a AD Freixo de Cima. "𝗜𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮 𝘀𝗮𝗹𝗶𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗲 𝘁𝗶𝗽𝗼 𝗱𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗻ã𝗼 𝗽𝗼𝗱𝗲, 𝗻𝗲𝗺 𝗱𝗲𝘃𝗲, 𝘀𝗲𝗿 𝗮𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗱𝗼 à 𝗶𝗻𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝗶çã𝗼 𝗔𝗗 𝗙𝗿𝗲𝗶𝘅𝗼 𝗱𝗲 𝗖𝗶𝗺𝗮. Acreditamos que o clube não se revê nestas atitudes". 

A UD Torrados segue no 8° lugar da tabela classificativa, e no domingo fecha a época em casa, ao receber o GRD Rans

21 de abril de 2026

QUATRO EQUIPAS PARA UMA VAGA – AS CONTAS DA PERMANÊNCIA NA SÉRIE 2 DA DIVISÃO D’ELITE, AO PORMENOR




Há finais… e depois há finais assim.

A Série 2 da Divisão d’Elite da AF Porto chega à última jornada com um cenário digno de filme: quatro equipas, uma vaga de salvação e dezenas de combinações possíveis. Tudo em aberto, tudo por decidir, tudo dependente de 90’ que prometem ser vividos no limite.

Vila FC e Arcozelo entram nesta última jornada em posição privilegiada, mas sem margem para erro. O Vila joga em casa do Castêlo da Maia, e o Arcozelo recebe o Grijó. Logo atrás, União Beiriz, que recebe o Lavrense, e Aldeia Nova, que visita o Oliveira do Douro, ainda alimentam a esperança, mesmo que dependam de combinações difíceis de concretizar. Já o Folgosa da Maia, é o único que tem o destino traçado, pois já não tem combinações possíveis, que lhe permitam a salvação.

Mais do que pontos, entram em jogo os confrontos diretos, os golos, as diferenças mínimas — detalhes que podem decidir uma época inteira. Em caso de empate pontual, o regulamento dita uma autêntica “liga dentro da liga”, onde cada jogo entre estas equipas ganha um peso ainda maior.

No meio deste labirinto de contas, há uma certeza: só uma equipa vai sobreviver. Nesse sentido o Blog A Bola é Redonda preparou um trabalho exaustivo, onde analisou todas as possibilidades, e que lhe apresentamos de seguida, começando pelo cenário de descida do Folgosa, para de seguida, partir para os restantes.

Nesta última jornada, o Folgosa recebe o Pedroso, às 16h. Caso vença, o máximo que pode atingir são 31 pontos. Na hipótese de Vila FC e Arcozelo perderem os seus jogos, assim como União Beiriz e Aldeia Nova, haveria um empate entre estas três equipas, sendo necessário recorrer a um ‘mini-campeonato’ entre elas, para determinar os lugares na classificação, que seria a seguinte:

Vila FC (10 pts)
SC Arcozelo (4 pts)
Folgosa da Maia (3 pts)

RESULTADOS QUE SUPORTAM ISTO

Vila FC

  • vs Arcozelo → 1-0, 2-24 pts
  • vs Folgosa → 3-2, 3-26 pts

👉 Total: 10 pts

SC Arcozelo

  • vs Vila → 0-1, 2-21 pt
  • vs Folgosa → 2-1, 0-1 → 3 pts

👉 Total: 4 pts

Folgosa da Maia

  • vs Vila → 2 derrotas → 0 pts
  • vs Arcozelo → 1 vitória → 3 pts

👉 Total: 3 pts

Mesmo que os três terminem com 31 pontos, o Vila FC mantém-se sempre à frente nos confrontos diretos, seguido do Arcozelo, deixando o Folgosa sem hipótese de alcançar a vaga de permanência


VILA FC É A EQUIPA QUE TEM A PROBABILIDADE MAIS ALTA DE GARANTIR A PERMANÊNCIA


Explicado o cenário anterior, convém referir que o Vila FC é a equipa que tem a maior probabilidade de garantir a permanência, sendo a única que entra para a última jornada a depender exclusivamente de si. O blog recorreu à ajuda da Inteligência Artificial, para entender este cenário, e que determinou existir 243 combinações possíveis dos resultados destas cinco equipas. Nessas combinações, a vaga de manutenção calha ao Vila FC em 147 cenários (60,5%), ao SC Arcozelo em 81 (33,3%), ao UD Beiriz em 9 (3,7%), ao GD Aldeia Nova em 6 (2,5%) e ao Folgosa da Maia em 0.

Assim, o Vila FC visita o Castêlo da Maia, e uma vitória, acaba com qualquer esperança das restantes. Mesmo que não vença o jogo, ainda existem outras combinações que permitem ao Vila festejar a permanência, em detrimento das restantes.

🟢 Vila FC

  • Se GANHAR: 🟢 salva-se sempre
  • Se EMPATAR: 🟡 salva-se se o Arcozelo não ganhar
  • Se PERDER: 🔴 só se salva se Arcozelo perder e Beiriz + Aldeia Nova não ganharem

👉 Resumo: é quem mais depende de si


🟡 SC Arcozelo

  • Se GANHAR: 🟢 salva-se se o Vila não ganhar
  • Se EMPATAR: 🟠 só se salva se o Vila perder
  • Se PERDER: 🔴 desce

👉 Resumo: tem de fazer melhor que o Vila


🟠 União de Beiriz

  • Se GANHAR: 🟡 salva-se se Vila e Arcozelo perderem
  • Se EMPATAR: 🔴 desce
  • Se PERDER: 🔴 desce

👉 Resumo: ganhar + duas escorregadelas acima


🔴 GD Aldeia Nova

  • Se GANHAR: 🟠 salva-se se Vila e Arcozelo perderem e Beiriz não ganhar
  • Se EMPATAR: 🔴 desce
  • Se PERDER: 🔴 desce

👉 Resumo: cenário ainda mais apertado que o Beiriz


SE OS EMPATES ENTRAM EM CENA, AS CONTAS ADENSAM-SE…



Posto isto, há toda uma panóplia de opções em cima da mesa. Há também várias combinações possíveis de empates, que mudam conforme os clubes envolvidos. Mas o blog fez o melhor possível e apresenta-lhe todas as alternativas. Mas antes disso, convém perceber os regulamentos da AF Porto, que sustentam esta análise. Nesse sentido, quando há empate pontual entre duas ou mais equipas, o desempate é feito primeiro pelos pontos nos jogos entre os clubes empatados, e só depois pela diferença de golos nesses mesmos confrontos. Quando existe empate também neste campo, o terceiro fator é a diferença de golos total no campeonato.


CENÁRIO EM QUE VILA, ARCOZELO, UNIÃO BEIRIZ E ALDEIA NOVA TERMINEM, TODOS, COM 32PTS

  1. Vila FC  - 11pts
  2. SC Arcozelo – 11pts
  3. GD Aldeia Nova – 6pts
  4. UD Beiriz – 5pts

Porque fica assim:

O Vila FC e o SC Arcozelo empatam em 11 pontos e em diferença de golos (+2) na mini-liga, mas o Vila fica à frente por ter mais golos marcados nos confrontos entre os empatados: 7 contra 5. O GD Aldeia Nova fica terceiro com 6 pontos, e o UD Beiriz quarto com 5.

Base dos resultados usados

  • Vila FC vs SC Arcozelo: 1-0 e 2-2.
  • Vila FC vs UD Beiriz: 1-1 e 2-1.
  • Vila FC vs GD Aldeia Nova: 1-0 e 0-1.
  • SC Arcozelo vs UD Beiriz: 1-0 e 0-0.
  • SC Arcozelo vs GD Aldeia Nova: 1-0 e 1-0.
  • UD Beiriz vs GD Aldeia Nova: 3-2 e 0-1.


    Mas para além deste hipótese, há ainda outras combinações possíveis, de empates a 32 pontos:

EMPATES POSSÍVEIS A 32 PONTOS


Vila FC + SC Arcozelo

Acontece se ambos empatarem.
Ordem: Vila FC > SC Arcozelo.
O Vila continua à frente no desempate direto.

Vila FC + UD Beiriz

Acontece se Vila empatar e Beiriz ganhar, sem Arcozelo/Aldeia também ficarem nos 32.
Ordem: Vila FC > UD Beiriz.

SC Arcozelo + UD Beiriz

Acontece se Arcozelo empatar e Beiriz ganhar, sem Vila/Aldeia também ficarem nos 32.
Ordem: SC Arcozelo > UD Beiriz.

SC Arcozelo + GD Aldeia Nova

Acontece se Arcozelo empatar e Aldeia Nova ganhar, sem Vila/Beiriz também ficarem nos 32.
Ordem: SC Arcozelo > GD Aldeia Nova.

UD Beiriz + GD Aldeia Nova

Acontece se ambos ganharem, sem Vila e Arcozelo ficarem nos 32.

Este é um dos cenários abertos ao score: os confrontos diretos entre os dois ficam empatados em pontos e diferença de golos, por isso o desempate pode cair na diferença geral final. Com os números antes da última jornada, o Beiriz parte ligeiramente à frente, mas uma vitória do Aldeia por margem superior pode inverter isso.

Vila FC + GD Aldeia Nova

Acontece se Vila empatar e Aldeia Nova ganhar, sem Arcozelo/Beiriz também acabarem nos 32.
Também aqui o desempate fica aberto ao score: os confrontos diretos entre ambos ficam totalmente equilibrados, então pode ser a diferença geral a decidir. O Vila parte com vantagem clara de diferença geral antes da última jornada, mas teoricamente não é um desempate fechado só com W/E/D.

Vila FC + SC Arcozelo + UD Beiriz

Acontece se Vila empatar, Arcozelo empatar e Beiriz ganhar.
Mini-liga:

  1. Vila FC
  2. SC Arcozelo
  3. UD Beiriz

Vila FC + SC Arcozelo + GD Aldeia Nova

Acontece se Vila empatar, Arcozelo empatar e Aldeia Nova ganhar.
Mini-liga:

  1. Vila FC
  2. SC Arcozelo
  3. GD Aldeia Nova
    Vila e Arcozelo ficam empatados no topo da mini-liga, mas o Vila leva vantagem nos critérios seguintes.

Vila FC + UD Beiriz + GD Aldeia Nova

Acontece se Vila empatar, Beiriz ganhar e Aldeia Nova ganhar, sem Arcozelo acabar nos 32.
Mini-liga:

  1. Vila FC
  2. GD Aldeia Nova
  3. UD Beiriz

SC Arcozelo + UD Beiriz + GD Aldeia Nova

Acontece se Arcozelo empatar, Beiriz ganhar e Aldeia Nova ganhar, sem Vila acabar nos 32.
Mini-liga:

  1. SC Arcozelo
  2. UD Beiriz
  3. GD Aldeia Nova


No fim de contas, tudo se resume a isto: 90 minutos para decidir uma época inteira. Entre contas cruzadas, empates possíveis e critérios de desempate que podem baralhar tudo, há algo que não muda: a pressão, a incerteza e a emoção de um final em que ninguém tem margem para falhar.

O Vila FC parte na frente, o SC Arcozelo ainda acredita, e União de Beiriz e GD Aldeia Nova agarram-se a cenários que exigem quase perfeição. Já o Folgosa da Maia FC joga contra um destino que parece praticamente traçado. Mas o futebol tem esta capacidade única: virar o improvável em realidade.

E enquanto houver jogo… haverá sempre esperança.

20 de abril de 2026

FILIPE MESQUITA, TREINADOR DO VIANENSE - "SE CONSEGUIMOS SUBIR ESTE ANO, É UM FEITO INCRÍVEL PELA FORMA COMO TUDO ACONTECEU"

Vianense vai disputar a Frase de Subida à Liga 3


Depois de um início não muito positivo, o Vianense garantiu o segundo lugar na Série A, e vai lutar pela subida à Liga 3. Está é também a segunda presença consecutiva de Filipe Mesquita, treinador da equipa, que a época passada levou o Leça FC à mesma fase, sendo que desta vez serão adversários. 
Nesta entrevista, o técnico faz um balanço da temporada, bem como uma análise à próxima fase do campeonato.

ABR - A época não foi fácil, não começando até dá melhor forma. Que balanço faz da primeira metade da época? 

FM - Começámos a trabalhar já na segunda quinzena de Julho, quando todos já tinham começado, com 12 atletas. Tivemos de formar um plantel com os jogadores que ainda não tinham sido escolhidos pelos outros clubes, o que nos obrigou a um trabalho gigante de prospeção nas primeiras semanas. Acabámos por formar um plantel com um misto de jovens e malta já experiente, mas os primeiros jogos foram muito duros, com muitas lesões e apenas com 11 jogadores disponíveis nas primeiras jornadas. Pior do que este arranque era impossível e até acabou por ser esse o mote para o que se seguiu da época. Todos sabíamos que só podia melhorar. E as coisas lá foram melhorando, aos poucos, mas sempre que parecia que estávamos a encontrar o caminho, lá vinha mais um camião de jogadores indisponíveis, ora por lesão, ora castigos. A verdade é que terminámos a primeira volta nos lugares de descida mas com uma crença enorme no grupo que tínhamos.

ABR - O Vianense alternou fases positivas fases menos boas, chegando mesmo a estar perto da zona de descida. Como foi lidar com essa inconstância? 

FM - Estivemos na zona de descida no final da primeira volta, depois da visita ao Limianos. Acho que esse momento acabou por ser um momento chave. Tivemos uma conversa dentro do balneário entre todos, com os capitães a darem o mote, e todos prometemos que iriamos dar o que tinhamos e não tinhamos, para sair daquela situação. Aquilo que lhes pedimos era que não olhassem mais para trás e que apenas olhassem para a frente. Estávamos muito longe dos primeiros lugares e aquilo que apenas dependia de nós, era tentarmos ser a melhor equipa da segunda volta. Tudo o resto viria por acréscimo. E foi o que aconteceu. Fomos a melhor equipa do Campeonato de Portugal todo, na segunda volta, e a crença do nosso grupo juntamente com a ética de trabalho foi o segredo.

ABR - Esta Série A demonstrou ser competitiva e imprevisível. Tão rápido os clubes estavam a lutar pela permanência, como já estavam nos lugares cimeiros. Que achou desta série?

FM - Uma série muito competitiva e mesmo as equipas que acabaram por descer praticavam bom futebol, o que vai ao encontro desse oscilar na classificação. Para nós foi óptimo porque nos possibilitou anularmos a fraca primeira volta, pois ninguém se distanciou muito.

ABR - O clube leva nove jogos sem perder, com oito vitórias - seis delas seguidas - e um empate. Como analisa estes números?

FM - Foi uma segunda volta demolidora, sem dúvida. Sabíamos que, quando tudo voltasse ao normal, e deixássemos de ter lesões e castigos, a nossa equipa iria crescer muito. E foi o que aconteceu. Também sabíamos que as nossas equipas fazem sempre melhores segundas voltas, quando o processo está assimilado e, felizmente, a estrutura e adeptos deixaram-nos trabalhar com tranquilidade até surgirem os resultados.

ABR - Primeiro era este o ovelheiro do Vianense? Sendo este o objetivo, alguma vez duvidou que estivesse entre os dois primeiros?

FM - Sinceramente, para uma equipa que começa a época como começámos, com 12 jogadores e apenas dois a transitarem da época anterior, com um grupo totalmente feito de raiz, depois dos restantes planteis da divisão estarem quase completos, com duas semanas de pré-época de atraso relativamente aos restantes, era quase impensável atacar uma subida. O projeto que nos foi proposto nunca teve em vista a obrigatoriedade de subida. Este ano queríamos fazer um campeonato tranquilo e preparar bem as coisas para a próxima época. Se conseguirmos subir este ano, na minha opinião, é um feito incrível pela forma como tudo aconteceu, mas tudo o que nos foi proposto já foi alcançado.

ABR - Volta a marcar presença na Fase Subida, enquanto treinador. Que pensa fazer diferente da época passada, para conseguir subir à Liga 3?

FM - É a terceira fase de subida consecutiva, sempre com as maiores pontuações da nossa série, a segunda seguida no Campeonato de Portugal. Se o formato das competições premiasse a melhor equipa no campeonato, possivelmente teríamos algumas subidas diretas. Mas sabemos quais são as regras e estamos preparados para esta próxima fase. Estamos no nosso melhor momento da época, com ritmo e dinâmica de vitória e isso é sempre bom sinal. Apesar de termos algumas lesões importantes, de longa duração, não temos castigados. Não iremos mudar a forma de trabalhar, acima de tudo, queremos dar muita importância ao aspeto mental, ao equilibrio emocional. É isso que decide nesta fase. Vamos sem pressão porque já atingimos o nosso objetivo e aquilo que lhes vou pedir, é apenas que temos de ter a mesma mentalidade que nos trouxe até aqui, e demonstrar que somos uma equipa com qualidade e que praticamos bom futebol. O resto será natural.

ABR - Vai jogar com Bragança, Rebordosa e Leça. Que chances tem o Vianense? 

FM - Matematicamente, 25%. Contudo, somos a única equipa em que, plantel e estrutura, não transita maioritariamente da época anterior, foi tudo do zero. Também o nosso orçamento, comparativamente com as equipas da série B, não tem nada a ver. Pela soma desses dois fatores diria que somos a equipa menos favorita no papel. Mas na prática, partimos todos do mesmo ponto e temos todos a mesma ambição. Temos um grupo fora do normal, que se excedeu para chegar até aqui, e sei que a mentalidade da nossa equipa é que, se pudermos ficar em primeiro, não vamos ficar em segundo. Por isso está tudo em aberto.

ABR - Como será o reencontro com o Leça?

FM - Será óptimo. Tenho lá grandes amigos e será um prazer estar com eles novamente. Em termos futebolísticos é uma equipa com muita qualidade individual, que gosta de jogar à bola, com processos bem definidos e tem um campo com excelentes condições para se jogar, com adeptos fervorosos. Vai ser um belo jogo logo a abrir.

ABR - Sei que ainda é cedo, mas admite continuar no Vianense na próxima temporada? 

FM - Considero-me um treinador de projeto. Acertei a continuidade com o Vianense logo após o término da primeira volta, estávamos em zona de despromoção. Foi um voto de confiança que não foi apenas transmitido por palavras, mas sim por ações, e estamos muito gratos pela confiança. Revejo-me totalmente na forma de ver o futebol e na forma de estar na vida, por parte da administração da SAD. O gesto também significou muito para mim, pessoalmente. Trabalhamos diariamente de forma muito séria e esperamos conseguir retribuir com resultados tudo o que fazem por nós no clube.

ABR - Deixe uma mensagem aos adeptos do clube.

FM - O mais difícil já passou e conseguimos chegar a este ponto, muito pela paciência e apoio que tiveram connosco durante a primeira parte da época. Foram um dos motivos do nosso sucesso. Desfrutem da fase final, pois merecem estar aqui novamente. Da nossa parte vamos fazer tudo para lhes dar alegrias dentro do campo, e podermos festejar juntos, novamente, no final da época. Obrigado pelo apoio!

OVARENSE É CAMPEÃ DE AVEIRO, MAS QUER MAIS - "VAMOS ATRÁS DESSAS SETE VITÓRIAS. QUEREMOS FICAR NA HISTÓRIA DO CLUBE"


A Ovarense venceu o Lobão por 0-3 e confirmou a vitória no Campeonato Sabseg da AF Aveiro, e o regresso aos campeonatos nacionais, 20 anos depois da última vez. A necessitar de apenas um ponto para atingir esse objetivo, a entrou forte no jogo, e logo aos 22’ Morgan abriu a contagem, para delírio das centenas de adeptos que marcaram presença em Lobão. Aos 32’, Morgan bisou no encontro, dando início à festa ovarense. O segundo tempo trouxe mais um golo, já nos instantes finais da partida, apontado por Mário Correia (86’).

No final da partida, Filipe Gonçalves, treinador da equipa, mostrava-se feliz com o objetivo alcançado. “O mérito é de toda a estrutura, do planeamento que foi feito, dos jogadores, do trabalho que o Fábio Vieira tinha feito cá. Nós tentámos dar continuidade, e se possível, melhorar alguma coisa. Demos o nosso cunho pessoal, trouxemos algumas coisas, criámos desafios, chateámos muito os jogadores, exigimos muito e sabíamos que isto era uma pressão positiva, pois sabíamos do potencial que tínhamos, e acho que é com todo o mérito que conseguimos”, disse o treinador.

Apesar do título conquistado, a época ainda não terminou. Faltam ainda quatro jogos para o final do Campeonato Sabseg, assim como a Taça AF Aveiro e ainda, a Supertaça. No total são sete jogos, onde o técnico apenas vê um desfecho. “Eu só quero ganhar. Não sei jogar para empatar, para perder, eu só quero ganhar. Fomos campeões, mas temos mais quatro jogos de campeonato, mais dois da Taça, mais um da Supertaça. Vamos atrás dessas sete vitórias. Queremos ficar na história do clube, e não sei se é possível, ficar na história desta competição. O nosso objetivo é esse e estamos muito felizes”, afirmou Filipe Gonçalves, que também deixou uma palavra para os adeptos e aos jogadores. “Isto é fenomenal, é fantástico, uma paixão incrível. Entramos para o jogo, a bancada quase repleta com os adeptos. Estamos muito felizes, muito satisfeitos. Acho que agora os jogadores também merecem festejar pois a obra é deles”, concluiu o técnico.

“ENQUANTO CÁ ESTIVERMOS, VAMOS TRABALHAR SEMPRE PARA ATINGIR PATAMARES SUPERIORES”

Emanuel Resende, presidente da AD Ovarense, também era o rosto da felicidade, e do dever cumprido. “Tem sido um trajeto longo, um trajeto com alguns percalços, e hoje estamos a culminar um dia fantástico, onde pudemos proporcionar a toda a massa associativa, e a toda a história da Ovarense, uma subida de divisão. Por sinal, esta subida já não era alcançada desde a época 1999/2000, sendo que não estávamos nos nacionais há 20 anos, mas já não tínhamos uma alegria desta forma desde 99/2000”, destacou o presidente, relembrando a última subida dos ‘vareiros’, no caso da antiga II B à II Liga, onde competiu até ao final da época 2005/06. “Estamos há três anos no clube. Alcançamos dois segundos lugares, com muita frustração, porque o objetivo era, sem dúvida, a subida de divisão. Mas faz parte da vida. Somos humildes, vamos continuar a ser humildes, e vamos continuar num trajeto para chegar a patamares ainda mais elevados, porque estamos sempre à procura do sucesso. Enquanto cá estivermos, vamos estar sempre, sempre, a trabalhar para atingir patamares superiores”, concluiu Emanuel Resende.

O plantel dos ‘vareiros’ viajou de autocarro panorâmico desde Lobão, até ao Estádio Marques da Silva, onde fizeram a festa em comunhão com os adeptos.

18 de abril de 2026

ANADIA CAI NOS DISTRIAIS, 56 ANOS DEPOIS DA ULTIMA PARTICIPAÇÃO


Anadia FC SAD empatou em casa do Vila Meã e regressa aos distritais da AF Aveiro 56 anos depois 


É o fim de um ciclo para um dos históricos da AF Aveiro. 56 anos depois depois de ter sido campeão distrital da então 1ª Divisão da AF Aveiro, o Anadia regressa às provas distritais aveirenses. 

A época esteve longe de ser bem conseguida. Desde o início que os bairradinos ocuparam um lugar na zona de despromoção, à exceção de um período entre a 17ª e a 19ª jornada, onde a turma então treinada por Pedro Alegre, conseguiu sair dessa zona. 

O plantel, composto para lutar por outras metas, também não correspondeu e várias foram sendo as saídas, e também os casos, nas saídas de Diogo Viana (Mirandela) e Fábio Fortes (Leça FC). A nível técnico, a coisa também não se revelou fácil. Bruno Álvares começou a temporada, mas já antes disso, a SAD havia prescindido de Carlos Marinho, que fez parte da pré-época. Pedro Alegre voltou ao banco dos 'Trevos' em outubro, saindo no final do mês de março, chegando Nuno Pedro para o seu lugar. 

Está foi a segunda descida consecutiva do Anadia, depois de, no final da temporada passada, o clube ter caído da Liga 3. Ao longo destes 56 anos, o Anadia FC construiu um percurso sólido nas provas nacionais. No geral, o clube conta com nove épocas na extinta II Divisão B, 43 presenças na III Nacional/Campeonato Nacional de Seniores/Campeonato de Portugal, e tem quatro presenças na Liga 3. 

APARECIDA FC E SÃO MARTINHO DESCEM, SALGUEIROS MANTÉM-SE NO CAMPEONATO DE PORTUGAL


Aparecida FC está de volta aos distritais da AF Porto 

A última jornada do Campeonato de Portugal ditou a descida de dois emblemas da AF Porto, que curiosamente, tinham subido no final da temporada anterior. 

São Martinho desceu
Na Série B, o Aparecida FC perdeu por 5-2 no terreno do Cinfães, confirmando o regresso aos distritais portuenses. O clube do concelho de Lousada ainda tinha a ténue esperança de se manter no Campeonato de Portugal, mas para além de não ter vencido o seu jogo, também não deverá ver revertida a decisão da FPF, relativamente à retirada de três pontos no jogo referente à 12ª jornada, frente à Florgrade. O Cinfães chegou ao intervalo a vencer por 3-0, mas aos 70', o Aparecida reduziu para 3-1, mas durou pouco, já que, aos 72', o Cinfães fez o 4-1. Aos 76', a equipa treinada por José Oliveira voltou a reduzir, fazendo o 4-2, mas já no período de compensação o Cinfães estabeleceu o 5-2 final, devolvendo o campeão da AF Porto agora distritais. 

Na Série A, o São Martinho também não conseguiu evitar o regresso aos campeonatos da AF Porto. Os campenses receberam o já despromovido Desp. Monção, e cumpriram a sua parte ao vencer o jogo por 3-1. Ainda assim, a equipa treinada por José Costa não dependia apenas de si, sendo necessário que o Machico perdesse o derbi com Ribeira Brava, para conseguir a permanência, sendo que o empate não era suficiente, já que o Machico tinha vantagem no confronto direto. Contudo, o Machico venceu por 1-0, gorando os esforços da equipa do concelho de Santo Tirso, que a época passada terminou no 3° lugar da Hyundai Liga Pro da AF Porto, sendo o último clube a ser promovido aos campeonatos nacionais. 

SALGUEIROS SOFRE MAS FICA NO CAMPEONATO DE PORTUGAL

Salgueiros fica no CP
Na Série B, o Salgueiros garantiu a permanência no Campeonato de Portugal, ao empatar a zero em casa do União de Lamas, equipa que também estava ainda à procura desse objetivo. Este era o único resultado que interessava às duas equipas, independentemente daquilo que o Anadia conseguisse fazer em casa do Vila Meã. 
É que os bairradinos também procuravam a permanência mas, para isso acontecer, tinham que vencer o seu jogo - o que não aconteceu pois empatam a zero - e esperar por uma vitória ou de União de Lamas, ou do Salgueiros. É que em caso de igualdade potential com o Salgueiros, o Anadia perdia no confronto direto, o mesmo não acontecendo com o União de Lamas, depois da vitória por 2-1 primeira volta, e o empate a zero do último domingo.
Depois de uma época difícil para estes três conjuntos, com sucessivas trocas de treinadores, a 'fava' saiu ao Anadia, que regressa aos distritais de Aveiro, 56 anos depois, sendo também a segunda descida consecutiva, depois de ter caído da Liga 3. 

15 de abril de 2026

CRISTIANO JESUS - "NUNCA NOS CONTENTAMOS COM O SEGUNDO LUGAR"


Cristiano Jesus foi o convidado do 89º programa do Entrevista Com... no nosso canal de Youtube. O treinador, de 40 anos, destaca o campeonato positivo da sua equipa. "Estamos a fazer um campeonato histórico", disse o treinador. Cristiano Jesus destaca a dificuldade da competição, com vários adversários fortes, mas salienta que o objetivo de lutar pelo primeiro lugar foi sempre uma ambição da equipa. "
Nunca nos contentámos com o segundo lugar", acrescentou o treinador. 

Questionado sobre o futuro do Lavrense, Cristiano Jesus mostra-se otimista. Mencionando um projeto para a construção de um segundo campo de treinos, destacando também o trabalho da atual direção para estabilizar o clube financeiramente, garantindo que os compromissos são cumpridos. Acredita que o Lavrense tem tudo para formar um grupo sólido e com compromissos, visando a estabilidade e o crescimento contínuo.

Pode ver a entrevista completa no link abaixo



14 de abril de 2026

PRESIDENTE DO APARECIDA FC GARANTE – “VAMOS ATÉ ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS”

Cristóvão Cunha, à direita do treinador, José Oliveira, acredita que os pontos não serão retirados ao Aparecida FC

O Aparecida FC está envolvido num caso que vai fazer muitatinta no defeso do Campeonato de Portugal. À entrada para a última jornada, os lousadenses ainda estão dentro da luta pela permanência, mas a FPF quer punir o clube com a perda de três pontos, decorrentes da partida referente à 12ª jornada, na visita à Florgrade, partida que o Aparecida FC perdeu dentro das quatro linhas, por 3-1.

Cristóvão Cunha, presidente do Aparecida FC, abordou pela primeira vez o assunto, em exclusivo para o nosso blog. Esse jogo terminou cerca de 10 minutos antes dos 90’, por inferioridade numérica da turma treinada por José Oliveira. Tudo teve origem na semana que antecedeu a partida, com um surto gripal a atingir o plantel, o que impossibilitou a equipa de treinar. No dia do jogo, apenas haviam 18 jogadores disponíveis. “Queremo-nos tirar três pontos, porque dizem que abandonamos o campo, mas não foi isso que aconteceu. Tivemos um jogador expulso cedo no jogo, e os atletas, mesmo depois de substituídos, não aguentaram estar em campo. O jogo terminou por inferioridade numérica da nossa equipa, nunca por abandono”, disse o presidente. “A equipa não treinou na semana anterior. Apenas seis ou sete jogadores é que conseguiram. No dia do jogo, acabamos por usar atletas que nunca tinham jogado e um guarda-redes que nunca havia defendido, porque eram os que estavam disponíveis”, contou o presidente.

Cristóvão Cunha afirma desconhecer o tempo que isto vai demorar, mas não irá abdicar de lutar pelos três pontos. “Os nossos advogados estão a tratar do caso. Já recorremos e estamos à espera da resposta. O que nos aconteceu, já aconteceu noutros jogos, noutros campeonatos e as equipas que ficaram em inferioridade numérica, nunca perderam mais pontos, para além da derrota aplicada dentro das quatro linhas”, deixando uma questão: “Vão-nos tirar os pontos e vão dá-los a quem? Isto não faz sentido”, afirmou Cristóvão Cunha.

O campeonato chega ao fim este sábado, sendo que o Aparecida, com os três pontos que a FPF lhes quer retirar, soma 31 pontos, estando na luta pela permanência. A equipa apenas necessita de vencer o seu jogo, em Cinfães, pois seja qual for resultado da partida entre União de Lamas e Salgueiros, com esse triunfo, a equipa mantém-se no Campeonato de Portugal. “O Aparecida FC vai lutar até às últimas consequências. Vamos recorrer para todos os locais que nos forem possíveis, porque a verdade está do nosso lado”, garantiu Cristóvão Cunha.

FILIPE GONÇALVES - "QUEREMOS DAR ESSE PRESENTE AOS NOSSOS ADEPTOS JÁ NO DOMINGO"

AD Ovarense venceu o Fiães por 2-0 e está a um ponto de se sagrar Campeão Distrital de Aveiro

A Ovarense venceu no último domingo o Fiães, por 2-0, e somou a 10ª vitória consecutiva no Campeonato Sabseg, da AF Aveiro, deixando a equipa a um jogo de atingir o sonho do regresso aos campeonatos nacionais. Morgan, aos 11' e o invitável Mário Correia, aos 73', marcaram os golos dos 'vareiros', deixando a equipa com mais 15 pontos que o segundo classificado, o Paços de Brandão. 

Filipe Gonçalves, treinador que chegou já com o campeonato a decorrer para o lugar de Fábio Vieira, que saiu para a equipa de Sub-23 do Torreense, ficou feliz com o resultado de domingo. "Foi um jogo que iniciamos com alguma ansiedade, mas também cedo desbloqueamos com o nosso primeiro golo. A partir daí, dominamos por completo, podíamos ter dilatado mais a vantagem, mas o Fiães deu uma boa reposta", disse o técnico. Este jogo marcou também a 10ª vitória consecutiva da Ovarense no campeonato, a melhor série de vitórias consecutivas do Campeonato Sabseg. "Foi muito especial. É a 10ª vitória consecutiva, o que nos projetou ainda mais rápido para o título", destacou Filipe Gonçalves.

Mário Correia, com 28 golos, é o melhor marcador do campeonato

Em janeiro, o técnico de 41 anos, foi o convidado do 78º Entrevista Com.., podcast do projeto. Nessa
altura, que coincidiu com a viragem do campeonato, Ovarense e Sp. Espinho estavam separados por quatro pontos. Filipe Gonçalves destacou que a equipa tinha que "provar dentro de campo realmente que somos melhores, que queremos muito e que queremos mais do que os outros todos, atingir os nossos objetivos". Três meses depois, a Ovarense está a um passo de atingir o principal objetivo para esta temporada, e para além de ter cumprido o seu papel dentro das quatro linhas, contou com a 'colaboração' dos 'Tigres da Costa Verde'. "Algo que antevia com os jogadores, que era a perda de pontos do nosso adversário direto, acabou por se confirmar", destacou Filipe Gonçalves.

No próximo domingo, às 16h, a Ovarense visita o Lobão, num jogo que pode vir a ser de festa. A equipa precisa apenas de um ponto para garantir o título e a subida de divisão, e a ansiedade já se faz sentir. Apesar disso, Filipe Gonçalves afasta qualquer peso negativo por parte dos jogadores. "Encaramos o próximo jogo com uma dose saudável de ansiedade, mas também é algo que vemos com naturalidade. Queremos ser campeões o quanto antes, é o nosso objetivo da época. Vamos a Lobão com esse foco e os jogadores já provaram que tem qualidade para se impor em qualquer campo. Falta-nos um ponto mas vamos jogar para vencer", afirmou o técnico, pois "queremos dar esse presente aos nossos adeptos já no domingo", concluiu.

REGRESSO AOS NACIONAIS 20 ANOS DEPOIS

Caso a Ovarense pontue frente ao Lobão, significará o ponto final num hiato de 20 anos dos 'vareiros' longe das provas nacionais. A última vez que a Ovarense esteve num campeonato nacional foi na II Liga, na época 2005/06. Nessa altura, o clube enfretou uma grave crise financeira, que obrigou à suspensão do futebol sénior no final dessa temporada, impedindo a equipa de participar na antiga II B, para onde o clube havia caído, fruto do 17º lugar na classificação da II Liga. O clube retomou a atividade em 2008, e desde então tem trabalhado para este regresso. Nas últimas épocas, o clube esteve perto de conseguir essa meta, mas foi sendo sucessivamente ultrapassado por União de Lamas e Florgrade. Para além do campeonato, a Ovarense ainda está na luta pela Taça Pecol - Prof. José Valente Pinho Leão, a Taça AF Aveiro, sendo um dos semifinalistas, a par de Sp. Espinho, Estarreja e Fiães.

Pode ver a entrevista de Filipe Gonçalves ao nosso podcast, em janeiro, no link abaixo



13 de abril de 2026

AGORA SIM É OFICIAL – O PANTERAS NEGRAS FC SOBE DE DIVISÃO

Panteras Negras FC vai lutar pelo título

O Panteras Negras FC venceu a Série 5 da I Distrital da AF Porto e ganhou o direito a disputar a Fase de Apuramento de Campeão dessa divisão. Ao mesmo tempo, a equipa vê confirmado o sonho de subir de divisão.

Depois de uma época complicada a todos os níveis, as jornadas finais foram decisivas para os axadrezados: chegaram à liderança no fim de março, aproveitando os deslizes de Perosinho e Canelas 2010, e não falhou no último jogo, vencendo em casa do Ventura SC por 1-3, com hat-trick de Johnson Lufuanquenda.

Rolando Pereira, treinador da equipa, mostrou-se feliz com o sucesso alcançado. “Quando me convidaram, senti que as pessoas depositaram uma grande confiança em mim, e não as queria desiludir”, começou por dizer o técnico, que chegou ao clube à 11ª jornada para o lugar de Milton Ribeiro, que saiu para o Aldeia Nova, e até nem teve a melhor estreia, uma vez que perdeu com o Canelas por 1-2. “É importante perceber que, quando cheguei, a equipa estavam no 6º lugar a seis pontos do Canelas, e haviam outras equipas que também estavam á nossa frente na classificação. Mas o mais importante foi colocar o Panteras Negras FC a jogar um futebol, com muita qualidade na divisão que se encontrava”, disse o técnico, alicerçando o argumento, no que foi ouvindo dos adversários. “Todos diziam que éramos a equipa que jogava o melhor futebol”, afirmou. Para além disso, houve outro fator fundamental. “Trouxemos as pessoas de volta às bancadas. Aquelas que desconfiavam do projeto”, completou.

Aos 56 anos, Rolando Pereira tem construído um trajeto sólido nas provas da AF Porto. Depois de duas boas épocas no Ramaldense, o treinador passou pelo União de Beiriz, que ajudou a promover à Divisão d’Elite, apesar de ter saído à sexta jornada, com a equipa na liderança. Esta temporada, o técnico começou no Perafita, antes de chegar ao Panteras Negras, que chegou a estar a nove pontos do Canelas 2010, líder da série durante grande parte do campeonato.


“VAMOS CONTINUAR A DIVERTIR-NOS”

Finda a primeira fase, o Panteras Negras FC vai agora disputar a Fase de Apuramento de
Campeão. Para Rolando Pereira, o objetivo é apenas um: “O Panteras Negras ganhou o direito a disputar o título justamente. Agora, queremos continuar a fazer o que fizemos até aqui, ou seja, ser a equipa a jogar melhor futebol, disfrutar e divertir-se a jogar futebol. As contas fazem-se no fim”, concluiu o técnico.

A equipa vai agora medir forças com UFC Sousa, Vila Boa do Bispo, ACDFC Calçada de Oldrões e FC Parada, vencedores das restantes quatro séries, e ainda o ACR Sendim, melhor segundo classificado das cinco séries. A subida, para estes seis emblemas deverá estar assegurada, sendo ainda necessário, à posterior, a repescagem de outros clubes, para completar a Divisão de Honra.

Ainda nesta série, destaque para o 'golpe de teatro' em Gaia, envolvendo o Perosinho e Canelas 2010. O Perosinho apenas precisava de vencer o Gatões, para garantir o segundo lugar da série, e uma eventual subida, mas ainda com a expectativa de poder chegar ao primeiro lugar, caso o Panteras Negras FC perdesse o jogo com o Ventura. Os gaienses estiveram na frente ao intervalo, por 2-0, mas acabaram por perder o jogo por 2-3, caíndo para o terceiro lugar, uma vez que o Canelas 2010 venceu o Marechal Gomes da Costa por 2-0. Nesse sentido, é agora o Canelas 2010 que aguarda por uma repescagem, sendo que o Perosinho não deverá ver a subida transformar-se em realidade.

APARECIDA FC E O IMBRÓGLIO QUE PROMETE ANIMAR O DEFESO NACIONAL

Aparecida FC goleou o Florgrade, e está a uma vitória da permanência no Campeonato de Portugal 

O Aparecida FC  goleou o Florgrade por 4-1, na tarde deste domingo. Zidane (44' e 45+3'), Samuel Cazares (75') e Diogo Teixeira (79') marcaram os golos dos lousadenses, que viram Eduardo Santos, aos 90+4', reduzir para os aveirenses. 

Este resultado mantém o Aparecida FC com a permanência bem presente, mas também envolvida num imbróglio que promete fazer correruita tinta, no defeso futebolístico. 

Recentemente foi conhecida a notícia de que o Aparecida FC iria perder três pontos, referentes ao jogo com o Florgrade na primeira volta, que os aveirenses venceram na altura, por 3-1. Contudo, o jogo não chegou ao fim, uma vez que os lousadenses foram atingidos por um surto gripal na semana que antecedeu a partida, tendo apenas 18 jogadores inscritos na ficha de jogo. 

Durante a partida, alguns jogadores do Aparecida FC ressentiram-se, e inferioridade numérica, após realizadas as substituições e contando com a expulsão de Rui Cunha (53'), o jogo terminou cerca de 10 minutos antes dos 90'. Posto isto, o clube foi punido pelo Concelho de Disciplina da FPF, com a perda de três pontos. 

O Aparecida FC, segundo sabe o blog, recorreu e confia que a verdade está do seu lado. Assim sendo, com a vitória de hoje, os homens de José Oliveira somam 31 pontos, os mesmos do Salgueiros, que está fora da zona de despromoção, por ter vantagem no confronto direto. 

Na próxima jornada o Aparecida FC visita o Cinfães, ao passo que o Salgueiros recebe o União de Lamas, que fruto da goleada sofrida está tarde, frente ao Beira-Mar, por 4-0, também está em risco de descer de divisão, pois soma 32 pontos. 

Neste cenário, as contas são fáceis de fazer. Caso o Aparecida vença o Cinfães, seja qual for o resultado do jogo entre Salgueiros e União de Lamas, os lousadenses garantem a permanência no Campeonato de Portugal. 

O que não será fácil de resolver é o imbróglio que está decisão está a criar, e que promete fazer correr muita tinta no defeso desportivo. Para além da derrota, dentro das quatro linhas, a FPF quer retirar ainda mais três pontos ao Aparecida FC. O clube não se pronúncia sobre o assunto, sendo que o tema está nas mãos dos seus advogados.  

11 de abril de 2026

SANJOANENSE PODE DESCER AMANHÃ

Fafe venceu a Sanjoanense por 2-3 e os alvinegeos estão a um passo de descer ao Campeonato de Portugal

Na Liga 3 desde a primeira edição, em 2021/22, a Sanjoanense pode perder o estatuto de 'fundador' desta competição, ainda este fim de semana. A equipa treinada por Pedro Hipólito perdeu esta tarde, na receção ao Fafe, por 2-3, e mantém a última posição da Série 1 da Fase Manutenção, com apenas cinco pontos conquistados. 

Os fafenses chegaram ao 0-3 ainda antes do intervalo, com os golos de João Oliveira (13'), Picas (20') e João Santos (35'). Contudo, os minutos finais foram de nervos para a equipa visitante, treinada por Mário Ferreira, pois aos 82' Talles Wander reduziu para 1-3 e aos 90+1', João Couto reforçou a esperança sanjoanense, aos fazer o 2-3, mas sem conseguir alterar o resultado final. 

Este desaire deixa os alvinegros numa situação muito difícil na prova. É que a equipa pode ver confirmada a queda ao Campeonato de Portugal já amanhã. Para isso não acontecer, o Marco 09 tem que vencer o São João de Ver, primeira equipa acima da zona de despromoção. Caso aconteça outro resultado que não esse, a equipa de São João da Madeira será despromovida. 

APENAS QUATRO CLUBES ESTÃO DESDE O INICIO

Caso se confirme a queda da Sanjoanense, o contingente de 'fundadores' da competição ficará reduzido a três. Juntamente com a Sanjoanense, Braga B e Fafe na Série 1 e Caldas na Série 2, estão na Liga 3 desde a sua criação, na temporada 2021/22. 

Curiosamente, a Sanjoanense subiu após a impossibilidade do Leça poder competir na prova, uma vez que os leceiros haviam terminado no segundo lugar da Série 3 da Fase de Apuramento do Campeonato de Portugal, atrás do São João de Ver, mas não cumpriram os requisitos de participação. 

Nestas cinco temporadas na terceira competição do país, a Sanjoanense lutou pela permanência a maior parte das ocasiões, à exceção da época 2022/23. Nessa temporada terminou no terceiro lugar da Série A, na primeira fase, e posteriormente, na terceira posição da Série 2 na segunda fase, atrás de Belenenses e Lank Vilaverdense, que viriam a subir à II Liga. O primeiro como vice-campeão da prova, ao perder a final frente à União de Leiria, o segundo, ao vencer o playoff de promoção frente ao Braga B, segundo classificado da Série 1.  

9 de abril de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO - "A BASE NÃO É O COMEÇO. A BASE É O ALICERCE"



Fernando Mendes é o CEO da Globall Football, empresa dedicada à consultoria e gestão de carreiras no mundo do futebol.

 

A BASE NÃO É O COMEÇO. A BASE É O ALICERCE.

No futebol português continua a cometer-se um erro de fundo: fala-se demasiado do produto final e demasiado pouco da fábrica onde ele é construído.

Fala-se do profissional, da venda, da valorização, da estreia, do mercado, da performance e da montra. Fala-se do topo da pirâmide como se ele existisse por mérito isolado. Não existe. Nunca existiu. O topo só aparece porque alguém, durante anos, trabalhou a base. E quando essa base é fraca, desorganizada ou mal orientada, mais cedo ou mais tarde o edifício abana.

A realidade é simples: o futebol amador continua a ser a grande base de recrutamento dos clubes profissionais em Portugal. É ali, nos clubes de terra, de bairro, de vila e de distrito, que se encontram milhares de jovens atletas. É ali que começa a triagem. É ali que se moldam comportamentos, se corrigem defeitos, se criam hábitos, se alimenta o sonho e se separa, muito cedo, quem pode crescer de quem será deixado para trás.

Mas há uma verdade que muitos não gostam de ouvir: o futebol amador não pode continuar eternamente escondido atrás da falta de condições.

Sim, faltam campos melhores. Sim, faltam balneários, transportes, recursos, apoio técnico, dinheiro e muitas vezes até respeito institucional. Mas também falta, em muitos casos, organização, exigência, visão, competência e coragem para fazer diferente.

Nem tudo se explica com a pobreza de meios. Há clubes com pouco que fazem muito e há clubes com pouco que fazem quase nada de jeito. A diferença está quase sempre na liderança e na seriedade com que se encara a formação.

O futebol de formação não é um parque de estacionamento de miúdos até chegar a hora do jogo. Também não é um espaço de vaidades de dirigentes, pais histéricos ou treinadores mal preparados. Formar é muito mais do que treinar. Formar é construir jogadores, mas antes disso é construir pessoas.

E é precisamente aqui que começam os factores que tantos clubes continuam a negligenciar.

A escola e o aproveitamento escolar

Continuam a ser tratados como tema lateral, quando deviam estar no centro de qualquer projecto sério. No futebol moderno, a inteligência não se mede apenas pelo gesto técnico ou pela leitura táctica. Mede-se também pela capacidade de compreender, interpretar, decidir, adaptar-se e aprender depressa. Um jovem com hábitos de estudo, com disciplina mental e com melhor desenvolvimento intelectual está quase sempre mais preparado para responder às exigências do jogo actual.

No entanto, quantos clubes amadores têm uma sala de estudo? Quantos criam um espaço mínimo para os jovens fazerem os trabalhos de casa antes ou depois do treino? Quantos acompanham realmente o rendimento escolar dos atletas? Muito poucos.

Depois admiram-se quando o jogador não interpreta bem o jogo, não percebe estímulos mais complexos, não assimila processos ou revela limitações na tomada de decisão. O futebol decide-se cada vez mais ao detalhe. E o detalhe também se constrói na escola.

A nutrição

É outro campo onde se continua a trabalhar mal ou, em muitos casos, simplesmente não se trabalha. Ainda há quem pense que alimentação é assunto para o profissionalismo. Não é. É assunto de base. Um jovem mal alimentado compromete crescimento, recuperação, energia, concentração, prevenção de lesões e equilíbrio competitivo. Não é preciso ter um nutricionista residente para fazer melhor. É preciso, isso sim, perceber que educar também é ensinar a comer melhor.

O acompanhamento psicológico

É outra área empurrada para debaixo do tapete. Treinadores de formação lidam todos os dias com jovens atravessados por medos, inseguranças, problemas em casa, dificuldades na escola, conflitos amorosos, instabilidade emocional, pressão dos pais e falta de confiança. E muitos treinadores continuam a ser largados neste terreno sem ferramentas mínimas para entender o que têm à frente.

Há jovens com enorme talento técnico, táctico e físico que não dão o salto por um bloqueio mental básico: não acreditam neles próprios. E o pior é que, muitas vezes, ninguém detecta isso a tempo. Fala-se de falta de atitude, falta de personalidade ou falta de ambição, quando o problema real está na fragilidade emocional do atleta. Formar também é saber ler gente. E quem treina jovens sem perceber isto anda a trabalhar pela metade.

A literacia desportiva e financeira

Devia ser obrigatória em qualquer contexto formativo decente. Os jovens têm de perceber o que é fair play, disciplina, responsabilidade, respeito pelas regras, papel do árbitro, noção de grupo e compromisso com o clube. Mas têm também de começar a ouvir falar de contratos, agentes, comissões, impostos, gestão de dinheiro, carreira e consequências de más escolhas.

Porque alguns poucos chegarão ao profissionalismo. E se chegarem sem qualquer preparação, serão devorados pelos mesmos oportunistas que infestam demasiados campos.

Os charlatães do futebol jovem

Continuam a circular com uma facilidade escandalosa. Aproximam-se dos pais, prometem testes, clubes, contactos, contratos e um futuro de luxo. Vendem fumo a famílias frágeis e a miúdos sedentos de sonho. Em demasiados casos, os clubes preferem assobiar para o lado em vez de preparar os jovens para reconhecer estes predadores do costume. Isso também é falhar na formação.

Os pais

Há pais que ajudam muito. Mas há outros que estragam quase tudo. Pressionam, insultam, interferem, confundem o papel deles com o do treinador, desrespeitam árbitros, directores, adversários e até os próprios filhos. O futebol de formação português continua cheio de bancadas doentes. E isso não se resolve apenas com comunicados de circunstância. Resolve-se educando, enquadrando e impondo limites.

Os jovens atletas também têm de aprender isto: respeito por eles próprios, pelos colegas, pelos treinadores, pelos directores, pelos árbitros e pelas forças da ordem não é negociável.

A sustentabilidade

Tantas vezes usada como palavra bonita em apresentações e protocolos, deve entrar na formação de forma prática. Respeitar o ambiente, evitar desperdícios, usar bem a água, cuidar dos espaços, preservar materiais e perceber que o futuro exige responsabilidade colectiva não é conversa secundária. É educação básica. E um clube formador que ignore isso está a formar gente incompleta.

Proteger o talento também faz parte de formar

Há ainda uma última nota que o futebol amador não pode continuar a ignorar: a necessidade de identificar cedo os seus talentos de maior potencial e protegê-los de forma séria e legal.

Em Portugal, continua a existir o hábito, demasiado frequente, de clubes profissionais convidarem jovens atletas do futebol amador para trials, observações e períodos de experiência que, em muitos casos, servem mais para contornar responsabilidades do que para avaliar com transparência. O problema é que, quando esses jovens acabam por ser recrutados, os clubes de origem ficam demasiadas vezes de mãos a abanar, depois de anos de trabalho, dedicação, investimento humano e paciência formativa.

Isto é abusivo. E só continua a acontecer com tanta facilidade porque muitos clubes amadores persistem em não proteger atempadamente os atletas que mais facilmente entram no radar dos emblemas profissionais.

Detectar precocemente os jogadores com maior potencial não deve servir apenas para os promover desportivamente. Deve servir também para os enquadrar, acompanhar e salvaguardar do ponto de vista legal e contratual. Sempre dentro da lei, os clubes têm de perceber que os contratos de formação, ou outros mecanismos de protecção admissíveis, não são um luxo nem uma obsessão burocrática. São uma ferramenta de defesa mínima perante um sistema onde, demasiadas vezes, o mais forte aproveita-se da fragilidade organizativa do mais fraco.

Quem forma tem de saber proteger. Quem investe anos num jovem não pode continuar a assistir, passivamente, à sua saída sem salvaguarda, sem estratégia e sem retorno.

O futebol amador não pode limitar-se a formar para os outros. Tem de formar com competência, mas também com inteligência, visão e capacidade de defesa dos seus próprios interesses.

Porque, num ecossistema tantas vezes desigual, ingenuidade não é virtude. É prejuízo.

A conversa tem de mudar

Não basta dizer que se aposta na formação. É preciso provar como se aposta. Não basta ter equipas jovens. É preciso saber para que servem e como são trabalhadas. Não basta esperar que um talento apareça. É preciso construir um ecossistema que o prepare.

O futebol português gosta muito de celebrar o talento que chega ao topo, mas continua a tratar com ligeireza o lugar onde esse talento devia ser realmente moldado. E isso é ainda mais grave no futebol amador, porque é aí que tudo começa. Ou devia começar bem.

A verdade nua e crua é esta: muitos clubes amadores fazem o que podem, mas demasiados continuam a fazer menos do que deviam. E enquanto isso acontecer, continuaremos a perder talento, inteligência, carácter e futuro.

A base não serve apenas para lançar jogadores. Serve para construir seres humanos mais preparados, atletas mais completos e um futebol mais inteligente.

Quem continuar a olhar para a formação como uma obrigação burocrática ou uma simples montra de fim-de-semana não está apenas a falhar com os jovens. Está a falhar com o futuro do futebol português.